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BIBLIOTECA DA LUSOFONIA: NATÁLIA CORREIA
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Reply  Message 1 of 4 on the subject 
From: QUIM TROVADOR  (Original message) Sent: 30/11/2009 08:59
 

73.jpg picture by marte_13

 
 
voce_bar.gif
estrelariadour.gifA DEFESA DO POETAestrelariadour.gif
Senhores jurados sou um poeta
 um multipétalo uivo um defeito
 e ando com uma camisa de vento
 ao contrário do esqueleto
 
 Sou um vestíbulo do impossível um lápis
 de armazenado espanto e por fim
 com a paciência dos versos
 espero viver dentro de mim
 
 Sou em código o azul de todos
 (curtido couro de cicatrizes)
 uma avaria cantante
 na maquineta dos felizes
 
 Senhores banqueiros sois a cidade
 o vosso enfarte serei
 não há cidade sem o parque
 do sono que vos roubei
 
 Senhores professores que pusestes
 a prémio minha rara edição
 de raptar-me em criança que salvo
 do incêndio da vossa lição
 
 Senhores tiranos que do baralho
 de em pó volverdes sois os reis
 sou um poeta jogo-me aos dados
 ganho as paisagens que não vereis
 
 Senhores heróis até aos dentes
 puro exercício de ninguém
 minha cobardia é esperar-vos
 umas estrofes mais além
 
 Senhores três quatro cinco e Sete
 que medo vos pôs por ordem?
 que pavor fechou o leque
 da vossa diferença enquanto homem?
 
 Senhores juízes que não molhais
 a pena na tinta da natureza
 não apedrejeis meu pássaro
 sem que ele cante minha defesa
 
 Sou uma impudência a mesa posta
 de um verso onde o possa escrever
 ó subalimentados do sonho!
 a poesia é para comer.
 
NATÁLIA CORREIA

coracaozinhoDourado.gifcoracaozinhoDourado.gifcoracaozinhoDourado.gif
 
 
Formatação : Marte/JCarvalho
 
voce_bar.gif
 
 
 
 


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Reply  Message 2 of 4 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 05/12/2009 11:24
 
 
 

Queixa das almas

 jovens censuradas

Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
E um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola.

Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma duma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade.

Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos o prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência.

Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro.

Penteiam-nos os crnios ermos
Com as cabeleiras dos avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós.

Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa história sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra para o medo.

Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Sonos vazios, despovoados
De personagens do assombro.

Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
Para pentearmos um macaco.

Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura.

Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante.

Dão-nos um nome e um jornal,
Um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino.

Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida. Nem é a morte.


Natália Correia


 
   
 
 
**************************************************************************************************
Bilhete Para o Amigo Ausente
 
 
Lembrar teus carinhos induz
a ter existido um pomar
intangíveis laranjas de luz
laranjas que apetece roubar.
 
Teu luar de ontem na cintura
é ainda o vestido que trago
seda imaterial seda pura
de criança afogada no lago.
 
Os motores que entre nós aceleram
os vazios comboios do sonho
das mulheres que estão à espera
são o único luto que ponho.
 
(  Natália Correia  )
 

 
   
 
 
 
 
A DEFESA DO POETA
 
Senhores jurados sou um poeta
 um multipétalo uivo um defeito
 e ando com uma camisa de vento
 ao contrário do esqueleto
 
 Sou um vestíbulo do impossível um lápis
 de armazenado espanto e por fim
 com a paciência dos versos
 espero viver dentro de mim
 
 Sou em código o azul de todos
 (curtido couro de cicatrizes)
 uma avaria cantante
 na maquineta dos felizes
 
 Senhores banqueiros sois a cidade
 o vosso enfarte serei
 não há cidade sem o parque
 do sono que vos roubei
 
 Senhores professores que pusestes
 a prémio minha rara edição
 de raptar-me em criança que salvo
 do incêndio da vossa lição
 
 Senhores tiranos que do baralho
 de em pó volverdes sois os reis
 sou um poeta jogo-me aos dados
 ganho as paisagens que não vereis
 
 Senhores heróis até aos dentes
 puro exercício de ninguém
 minha cobardia é esperar-vos
 umas estrofes mais além
 
 Senhores três quatro cinco e Sete
 que medo vos pôs por ordem?
 que pavor fechou o leque
 da vossa diferença enquanto homem?
 
 Senhores juízes que não molhais
 a pena na tinta da natureza
 não apedrejeis meu pássaro
 sem que ele cante minha defesa
 
 Sou uma impudência a mesa posta
 de um verso onde o possa escrever
 ó subalimentados do sonho!
 a poesia é para comer.

 
   
 
 
 
MãE  ILHA 
 
Nessa manhã as garças não voaram
E dos confins da luz um deus chamou.
Docemente teus cílios se fecharam
Sobre o olhar onde tudo começou.


A terra uivou. Todas as cores mudaram
O mar emudeceu. O ar parou.
Escuros véus de pranto o sol taparam
De azáleas lívidas a ilha se cercou.


A que pélago o esquife te levava?
Não ao termo. A não chorar os mortos.
Teu sumo espiritual florido ensina.


E se o mundo em ti principiava,
No teu mistério entre astros absortos,
Suavemente, ó mãe, tudo termina.

Natália Correia


Reply  Message 3 of 4 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 05/12/2009 11:27
 


 
 

 

 

Natália Correia



O sol nas noites e o luar nos dias

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.


 

 
 
 
 
 

 
   
 

 

 

Natália Correia



Mocinhas gráceis...

 

Mocinhas gráceis, fungíveis
Mimosas de carne aérea
Que pela erecção dos centauros
Trepais como doida hera!
Por ardentes urdiduras
De Afrodite que abonais
Passais como queimaduras
E tudo em fogo deixais.

Ofegar de onda retida
Na ocupação epidérmica
De serdes a exactidão
Florida da primavera,
Todas de luz invadidas,
Soi, porém, as irreiais
Bonecas de sol sumidas
No fulgor com que alumbrais.

Lá no fundo dos desejos
Chegais macias e quentes
Com violas nos cabelos,
Nas ancas, quartos crescentes;
Nas pernas, esguios confeitos,
Na frescura o vermelhão
De uma alvorada que rompe
Em seios de requeijão.

Enleais, mas de enleadas,
Ó volúveis, ó felinas!
Saltais fazendo tinir
Risadas de turmalinas;
E com as asas do segredo
Que vos faz misteriosas
– Pois sendo divinas, sois
Do breve povo das rosas –,
Adejais de beijo em beijo
Já que para gerar assombros
Vicejam as folhas verdes
Que vos farfalham nos ombros.

Ó doçaria que em línguas
Acres sois torrões de mel,
Quando idoneamente ninfas
Vos vestis da vossa pele!
Se a olhares venéreos furtar-vos
Em roupas não vale a pena,
Pois mesmo vestidas estais
Nuinhas de graça plena,
De esbelta nudez plantai
Róseos calcanhares nos dias
Fugazes, não vá Vulcano
Levar-vos para sombras frias;
Não sequem os anos corpinhos
De aragem que os deuses sopram,
Que os anos são os malignos
Sinos que pela morte dobram.

Mocinhas fúteis que sois
Da vida as espumas altas
Leves de não vos pesar
O peso de terdes almas;
Que essa força de encantar,
Ó belas! cria, não pensa.
Ser perdidamente corpo
É a vossa transparência.



 
   
 
 

 

FALAVAM-ME DE AMOR

Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infncia pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

Natália Correia
O Dilúvio e a Pomba 
Lisboa, Publicações D. Quixote, 1979

 

 


Reply  Message 4 of 4 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 05/12/2009 11:28
Cntico do País Imerso
 
Os previdentes e os presidentes tomam de ponta

Os inocentes que têm pressa de voar

Os revoltados fazem de conta fazem de conta...

Os revoltantes fazem as contas de somar.


Embebo-me na solidão como uma esponja

Por becos que me conduzem a hospitais.

O medo é um tenente que faz a ronda

E a ronda abre sepulcros fecha portais;


Os edifícios são malefícios da conjura

Municipal de um desalento e de uma Porta.

Salvo a ranhura para sair o funeral

Não há inquilinos nos edifícios vistos por fora


Que é dos meninos com cataventos na aérea

Arquitetura de gargalhadas em cornucópia?

Almas bovinas acomodadas à matéria

Pastam na erva entre as ruínas da memória,

Homens por dentro abandalhados em unhas sujas

Que desleixaram seu coração num bengaleiro;

Mulheres corujas seriam gregas não fossem as negras

Nódoas deixadas na sua carne pelo dinheiro;


Jovens alheios à pulcritude do corpo em festa

Passam por mim como alamedas de ciprestes

E a flor de cinza da juventude é uma aresta

Que me golpeia abrindo vácuos de flores silvestres


E essa ansidedade de mim mesma me virgula

Paula de pátria entressonhada. É um crisol.

E, o fruto agreste da linfa ardente que em mim circula

Sabe-me a sol.  Sabe-me a pássaro.  Pássaro ao sol.


Entre mim e a cidade se ateia a perspectiva

De uma angústia florida em narinas frementes. 

Apalpo-me estou viva e o tacto subjectiva-me

a galope num sonho com espuma nos dentes.


E invoco-vos, irmãos, Capitães-Mores do Instinto!

Que me acenais do mar com um lenço cor da aurora

E com a tinta azulada desse aceno me pinto.

O cais é a urgência.  O embarque é agora.
 
 
Natália Correia

 
   

 

OUTUBRO

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.


 
   

 
 

 AutumnGoddess.jpg picture by Sil2735

 

SINAIS QUE NO AMOR SE ADIANTAM

 

No teu olhar se esfuma e desvanece
A cidade onde o corpo por enquanto é preciso.
É quano a outra face do luar aparece
E o balir das ovelhas tem o som do meu riso.

Para tapar meu seio já nenhum astro tece
A roupa com que outrora saí do paraiso.
O pudor é da terra. Só por isso anoitece
E a nudez dos amantes é não darem por isso.

A semente do filho que em nós amadurece
Trouxe-a no bico a pomba que o seu reino prepara.
Por isso na cidade já ninguém nos conhece
Pois que ambos trazemos esse filho na cara.

 


 
   

COMBOIO

Aqui (movente ou parada?)
Vou contra a vida que foge
Nos campos que à desfilada
Vão ao invés do que corre.

Que deus me ilude ou me mente?
Porquê na hora fugaz
Eu julgo que vou para a frente
Se tudo avança para trás?

Acaso egressa o tempo
Ao que era antes do mal
Nas árvores que recuam
à floresta inicial?



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