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BIBLIOTECA DA LUSOFONIA: ANTÓNIO ALEIXO
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Reply  Message 1 of 3 on the subject 
From: QUIM TROVADOR  (Original message) Sent: 30/11/2009 10:02
Quadras de António Aleixo
 
Meus versos, que dizem eles
que façam mal a alguém?...
Só fazem mal àqueles
A quem podem ficar bem!
 
Contigo em contradição
Pode estar um grande amigo;
Duvida mais dos que estão
Sempre de acordo contigo.
 
Eu não tenho vistas largas,
Nem grande sabedoria,
Mas dão-me as horas amargas
Lições de filosofia.
 
Não te quero converter,
Mas quero ver se consigo
Fazer-te compreender
Aquilo que não te digo.
 
A vida na grande terra
Corrompe a humanidade
Entre a cidade e a serra
Prefiro a serra à cidade
 
Bate a fome à porta deles
E é lá mais mal recebida
Do que na casa daqueles
Que a sofreram toda a vida
 
O homem sonha acordado
Sonhando a vida percorre
E desse sonho dourado
Só acorda quando morre
 
Foste beijar o menino
Quando afinal eu vi bem
Que beijaste o pequenino
Porque gostavas da mãe
 
Só desejo dar um beijo
No rosto duma mulher
Se for maior o desejo
Do que o beijo que eu lhe der.
 
Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, sem parecer o que são,
são aquilo que eu pareço.
 
António Aleixo

 
   
 

 

in. " este livro Que  Vos  Deixo  "

 

Quem me vê dirá: não presta,

nem mesmo quando lhe fale,

porque ninguém traz na testa

o selo de quanto vale.

 

Não vás contar a ninguém

as histórias que não sabes;

nem assim entrarás bem

no lugar em que não cabes.

 

Deixam-me sempre confuso

as tuas palavras boas,

por não te ver fazer uso

dessa moral que apregoas.

 

São parvos, não rias deles,

deixa-os ser, que não são sós;

às vezes rimos daqueles

que valem mais do que nós.

 

Que importa perder a vida

em luta contra a traição,

se a Razão, mesmo vencida,

não deixa de ser Razão?

 

Inteligências há poucas.

Quase sempre as violências

nascem das cabeças ocas,

por medo às inteligências.

 

Pra mentira ser segura

e atingir profundidade,

tem que trazer à mistura

qualquer coisa de verdade.

 

Para triunfar depressa,

cala contigo o que vejas

e finge que não te interessa

aquilo que mais desejas.

 

Ti, que tanto prometeste

enquanto nada podias,

hoje que podes - esqueceste

tudo quanto prometias...

 

Os que bons conselhos dão

às vezes fazem-me rir,

- por ver que eles próprios são

incapazes de os seguir.

 

Não sou esperto nem bruto

nem bem nem mal educado:

sou simplesmente o produto

do meio em que fui criado.

 

Os meus versos o que são?

Devem ser, se os não confundo,

pedaços do coração

que deixo cá neste mundo. 

 

 

Porque o mundo me empurrou,

caí na lama, e então

tomei-lhe a cor, mas não sou

a lama que muitos são

 

Eu não tenho vistas largas,

nem grande sabedoria,

mas dão-me as horas amargas

lições de filosofia.

 

Coo mundo pouco te importas

porque julgas ves direito.

Como há-de ver coisas tortas

quem só vê em seu proveito?

 

Descreio dos que me apontem

uma sociedade sã:

isto é hoje o que foi ontem

e o que há-de ser amanhã.

 

Vós que lá do vosso império

prometeis um mundo novo,

calai-vos que pode o povo

qurer um mundo novo a sério.

 

Há luta por mil doutrinas.

Se querem que o mundo ande

façam das mil pequeninas

uma só doutrina grande.

 

O meu mais puro sorriso

eu não o mostro a ninguém;

mas sei rir, quando preciso,

a quem me sorri também

 

Se o hábito faz o monge

e o mundo quer-se iludido,

que dirá quem vê de longe

um gatuno bem vestido?

 

Sei que pareço um ladrão...

mas há muitos que eu conheço

que, sem parecer o que são,

são aquilo que eu pareço.

 

Nas quadras que a gente vê,

quase sempre o mais bonito

está guardado pra quem lê

o que lá não stá escrito.

 

Meus versos que dizem eles

que façam mal a alguém?

Só se fazem mal àqueles

a quem podem ficar bem.

 

Julgando um dever cumprir,

sem descer no meu critério,

- digo verdades a rir

aos que me mentem a sério! 

António Aleixo  (  Quadras  Populares  )

 
   
 
1

Quem me vê dirá: não presta,

nem mesmo quando lhe fale,

porque ninguém traz na testa

o selo de quanto vale.

2

Não vás contar a ninguém

as histórias que não sabes;

nem assim entrarás bem

no lugar em que não cabes.

3

Deixam-me sempre confuso

as tuas palavras boas,

por não te ver fazer uso

dessa moral que apregoas.

4

São parvos, não rias deles,

deixa-os ser, que não são sós;

às vezes rimos daqueles

que valem mais do que nós.

5

Que importa perder a vida

em luta contra a traição,

se a Razão, mesmo vencida,

não deixa de ser Razão?

6

Inteligências há poucas.

Quase sempre as violências

nascem das cabeças ocas,

por medo às inteligências.

7

Pra mentira ser segura

e atingir profundidade,

tem que trazer à mistura

qualquer coisa de verdade.

8

Para triunfar depressa,

cala contigo o que vejas

e finge que não te interessa

aquilo que mais desejas.

9

Ti, que tanto prometeste

enquanto nada podias,

hoje que podes - esqueceste

tudo quanto prometias...

10

Os que bons conselhos dão

às vezes fazem-me rir,

- por ver que eles próprios são

incapazes de os seguir.

11

Não sou esperto nem bruto

nem bem nem mal educado:

sou simplesmente o produto

do meio em que fui criado.

12

Os meus versos o que são?

Devem ser, se os não confundo,

pedaços do coração

que deixo cá neste mundo. 


 
   

António Aleixo

1899-1949

Quadras V

 

 São parvos, não rias deles,
deixa-os ser, que não são sós;
às vezes rimos daqueles
que valem mais do que nós

***

 Há luta por mil doutrinas.
Se querem que o mundo ande,
Façam das mil pequeninas
Uma só doutrina grande

 ***

  Coo mundo pouco te importas
porque julgas ver direito.
Como há-de ver coisas tortas
quem só vê o seu proveito?

***.

És feliz, vives na alta 
e eu de ratos como a cobra.
Porquê? Porque tens de sobra
o pão que a tantos faz falta.

***
  Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qrer um mundo novo a sério.

***

  Peço às altas competências
Perdão, porque mal sei ler,
P’ra aquelas deficiências
Que os meus versos possam ter. 

*** 

Quando não tenhas à mão
Outro livro mais distinto,
Lê estes versos que são
Filhos das mágoas que sinto.



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Reply  Message 2 of 3 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 17:53


 

 

António Aleixo

Quadras VII

 Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado;
O ribeirinho não morre,
Vai correr por outro lado.

***

 Não há nenhum milionário
que seja feliz como eu:
tenho como secretário
um professor do liceu.

 ***

  De vender a sorte grande,
confesso, não tenho pena;
que a roda ande ou desande
eu tenho sempre a pequena.

***.

Fui polícia, fui soldado,
estive fora da nação;
vendo jogo, guardo gado,
só me falta ser ladrão.

***
 Falemos sinceramente,
Como pra nós mesmos, a sós;
Lá longe de toda a gente,
Do mundo, e até de nós

***

  Após um dia tristonho
de mágoas e agonias
vem outro alegre e risonho:
são assim todos os dias 

 

 

 

 


 
   
 
 

 

F24.jpg picture by JCarvalho

Quadras

António Aleixo

 Tem a música o poder
De tornar o homem feliz;
Nem há quem saiba dizer
Tanto quanto ela nos diz.

***

Não sou esperto nem bruto,
Nem bem nem mal educado:
Sou simplesmente o produto
Do meio em que fui criado.

***

Ao chamar-te inteligente,
Ficaste desconfiado.
Por ser um nome diferente
Dos que te têm chamado.

***

Se umas quadras são conselhos
Que vos dou de boa fé;
Outras são finos espelhos
Onde o leitor vê quem é.

 

***

Contigo em contradição
Pode estar um grande amigo;
Duvida mais dos que estão
Sempre de acordo contigo.

***

Entre leigos ou letrados,
Fala só de vez em quando,
Que nós, às vezes, calados,
Dizemos mais que falando.

 


 
   
 
 

                

          ANTÓNIO ALEIXO
(1899 - 1949)


  QUADRAS POPULARES

 

X


 
 
   Forçam-me, mesmo velhote,
de vez em quando, a beijar
a mão que brande o chicote
que tanto me faz penar. 
  
  
   Porque o mundo me empurrou,
caí na lama, e então
tomei-lhe a cor, mas não sou
a lama que muitos são.
 

  Eu não tenho vistas largas,
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia. 
 
 
  
 à guerra não ligues meia,
porque alguns grandes da terra,
vendo a guerra em terra alheia,
não querem que acabe a guerra
 

 
  Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qurer um mundo novo a sério.
 

            


 
   
 
 

F24.jpg picture by JCarvalho

 
MOTE

Um pobre velho perdido
à minha porta parou;
Foi no meu lar acolhido
Até que a morte o levou.
 

GLOSAS
 
Em noite chuvosa e fria
Sem haver estrelas nem lua
Encontrei na minha rua
Alguém que esperava o dia
E eu, que não o conhecia,
Passei muito distraído
Sem ver que aquele indivíduo
Tinha aspecto de mendigo
E que era, assim sem abrigo,
Um pobre velho perdido.
 
Estava a uma porta arrumado
Com as mãos nas algibeiras
Mas a água das goteiras
Molhava o pobre, coitado...
Entrei em casa magoado
E o infeliz lá ficou...
Mas logo um trovão soou
E o pobre, a tremer de susto,
Vem correndo muito a custo
E à minha porta parou...
 
Eu ordenei-lhe que entrasse
E o filho da pouca sorte
Tinha a figura da morte
Na sua pálida face
Disse à mulher que arranjasse
Ceia pra o desconhecido
E ele então, de agradecido,
Entre soluços dizia
Que, quando tanto chovia,
Foi no meu lar acolhido.
 
Depois o pobre, a tremer,
De um dos bolsos do seu fato
Tirou pra fora um retrato
Que era o de minha mulher
Chamei-a... veio a correr
Logo ao pobre se abraçou
Pois era o Pai que a criou
Que chegou àquele estado.
E ali foi agasalhado
Até que a morte o levou.
 
António Aleixo
(em "Este Livro Que Vos Deixo
")

Reply  Message 3 of 3 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 17:58

F26.jpg picture by JCarvalho

 
ANTÓNIO ALEIXO

  QUADRAS POPULARES ( 1 )
 
 
   Forçam-me, mesmo velhote,
de vez em quando, a beijar
a mão que brande o chicote
que tanto me faz penar.
 
 
 
 
   Porque o mundo me empurrou,
caí na lama, e então
tomei-lhe a cor, mas não sou
a lama que muitos são.
 

  Eu não tenho vistas largas,
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.
 

 
 
 
 
 à guerra não ligues meia,
porque alguns grandes da terra,
vendo a guerra em terra alheia,
não querem que acabe a guerra
 

 
  Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qurer um mundo novo a sério.
 

 
   
 

F26.jpg picture by JCarvalho

 
 
QUADRAS  POPULARES  ( 2 )
António Aleixo
 
Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
se a Razão mesmo vencida,
não deixa de ser Razão?
 

  Pra mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem que trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.
 
  
   Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, não parecendo o que são,
são aquilo que eu pareço.
 

  Enquanto o homem pensar
que vale mais que outro homem,
são como os cães a ladrar,
não deixam comer, nem comem.
 
  
   Eu já não sei o que faça
pra juntar algum dinheiro;
se se vendesse a desgraça
já hoje eu era banqueiro.
 

A vida na grande terra   
corrompe a humanidade. 
Entre a cidade e a serra 
prefiro a serra à cidade. 
 
    
   O mundo só pode ser  
melhor do que até aqui,
- quando consigas fazer
mais plos outros que por ti!
 

  Eu não sei porque razão  
certos homens, a meu ver,
quanto mais pequenos são
maiores querem parecer. 
 
   
   Bate a fome à porta deles   
e é lá mais mal recebida
do que na casa daqueles
que a sofreram toda a vida. 
 

  Uma mosca sem valor  
poisa, co a mesma alegria,
na careca de um doutor
como em qualquer porcaria.
 
 
 
  
   Para não fazeres ofensas  
e teres dias felizes,
não digas tudo o que pensas,
mas pensa tudo o que dizes.
 

  Num arranco de loucura,   
filha desta confusão,
vai todo o mundo à procura
daquilo que tem à mão.
 
   
   Vinho que vai para vinagre  
não retrocede o caminho;
só por obra de milagre,
pode de novo ser vinho.
 

  Entre leigos ou letrados,  
fala só de vez em quando,
que nós, às vezes, calados,
dizemos mais que falando.
 
   
   Eu não tenho vistas largas,  
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.
 

  Quando te vês mal, e dizes  
que preferias a morte,
pensa que outros menos felizes
invejam a tua sorte. 

 
   
 
 

 

F26.jpg picture by JCarvalho

Quadras  VIII

António Aleixo

Tu não tens valor nenhum,
Andas debaixo dos pés,
Até que apareça algum
Doutor que diga quem és.

***

à guerra não ligues meia,
Porque alguns grandes da terra,
Vendo a guerra em terra alheia,
Não querem que acabe a guerra.

***

Depois de tanta desordem,
Depois de tam dura prova,
Deve vir a nova ordem,
Se vier a ordem nova

***

Eu não sei porque razão
Certos homens, a meu ver,
Quanto mais pequenos são
Maiores querem parecer.

***
Vemos gente bem vestida,
No aspecto desassombrada;
São tudo ilusões da vida,
Tudo é miséria dourada.

***

Os novos que se envaidecem
P’lo muito que querem ser
São frutos bons que apodrecem
Mal começam a nascer.

 



 
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