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BIBLIOTECA DA LUSOFONIA: GUILHERME DE ALMEIDA
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Reply  Message 1 of 3 on the subject 
From: QUIM TROVADOR  (Original message) Sent: 30/11/2009 09:25

 
   

   
 


 


QUANDO AS FOLHAS CAÍREM...
 
Quando as folhas caírem nos caminhos,
ao sentimentalismo do sol poente,
Nós dois iremos vagarosamente,
de braços dados, como dois velhinhos.
 
E que dirá de nós toda essa gente,
quando passarmos mudos e juntinhos?
- "Como se amaram esses coitadinhos!
Como ela vai, como ele vai contente!"

 
E por onde eu passar e tu passares,
hão de seguir-nos todos os olhares
e debruçar-se as flores nos barrancos...
 
E por nós na tristeza do sol posto.
hão de falar as rugas do meu rosto
e hão de falar os teus cabelos brancos!

Guilherme de Almeida



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Reply  Message 2 of 3 on the subject 
From: SEARA DA PALAVRA Sent: 02/12/2009 07:13

 

 

Creio


Gilherme Almeida


Para que ninguém me julgue, como eu me julgo, um cético...
do grego "skeptikós", que significava aquele que costuma examinar e refletir, e que, paradoxalmente, passou a significar aquele que de tudo duvida... resolvi revelar o meu "Credo" íntimo, que é o seguinte:


Creio em mim mesmo, só pelo gosto de contrariar um pouco os meus credores;


Creio no meu sense of humour, sem o qual eu jamais seria capaz de me ver de cuecas ao espelho e, principalmente, de votar em eleições;


Creio nos meus inimigos íntimos, fatores máximos de minha popularidade; e nos meus amigos figadais, fatores mínimos das minhas indiscrições;


Creio na imortalidade (apesar da tenaz negativa sustentada pelas Academias) da alma;


Creio no meu coração de ouro, o qual, entretanto, nunca conseguiu uma avaliação decente no guichê do Monte Socorro;


Creio no meu bom e fiel uísque escocês, que justifica, até certo ponto, a existência do meu fígado, do meu médico e do meu fornecedor;


Creio no Bem e no Mal, na Verdade e na Mentira, no Belo e no Feio, no Triste e no Alegre, enfim, em todos os antônimos, porque acredito no meu alfaiate e no direito e avesso das lãs que ele corta e cose;


Creio nos meus sonhos, que já têm feito muita gente boa acertar no "bicho" e nem sequer me dizer "Muito Obrigado!";


Creio na minha perfeita insensatez, que os homens sensatos tentam em vão arremedar;


Creio no meu indiscutível bom-gosto: única virtude que reconhecem em mim algumas mulheres que admiro;


E creio, afinal, inabalavelmente creio neste meu incrível cinismo de acreditar ainda em alguma coisa neste mundo destes tempos entre estes homens.

29.11.1960

                                                                                                              


 
   
 
 
 

 

Velhice
 
Uma folha morta.
Um galho, um céu grisalho.
Fecho a minha porta!
 
(Guilherme de Almeida)

 
   

Guilherme de Almeida


 

Flor do asfalto


Flor do asfalto, encantada flor de seda,
sugestão de um crepúsculo de outono,
de uma folha que cai, tonta de sono,
riscando a solidão de uma alameda...


Trazes nos olhos a melancolia
das longas perspectivas paralelas,
das avenidas outonais, daquelas
ruas cheias de folhas amarelas
sob um silêncio de tapeçaria...


Em tua voz nervosa tumultua
essa voz de folhagens desbotadas,
quando choram ao longo das calçadas,
simétricas, iguais e abandonadas,
as árvores tristíssimas da rua!


Flor da cidade, em teu perfume existe
Qualquer coisa que lembra folhas mortas,
sombras de pôr de sol, árvores tortas,
pela rua calada em que recortas
tua silhueta extravagante e triste...


Flor de volúpia, flor de mocidade,
teu vulto, penetrante como um gume,
passa e, passando, como que resume
no olhar, na voz, no gesto e no perfume,
a vida singular desta cidade!


 
   
 
 
 

 

 

 

Simplicidade... Simplicidade...
ser como as rosas, o céu sem fim, a árvore, o rio...
pôr que não há de ser toda gente assim?

Ser como as rosas: bocas vermelhas
que não disseram nunca a ninguém
que tem perfumes... Mas as abelhas
e os homens sabem o que elas tem!

Ser como o espaço que é azul de longe
de perto é nada... Mas quem o vê
-árvores, aves, olhos de monge...-
busca-o sem mesmo saber por que.

Ser como o rio cheio de graça
que move o moinho, dá vida ao lar
fecunda as terras... E, rindo, passa,
despretensiosos, sempre a cantar.

ou ser como a árvore: aos lavradores
dá lenha e fruto, dá sombra e paz
dá ninho as aves: ao inseto, flores...
mas nada sabe do bem que faz.

Felicidade - sonho sombrio!
Feliz é o simples que sabe ser
como o ar, as rosas, a árvore, o rio:
simples, mas simples sem o saber!

( Guilherme de Almeida )

 

Simplicidade, felicidade

 
   
 
 

Guilherme de Almeida


 

Maxixe


O chocalho dos sapos coaxa
como um caracaxá rachado. Tudo mexe.
Um vento frouxo enlaga uma nuvem baixa
fofa. E desce com ela, desce.
E não a deixa e puxa-a como uma faixa
e espicha-se e enrolam-se. E o feixe rola
e rebola como uma bola
na luz roxa
da tarde oca


boba


chocha.


 
   

 

Guilherme de Almeida



Harmonia Velha

O teu beijo resume
Todas as sensações dos meus sentidos
A cor, o gosto, o tato, a música, o perfume
Dos teus lábios acesos e estendidos
Fazem a escala ardente com que acordas o fauno encantador
Que, na lira sensual de cinco cordas,
Tange a canção do amor!

E o tato mais vibrante,
O sabor mais sutil, a cor mais louca,
O perfume mais doido, o som mais provocante
Moram na flor triunfal da tua boca!
Flor que se olha, e ouve, e toca, e prova, e aspira;
Flor de alma, que é também
Um acorde em minha lira,
Que é meu mal e é meu bem...

Se uma emoção estranha
o gosto de uma fruta, a luz de um poente -
chega a mim, não sei de onde, e bruscamente ganha
qualquer sentido meu, é a ti somente
que ouço, ou aspiro, ou provo, ou toco, ou vejo...
E acabo de pensar
Que qualquer emoção vem de teu beijo
Que anda disperso no ar...


Reply  Message 3 of 3 on the subject 
From: SEARA DA PALAVRA Sent: 02/12/2009 07:14

 

 

63.jpg picture by UNIDOSOSDOIS

 
 
 

O NOSSO NINHO

O nosso ninho, a nossa casa, aquela
nossa despretensiosa água-furtada,
tinha sempre gernios na sacada
e cortinas de tule na janela.

Dentro, rendas, cristais, flores... Em cada
canto, a mão da mulher amada e bela
punha um riso de graça. Tagarela,
teu cenário cantava à minha entrada.

Cantava... E eu te entrevia, à luz incerta,
braços cruzados, muito branca, ao fundo,
no quadro claro da janela aberta.

Vias-me. E então, num súbito tremor,
fechavas a janela para o mundo
e me abrias os braços para o amor!

Guilherme de Almeida

 


 
   

 

FICO

 

Fico - deixas-me velho. Moça e bela,
partes. Estes gernios encarnados,
que na janela vivem debruçados,
vão morrer debruçados na janela.

E o piano, o teu canário tagarela,
a lmpada, o divã, os cortinados:
- "Que é feito dela?" - indagarão - coitados!
E os amigos dirão: - "Que é feito dela?"

Parte! E se, olhando atrás, da extrema curva
da estrada, vires, esbatida e turva,
tremer a alvura dos cabelos meus;

irás pensando, pelo teu caminho,
que essa pobre cabeça de velhinho
é um lenço branco que te diz adeus!

Guilherme de Almeida

 

 

 
 


 
   
::

Guilherme de Almeida


 

Prece a Anchieta


Santo: erguesses a cruz na selva escura;
Herói: plantasses nossa velha aldeia;
Mestre: ensinasses a doutrina pura;
Poeta: escrevesses versos sobre a areia!


Golpeia a cruz a foice inculta e dura;
Invade a vila multidão alheia;
Morre a voz santa entre a distncia e a altura;
Apaga o poema a onda espumejante e cheia...


Santo, herói, mestre e poeta: — Pela glória
que destes a esta Terra e a sua História,
Pela dor que sofremos sempre nós.


Pelo bem que quisesses a este povo,
O novo Cristo deste Mundo Novo,
Padre José de Anchieta, orai por nós!



 
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