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BIBLIOTECA DA LUSOFONIA: MIGUEL TORGA
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Reply  Message 1 of 5 on the subject 
From: QUIM TROVADOR  (Original message) Sent: 30/11/2009 09:03

natureza019.jpg 

MEDITAçãO

 
Monte.
Uma palavra, sol e sensação
De que é um largo horizonte
O fosso que nos mede o coração.
 
Cobrem-se de balidos e ternura
Os tojos onde o corpo se rasgou;
Uma brisa de paz e de frescur
Ondula o que há-de vir e o que passou.
 
Mas um moinho ao longo moi a vida...
Sem se deter, o malmequer da vela
Desfolha sobre a alma ressequida
A poeira do sonho que esfarela
 
Miguel Torga
(In) "Diário"





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Reply  Message 2 of 5 on the subject 
From: FOFUCHA Sent: 05/12/2009 13:57
História Antiga

Miguel Torga

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.

Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
 

Reply  Message 3 of 5 on the subject 
From: FOFUCHA Sent: 05/12/2009 13:57
 


 

Paraísos  Não  havia  ...

 

 Paraísos, não havia,

Purgatórios, não mostrava, 

Limbos, sim, é que dizia 

Que os sentia, 

Pesados de covardia, 

Lá na terra onde morava. 

E morava neste mundo 

Aquela voz. 

Morava mesmo no fundo 

Dum poço dentro de nós. 

 

(Miguel Torga)


   
Miguel Torga
(1907-1995)
 
                            
 
Aos Poetas
 
 
Somos nós
As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.
Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!...

Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a um campo de maior altura
A mão que só altura semeara.

Por isso a vós, Poetas, eu levanto
A taça fraternal deste meu canto,
E bebo em vossa honra o doce vinho
Da amizade e da paz!
Vinho que não é meu,
mas sim do mosto que a beleza traz!

E vos digo e conjuro que canteis!

 
   
 

 

Exame

Feiticeiro sem deuses, reconheço
O limite dos meus encantamentos.
Só em raros momentos
De inspiração
Eu consigo o milagre dum poema,
Teorema
Indemonstrável pela multidão.

Mas é desse limite que me ufano:
Ser humano
E poeta.
Humildemente,
Com toda a paciência da terra,
Com toda a impaciência do mar,
Aguardo o transe, a hora desmedida;
E é o próprio rosto universal da vida
Que se ilumina,
Quando o primeiro verso me fulmina.

Miguel Torga


 
   
 

Perplexidade

Hesito no caminho.
Ninguém segue este rumo...
É noutra direcção
Que o vento leva o fumo
Das paixões...
Chegar, sei que não chego,
De nenhuma maneira;
Mas queria ao menos ir no lírico sossego
De quem não se enganou na estrada verdadeira.

E não vou.
Cada vez mais sozinho
Na solidão,
Duvido da certeza dos meus passos.
Vejo a sede ancestral da multidão
Voltar costas às fontes que pressinto,
E fico na mortal indecisão
De afirmar ou negar o cego instinto
Que me serve de guia e de bordão.

Miguel Torga


 
   
 
Colóquio

Duvida das palavras...
Nunca disseram nada.
Palmeira no deserto
Da expressão,
O mais que dão
É sombra aos sentimentos,
Nos momentos
Em que o sol é uma cruz de expiação.

Ouve o silêncio - a voz universal.
Só ele é o verdadeiro confidente
Do coração de tudo.
Poeta angustiado
E penitente,
Mudo
A teu lado
É que eu sou transparente...

Miguel Torga


Reply  Message 4 of 5 on the subject 
From: FOFUCHA Sent: 05/12/2009 13:58
 

     

  Ciganos

 

Tudo o que voa é ave.
Desta janela aberta
A pena que se eleva é mais suave
E a folha que plana é mais liberta.

Nos seus braços azuis o céu aquece
Todo o alado movimento.
É no chão que arrefece
O que não pode andar no firmamento.

Outro levante, pois, ciganos!
Outra tenda sem pátria mais além!
Desumanos
São os sonhos, também...
 
 
Miguel Torga

      
 
Fonte:secrel.com       

            

 

 
 
 
                           
 
Fronteira
 
 

De um lado terra, doutro lado terra;
De um lado gente; doutro lado gente;
Lados e filhos desta mesma serra,
O mesmo c´ú os olha e os consente.
 
O mesmo beijo aqui; o mesmo beijo além;
Uivos iguais de cão ou de alcateia.
E a mesma lua lírica que vem
Corar meadas de uma velha teia.
 
Mas uma força que não tem razão,
Que não tem olhos, que não tem sentido,
Passa e reparte o coração
Do mais pequeno tojo adormecido.
 
 
Miguel Torga

 
   
 
 

 

BRASIL


Miguel Torga

Pátria de emigração.
É num poema que te posso ter...
A terra - possessiva inspiração;
E os rios - como versos a correr.

Achada na longínqua meninice,
Perdida na perdida juventude,
Guardei-te como podia:
na doce quietude
Da força represada da poesia.

E assim consigo ver-te
Como te sinto:
Na doirada moldura de lembrança,
O retrato da pura imensidade
A que dei a possível semelhança
Com palavras e rimas de saudade.

 

 


 
   
 

Brinquedo

Foi um sonho que eu tive:

Era uma grande estrela de papel,

um cordel

e um menino de bibe.

 

O menino tinha lançado a estrela

com ar de quem semeia uma ilusão;

E a estrela ia subindo, azul e amarela,

presa pelo cordel à sua mão.

 

Mas tão alto subiu

que deixou de ser estrela de papel.

E o menino, ao vê-la assim, sorriu

e cortou-lhe o cordel.

Miguel Torga

 

 


Reply  Message 5 of 5 on the subject 
From: FOFUCHA Sent: 05/12/2009 14:05

 

--- Alta traição !

 

Se morro cheio de fome 

neste país sitiado ! 

R-7 vendido ! 

O R-7 vencido

e julgado ! 

Eu não cheguei, camaradas,  

porque os meus passos 

davam em terra alheia e movediça !...   

Mas gastei toda a energia 

que trazia 

no coração...   

Nem falhei por covardia  

nem preguiça:  

Falhei por condenação !...  

Digo-vos esta verdade,      

que é tão vossa  

como a Mulher é do Homem      

em certas horas danadas...  

(certas horasem que as almas são geradas...)     

É falso! É falso! Juro-vos, Juizes!  

Nada me prometeram nem pediram !  

Quando cheguei,  

nem me patearam  

nem me aplaudiram ! 

Havia neles o sono dos cansados,   

e não me puderam ver!...  

Havia neles a paz, e eu era a Guerra  

(aquela Guerra de dentro, 

que todo o Guerreiro traz   

ao nascer !...)  

Então,  

como um louco bati a cada porta, 

e em nome de Zaratustra  

falei da quimera morta  

e da nova Ressurreição... 

"E aqui há sentido", acrescentava.   

Mas a Besta devorava   

palha... e grão.  

Meu corpo foi o drama do mistério 

que é mistério 

mas que se quer revelar... 

Foi tudo como se um morto 

quisesse ressuscitar!... 

Não! Bem fiquei adormecido 

Entre as coxas duma espia, 

nem me vendi; nesta terra 

um homem como eu não se vendia! ... 

Seus olhos eram daqueles 

que não olham para o Sol, 

e eu cheguei de noite!

E nem assim!... 

Agora, venha o desterro 

para as Sibérias da Vida... 

Já tenho a missão cumprida, 

já disse para que vim !

 

(Miguel Torga)


 
   

LIVRO  DE  HORAS

 

Aqui, diante de mim, 

eu, pecador, me confesso 

de ser assim como sou.

Me confesso o bom e o mau 

que vão ao leme da nau 

nesta deriva em que vou.

Me confesso

Possesso 

de virtudes teologais, 

que são três, 

dos pecados mortais, 

que são sete, 

quando a terra não repete 

que são mais. 

Me confesso

o dono das minhas horas. 

O das facadas cegas e raivosas, 

e o das ternuras lúcidas e mansas 

E de ser de qualquer modo 

Andanças 

do mesmo todo.  

Me confesso de ser charco 

e luar de charco, à mistura. 

que atira setas acima 

e abaixo da

minha altura.

Me confesso de ser tudo

que possa nascer em mim. 

De ter raízes no chão 

desta minha condição. 

Me confesso de Abel e Caim.

Me confesso de ser Homem. 

De ser um anjo caído

do tal céu que Deus governa; 

de ser um monstro saído 

do buraco mais fundo da caverna. 

Me confesso de ser eu.

Eu, tal e qual como vim 

para dizer que sou eu 

aqui, diante de mim !

 

(Miguel Torga)

 


 
   

Acuso-te, Destino !    

A própria abelha às vezes se alimenta 

Do mel que fabricou... 

eu leio o que escrevi 

Como um notário um testamento alheio. 

Esvazio o coração, cuido que me exprimi, 

E vou a olhar o poço, e ele continua cheio ! 

Acuso-te protesto. 

É manifesto 

Que existe malvadez ou má vontade ! 

Com a mais humilíssima humildade, 

Requero, peço, imploro... 

Mas trago às costas esta maldição  :

De sofrer com razão ou sem razão, 

E de não ter alívio nas lágrimas que choro !

(Miguel Torga) -  in Denúncia


 
   
 

   Matei o Luar ... 

 

Matei a lua e o luar difuso  

Quero os versos de ferro e de cimento  

Em vez de rimas, uso  

As consonncias que há no sofrimento.    

Universal e aberto, o meu instinto acode  

A todo coração que se debate aflito

e luta como sabe e como pode:  

Dá beleza e sentido a cada grito.    

Mas como as inscrições nas penedias  

Têm maior duração Gasto as horas e os dias  

A endurecer a forma da emoção.    

 

(Miguel Torga)


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Recomendar Excluir    Mensagem 18 de 20 em Discussão 
De: Apelido MSN♫╣♥╠♫ֻֻ£♥v€ֻZ€n-♫╣♥╠♫ Enviado: 7/11/2008 19:30
 

SEGREDO
(Miguel Torga)

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

 



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