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BIBLIOTECA DA LUSOFONIA: ÁLVARES DE AZEVEDO
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Reply  Message 1 of 2 on the subject 
From: QUIM TROVADOR  (Original message) Sent: 30/11/2009 10:05

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De: Apelido MSNAbby-Queen5 Enviado: 8/11/2008 09:11
 

 

Amor

Álvares de Azevedo

Quand la mort est si belle, Il est doux de mourir.
V. Hugo


Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tualma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábio beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver desperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minhaalma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!



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Reply  Message 2 of 2 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 11:20

Idéias Íntimas II

Enchi o meu salão de mil figuras.
Aqui voa um cavalo no galope,
Um roxo dominó as costas volta
A um cavaleiro de alemães bigodes,
Um preto beberrão sobre uma pipa,
Aos grossos beiços a garrafa aperta. . .
Ao longo das paredes se derramam
Extintas inscrições de versos mortos,
E mortos ao nascer. . . Ali na alcova
Em águas negras se levanta a ilha
Romntica, sombria à flor das ondas
De um rio que se perde na floresta. . .
Um sonho de mancebo e de poeta,
El?Dorado de amor que a mente cria
Como um Éden de noites deleitosas....
Era ali que eu podia no silêncio
Junto de um anjo. . . Além o romantismo!
Borra adiante folgaz caricatura
Com tinta de escrever e pó vermelho
A gorda face, o volumoso abdômen,
E a grossa penca do nariz purpúreo
Do alegre vendilhão entre botelhas
Metido num tonel... Na minha cômoda
Meio encerado o copo inda verbera
As águas doiro do Cognac fogoso.
Negreja ao pé narcótica botelha
Que da essência de flores de laranja
Guarda o licor que nectariza os nervos.
Ali mistura?se o charuto Havano
Ao mesquinho cigarro e ao meu cachimbo.
A mesa escura cambaleia ao peso
Do titnio Digesto, e ao lado dele
Childe Harold entreaberto ou Lamartine.
Mostra que o romanismo se descuida
E que a poesia sobrenada sempre
Ao pesadelo clássico do estudo.


                  
 

 
   
 

 
           
 Idéias Íntimas I

Ossian o bardo é triste como a sombra
Que seus cantos povoa. O Lamartine
É monótono e belo como a noite,
Como a lua no mar e o som das ondas
Mas pranteia uma eterna monodia,
Tem na lira do gênio uma só corda,
Fibra de amor e Deus que um sopro agita:
Se desmaia de amor a Deus se volta,
Se pranteia por Deus de amor suspira.Basta de Shakespeare.

Vem tu agora,
Fantástico alemão, poeta ardente
Que ilumina o clarão das gotas pálidas
Do nobre Johannisberg! Nos teus romances
Meu coração deleita?se. . . Contudo
Parece?me que vou perdendo o gosto,
Vou ficando blasé, passeio os dias
Pelo meu corredor, sem companheiro,
Sem ler, nem poetar. Vivo fumando.
Minha casa não tem menores névoas
Que as deste céu dinverno. . . Solitário
Passo as noites aqui e os dias longos;
Dei?me agora ao charuto em corpo e alma;
Debalde ali de um canto um beijo implora,
Como a beleza que o Sultão despreza,
Meu cachimbo alemão abandonado!
Não passeio a cavalo e não namoro;
Odeio o lansquenê. . . Palavra dhonra:
Se assim me continuam por dois meses
Os diabos azuis nos frouxos membros,
Dou na Praia Vermelha ou no Parnaso.

Alvares de Azevedo

                                                           

                         


 
   
 

 

 

Pálida Inocência

Por que, pálida inocência,
Os olhos teus em dormência
A medo lanças em mim?
No aperto de minha mão
Que sonho do coração
Tremeu-te os seios assim?

E tuas falas divinas
Em que amor lnguida afinas
Em que lnguido sonhar?
E dormindo sem receio
Por que geme no teu seio
Ansioso suspirar?

Inocência! Quem dissera
De tua azul primavera
As tuas brisas de amor!
Oh! Quem teus lábios sentira
E que trêmulo te abrira
Dos sonhos a tua flor!

Quem te dera a esperança
De tua alma de criança,
Que perfuma teu dormir!
Quem dos sonhos te acordasse,
Que num beijo tembalasse
Desmaiada no sentir!

Quem te amasse! E um momento
Respirando o teu alento
Recendesse os lábios seus!
Quem lera, divina e bela,
Teu romance de donzela
Cheio de amor e de Deus!´´

Álvarez de Azevedo


 
   
 

 

Ao Luar

 

Esperaba, desperado.

III

Era-a do vulto da janela-uma dessas feições que os Sóis do meio-dia parecem ter avivado com o primor de seus lumes-e o fogo de seus verdes.

-Ler-se-lhe-ia em cada traço, nos cabelos corridos e ondados, no bigode negro, nos olhos acesos e até nessa morena descor, que pelas válvulas das veias desse homem borbulhavam os fervores de Sarraceno, fundidos na branquidão, de fleugma das raças loiras do Norte-e nos vestígios dos bustos varonis dos soberbos Romanos.

-Não havia engranar-se: era um Espanhol ou um Siciliano.

Ao certo contudo ninguém sabia quem era o Conde Tancredo.-Donde vinha, onde ia, como vivia-calava-o ele.-Sua vida era um mistério-para uns era um doidejar de mancebo leviano, rebuçado nas orgias dormindo nos haréns venais do lupanar, embriagado nos seios torneados na fluidez de cores de um corpo que freme nos abraços seminus das cinturas acetinadas no fresco dos cabelos das Frinés belas.

Para outros essa vida louca e perdulária-o isolado de seu palácio fechado durante o dia, o frenesi dos banquetes, o tumultuar das ceias fascinantes pelo quedar das horas mortas-a figura desse palácio mudo, como um fantasma de pedra, durante o dia-e refletindo de noite nas águas esverdeadas seus vinte olhos de luz-parecia acobertar algum crime: era um tapete de felpos séricos e flores turcas sobre uma nódoa ainda úmida de sangue.

Era contudo de nobre raça, uma dessas feições onde logo se adivinha a nobreza de herança-frontes soberbas onde melhor que nos brasões heráldicos se lê o senho do orgulho dinástico. O Conde Tancredo era assim.Era um homem de estranhas usanças.-Muitos o viram passar do riso mais alegre à spleenalgia mais sombrosa, do volver mais doce de olhos ao cintilar injetado de sangue de um olhar de cólera muda.

E quando dormia-muitas vezes a amante das noites se erguera de seu lado, fria e pávida,-ao ouvir os gemidos cavernosos de seu peito, e os gritos de raiva rangendo entre seus dentes cerrados-no volver da mão negra de um pesadelo.Isso que uns chamavam sonambulismo acordava em outros idéias de que a palidez desse homem podia ser um crime, e seus pesadelos um remorso

IV

O mancebo desaparecia às vezes do balcão da sacada - e suas passadas ressoavam pelo salão escuro-outras reaparecia na janela, estendendo olhares ávidos aos aléns do Canal.

O Árabe sentado no mármore da escadaria, parecia também esperar.

Disséreis contudo que a pessoa que ele esperava parecia não ser a mesma que inquietava tanto o Conde. A direção de seus olhares era oposta inteiramente.

Cada vez, contudo, que o rosto do mancebo embranquecido pela chuva de luzes lívidas da lua aparecia na sombra de seu manto negro, como no fundo escuro de um painel de Téniers ou Van-Dyck-a fronte escura do escravo se erguia-seu olhar brilhava mais ardente -e ele parecia dizer:

-Ele espera também!

V

A noite ia límpida e bela-as virações corriam medo no deslizar das ondas. Fazia-se tarde-só se ouvia às vezes o estalar das águas no cair dos remos reluzentes de umidez, dalguma gôndola solitária, passando muda e negra nas águas.

A noite ia-se límpida e bela.-O ar respirava a bafagem dos laranjais em flor. Entre o ramalhar das folhas, ao sussurrar das ondas, exalava-se às vezes a cantilena monótona do barqueiro-ou o descante ao longe de alguma barca iluminada.

VI

O céu se escurecia sob o crepe das nuvens que avultavam no horizonte, em ondas negras. A lua sumira seu fantasma ebúrneo sob as cortinas da escuridão.

Gotas mornas de chuva começavam a cair…

Davam nesse instante 10 horas em S. Marcos.

Os dois vultos-o da janela e o da escadaria permaneciam ansiosos.

Uma gôndola escura dobrou o canal-e aproximava-se lenta como uma ave negra aquática, com a cabeça sob a asa, resvalando em seu dormir pelo vidro das águas.

A gôndola vinha sempre-o mancebo permanecia imóvel na escada.

A gôndola parou no cais defronte do palácio

-Aí-aí-disse uma voz argentina de mulher. .

O conde ficou imóvel como bebendo a doçura daquela voz-o Árabe como despertado por ela foi até o cais…

Nesse momento uma forma peregrina de mulher saltava em terra com seus pés mimosos nuns mágicos e curtos sapatos de cetim, envolta numa manta de seda, cujas franjas lhe cobriam o rosto como uma máscara, mas não tanto que algumas doiradas mechas de cabelo lhe não sobressaíssem entre elas…

-É ela-disse o moço pálido, desaparecendo da janela.

-Não é ela-murmurou em sua língua bárbara o selvagem filho do deserto, voltando a embuçar-se no albornoz e a recostar a fronte escura no frio das pilastras de pedra.

-Ide-disse ela ao gondoleiro, atirando-lhe uma moeda de oiro. . .

A gôndola partia quando ela passava o peristilo do palácio.

-Adeus, Ali-disse ela, batendo-lhe com o leque.

-Não falas, estátua?

A face queimada do estrangeiro não se moveu.

Sonhava?

Esperava?

Talvez ambas as coisas.


 
   
               

 

A lagartixa
(Álvares de Azevedo)
 
A lagartixa ao sol ardente vive
E fazendo verão o corpo espicha:
O clarão de teus olhos me dá vida,
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.
 
Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito...
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.
 
Posso agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher flores;
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores
 
Vale todo um harém a minha bela,
Em fazer-me ditoso ela capricha...
Vivo ao sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.



 
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