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BIBLIOTECA DA LUSOFONIA: BOCAGE ( MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE )
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Reply  Message 1 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR  (Original message) Sent: 30/11/2009 09:52

 

Meu ser evaporei na lida insana

 

Meu ser evaporei na lida insana 

Do tropel das paixões que me arrastava, 

Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava 

Em mim, quase imortal, a essência  humana!  

 

De que inúmeros sóis a mente ufana 

A existência falaz me não doirava! 

Mais eis sucumbe a Natureza escrava  

Ao mal, que a vida em sua origem dana.  

 

Prazeres, sócios meus e meus tiranos, 

Esta alma, que sedenta em si não coube,  

No abismo vos sumiu dos desenganos.  

 

Deus... Ó Deus! Quando a morte à luz me roube, 

Ganhe um momento o que perderam anos, 

Saiba morrer o que viver não soube! 

 

(Manuel  Maria Barbosa du Bocage)  

 



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Reply  Message 10 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:16

 

Ó Céus!   

Ó Céus! Que sinto nalma! Que tormento!
Que repentino frenesi me anseia!
Que veneno a ferver de veia em veia
Me gasta a vida, me desfaz o alento!

Tal era, doce amada, o meu lamento;
Eis que esse deus, que em prantos se recreia,
Me diz: A que se expõe quem não receia
Contemplar Ursulina um só momento!

Insano! Eu bem te vi dentre a luz pura
De seus olhos travessos, e cum tiro
Puni tua sacrílega loucura:

De morte, por piedade hoje te firo;
Vai pois, vai merecer na sepultura
à tua linda ingrata algum suspiro.

 Manuel Maria Barbosa du Bocage


Reply  Message 11 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:17

  

Invocação à noite

Ó deusa, que proteges dos amantes
O destro furto, o crime deleitoso,
Abafa com teu manto pavoroso
Os importantes astros vigilantes:

Quero adoçar meus lábios anelantes
No seio de Ritália melindroso;
Estorva que os maus olhos do invejoso
Turbem damor os sôfregos instantes:

Tétis formosa, tal encanto inspire
Ao namorado Sol teu níveo rosto,
Que nunca de teus braços se retire!

Tarda ao menos o carro à Noite oposto,
Até que eu desfaleça, até que expire
Nas ternas nsias, no inefável gosto. 

Manuel  Maria Barbosa du Bocage


Reply  Message 12 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:20
 

Oh Retrato da Morte, oh Noite amiga

M. M. Barbosa du  Bocage

 

Oh retrato da Morte, oh Noite amiga,

Por cuja escuridão suspiro há tanto!

Calada testemunha de meu pranto,

De meus desgostos secretária antiga!

 

Pois manda Amor que a ti somente os diga,

Dá-lhes pio agasalho no teu manto;

Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto

Dorme a cruel, que a delirar me obriga.

 

E vós, oh cortesãos da escuridade,

Fantasmas vagos, mochos piadores,

Inimigos, como eu, da claridade!

 

Em bandos acudi aos meus clamores;

Quero a vossa medonha sociedade,

Quero fartar meu coração de horrores.


Reply  Message 13 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:21

 

Túmulo  de Inês  de  Castro

(Mosteiro de Alcobaça - Portugal)

 

CANTATA à MORTE DE INêS DE CASTRO 

 

 As filhas do Mondego a morte escura 

Longo tempo chorando, comemoraram

Camões, "Os Lusíadas", Canto III, est. 135


Longe do caro Esposo Inês formosa

Na margem do Mondego

As amorosas faces aljofrava

De mavioso pranto.

Os melindrosos, cndidos penhores

Do tálamo furtivo,

Os filhinhos gentis, imagem dela,

No regaço da mãe serenos gozam

O sono da inocência.

Coro subtil de alígeros Favónios
Que os ares embrandece,

Ora enlevado afaga

Com as plumas azuis o par mimoso,

Ora solto, inquieto,

Em leda travessura, em doce brinco,

Pela amante saudosa,

Pelos ternos meninos se reparte,

E com ténue murmúrio vai prender-se

Das áureas tranças nos anéis brilhantes.

Primavera louçã, quadra macia
Da ternura e das flores,

Que à bela Natureza o seio esmaltas,
Que no prazer de Amor ao mundo apuras

O prazer da existência.

 

Tu de Inês lacrimosa

As mágoas não distrais com teus encantos,

Debalde o rouxinol, cantou de amores,
Nos versos naturais os sons varia;

O límpido Mondego em vão serpeia

Coum benigno sussuro, entre boninas
De lustroso matiz, almo perfume,

Em vão se doira o Sol de luz mais viva.

Os céus de mais pureza em vão se adornam
Por divertir-te, ó Castro.

Objectos de alegria Amor enjoam,
Se Amor é desgraçado

A meiga voz dos Zéfiros, do rio,
Não te convida o sono:

Só de já fatigada
Na luta de amargosos pensamentos

Cerras, mísera, os olhos;
Mas não há para ti, para os amantes

Sono plácido e mudo;
Não dorme a fantasia,

Amor não dorme:

Ou gratas ilusões, ou negros sonhos

Assomando na ideia, espertam, rompem
O silêncio da Morte.

 

Ah!, que fausta visão de Inês se apossa!
Que cena, que espectáculo assombroso

A paixão lhe afigura aos olhos dalma!

Em marmóreo salão de altas colunas,
A sólio majestoso e rutilante

Junto ao régio amador se crê subida;

Graças de neve a púrpura lhe envolve,
Pende augusto dossel do tecto de oiro,

Rico diadema de radioso esmalte

Lhe cobre as tranças, mais formosas que ele;
Nos luzentes degraus do trono excelso

Pomposos cortesãos o orgulho acurvam;

A lisonja sagaz lhe adoça os lábios;
O monstro da política se aterra

E, se Inês perseguia, Inês adora.

Ela escuta os extremos,

Os vivas populares; vê o amante

Nos olhos estudar-lhe as leis que dita;
O prazer a transporta, amor a encanta;

Prémios, dádivas mil ao justo, ao sábio

Magnnima confere;

Rainha esquece o que sofreu vassala:

De sublimes acções orna a grandeza,
Felicita os mortais; do ceptro é digna,

Impera em corações...

 

Mas, Céus! que estrondo

O sonho encantador lhe desvanece!
Inês sobressaltada

Desperta, e de repente aos olhos turvos
Da vistosa ilusão lhe foge o quadro.

Ministros do Furor, três vis algozes,

De buídos punhais a dextra armada,
Contra a bela infeliz, bramando, avançam,

Ela grita, ela treme, ela descora;

Os frutos da ternura ao seio aperta,
Invocando a piedade, os Céus, o amante;

Mas de mármore aos ais, de bronze ao pranto,

à suave atracção da formosura,
Vós, brutos assassinos,

No peito lhe enterrais os ímpios ferros,

Cai nas sombras da morte

A vítima de Amor lavada em sangue;

As rosas, os jasmins da face amena
Para sempre desbotam;

Dos olhos se lhe some o doce lume;
E no fatal momento

Balbucia, arquejando:

"Esposo! Esposo!"
Os tristes inocentes

A triste mãe abraçam,

E soltam de agonia inútil choro.

Ao suspiro exaltado,

Final suspiro da fortuna extinta,

Os Amores acodem.

Mostra a prole de Inês, e tua, ó Vénus,

Igual consternação, e igual beleza:

Uns dos outros os cndidos meninos

Só nas asas diferem,

(Que jazem pelo campo em mil pedaços

Carcases de marfim, virotes de ouro)
Súbito voam dois do coro alado;

Este, raivoso, a demandar vingança

No tribunal de Jove,

Aquele a conduzir o infausto anúncio

Ao descuido da amante.

Nas cem tubas da Fama o grão desastreIrá pelo universo:

Hão-de chorar-te, Inês, na Hircnia os tigres,

No torrado sertão da Líbia fera

As serpes, os leões hão-de chorar-te.

Do Mondego, que atónito recua,
Do sentido Mondego as alvas filhas

Em tropel doloroso
Das urnas de cristal eis vêm surgindo;

Eis, atentas no horror do caso infando,

Terríveis maldições dos lábios vibram
Aos monstros infernais, que vão fugindo

Já croam de cipreste a malfadada,

E, arrepelando as nítidas madeixas,
Lhe urdem saudosas, lúgubres endechas

Tu, Eco, as decoraste;

E cortadas dos ais, assim ressoam
Nos côncavos penedos, que magoam:

Toldam-se os ares
Murcham-se as flores;

Morrei, Amores,

Que Inês morreu.


Mísero esposo,

Desata o pranto,

Que o teu encanto
Já não é seu.

Sua alma pura

Nos Céus encerra;

Triste da Terra,
Porque a perdeu.

Contra a cruenta

Raiva ferina,

Taça divina
Não lhe valeu.

Tem roto o seio,

Tesouro oculto;

Bárbaro insultoSe lhe atreveu.

Da dor e espanto

No carro de ouro
O númen louro

Desfaleceu.

Aves sinistras

Aqui piaram,
Lobos uivaram,

O chão tremeu.

Toldam-se os ares

Murcham-se as flores;

Morrei, Amores,

Que Inês morreu.

 

(Manuel Maria Barbosa du Bocage)


Reply  Message 14 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:21


 

                                   

Ó TREVAS
 
Ó trevas, que enlutais a Natureza,
Longos ciprestes desta selva anosa,
Mochos de voz sinistra e lamentosa,
Que dissolveis dos fados a incerteza;

Manes, surgidos da morada acesa
Onde de horror sem fim Plutão se goza,
Não aterreis esta alma dolorosa,
Que é mais triste que voz minha tristeza.

Perdi o galardão da fé mais pura,
Esperanças frustrei do amor mais terno,
A posse de celeste formosura.

Volvei, pois, sombras vãs, ao fogo eterno;
E, lamentando a minha desventura,
Movereis à piedade o mesmo Inferno.

Bocage

Reply  Message 15 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:25

 

A frouxidão

no amor é uma ofensa

(Manuel Maria  Barbosa du  Bocage)

 

A frouxidão no amor é uma ofensa,

Ofensa que se eleva a grau supremo;

Paixão requer paixão, fervor e extremo;

Com extremo e fervor se recompensa.

 

Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença!

Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;

Eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;

Em sombras a razão se me condensa.

 

Tu só tens gratidão, só tens brandura,

E antes que um coração pouco amoroso

Quisera ver-te uma alma ingrata e dura.

 

Talvez me enfadaria aspecto iroso,

Mas de teu peito a lnguida ternura

Tem-me cativo e não me faz ditoso


Reply  Message 16 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:26


 
NEGRA FERA ...
 
Negra fera, que a tudo as garras lanças,
Já murchaste, insensível a clamores,
Nas faces de Tirsália as rubras flores,
Em meu peito as viçosas esperanças.

Monstro, que nunca em teus estragos cansas,
Vê as três Graças, vê os nus Amores
Como praguejam teus cruéis furores,
Ferindo os rostos, arrancando as tranças!

Domicílio da noute, horror sagrado,
Onde jaz destruída a formosura,
Abre-te, dá lugar a um desgraçado.

Eis desço, eis cinzas palpo... Ah, Morte dura!
Ah, Tirsália! Ah, meu bem, rosto adorado!
Torna, torna a fechar-te, ó sepultura!

 Bocage
 
 


Reply  Message 17 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:27

 

Meu ser evaporei na lida insana

 

Meu ser evaporei na lida insana 

Do tropel das paixões que me arrastava, 

Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava 

Em mim, quase imortal, a essência  humana!  

 

De que inúmeros sóis a mente ufana 

A existência falaz me não doirava! 

Mais eis sucumbe a Natureza escrava  

Ao mal, que a vida em sua origem dana.  

 

Prazeres, sócios meus e meus tiranos, 

Esta alma, que sedenta em si não coube,  

No abismo vos sumiu dos desenganos.  

 

Deus... Ó Deus! Quando a morte à luz me roube, 

Ganhe um momento o que perderam anos, 

Saiba morrer o que viver não soube! 

 

(Manuel  Maria Barbosa du Bocage)  

 


Reply  Message 18 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:28

  

 IMPORTUNA RAZãO,

M M B du Bocage

Importuna Razão, não me persigas;

Cesse a ríspida voz que em vão murmura;

Se a lei de Amor, se a força da ternura

Nem domas, nem contrastas, nem mitigas;

Se acusas os mortais, e os não abrigas,

Se (conhecendo o mal) não dás a cura,

Deixa-me apreciar minha loucura,

Importuna Razão, não me persigas.

É teu fim, teu projecto encher de pejo

Esta alma, frágil vítima daquela

Que, injusta e vária, noutros laços vejo.

Queres que fuja de Marília bela,

Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo

É carpir, delirar, morrer por ela.

 


Reply  Message 19 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:28

 

     

Soneto Ditado na Agonia

Já Bocage não sou!... à cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura;

Conheço agora já quão vã figura,
Em prosa e verso fez meu louco intento:
Musa!... Tivera algum merecimento
Se um raio da razão seguisse pura.

Eu me arrependo; a língua quasi fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... a santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia, Rasga meus versos, crê na eternidade!.

 Manuel Maria Barbosa du Bocage

   

 


 
   
 

 

GOA
 
Das terras a pior tu és, ó Goa,
Tu pareces mais ermo que cidade,
Mas alojas em ti maior vaidade
Que Londres, que Paris ou que Lisboa.

A chusma de teus íncolas pregoa
Que excede o Grão Senhor na qualidade;
Tudo quer senhoria; o próprio frade
Alega, para tê-la, o jus da croa!

De timbres prenhe estás; mas oiro e prata
Em cruzes, com que dantes te benzias,
Foge a teus infanções de bolsa chata.

Oh que feliz e esplêndida serias,
Se algum fusco Merlim, que faz bagata,
Te alborcasse a pardaus as senhorias!

 Bocage

 

 

 


 
   
 


 

                                   

Ó TREVAS
 
Ó trevas, que enlutais a Natureza,
Longos ciprestes desta selva anosa,
Mochos de voz sinistra e lamentosa,
Que dissolveis dos fados a incerteza;

Manes, surgidos da morada acesa
Onde de horror sem fim Plutão se goza,
Não aterreis esta alma dolorosa,
Que é mais triste que voz minha tristeza.

Perdi o galardão da fé mais pura,
Esperanças frustrei do amor mais terno,
A posse de celeste formosura.

Volvei, pois, sombras vãs, ao fogo eterno;
E, lamentando a minha desventura,
Movereis à piedade o mesmo Inferno.

Bocage

Reply  Message 20 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:29

Fiei-me nos sorrisos da Ventura

Fiei-me nos sorrisos da Ventura,
Em mimos feminis. Como fui louco!
Vi raiar o prazer; porém tão pouco
Momentneo relmpago não dura.
 
No meio agora desta selva escura,
Dentro deste penedo húmido e oco,
Pareço, até no tom lúgubre e rouco,
Triste sombra a carpir na sepultura.
 
Que estncia para mim tão própria é esta!
Causais-me um doce e fúnebre transporte,
Áridos matos, lôbrega floresta!
 
Ah!, não me roubou tudo a negra Sorte:
Inda tenho este abrigo, inda me resta
O pranto, a queixa, a solidão e a morte.
 

Manuel Maria Barbosa du Bocage


Reply  Message 21 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:31

 

GOA
 
Das terras a pior tu és, ó Goa,
Tu pareces mais ermo que cidade,
Mas alojas em ti maior vaidade
Que Londres, que Paris ou que Lisboa.

A chusma de teus íncolas pregoa
Que excede o Grão Senhor na qualidade;
Tudo quer senhoria; o próprio frade
Alega, para tê-la, o jus da croa!

De timbres prenhe estás; mas oiro e prata
Em cruzes, com que dantes te benzias,
Foge a teus infanções de bolsa chata.

Oh que feliz e esplêndida serias,
Se algum fusco Merlim, que faz bagata,
Te alborcasse a pardaus as senhorias!

 Bocage

 

 

 


Reply  Message 22 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:33

 

     

Soneto Ditado na Agonia

Já Bocage não sou!... à cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura;

Conheço agora já quão vã figura,
Em prosa e verso fez meu louco intento:
Musa!... Tivera algum merecimento
Se um raio da razão seguisse pura.

Eu me arrependo; a língua quasi fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... a santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia, Rasga meus versos, crê na eternidade!.

 Manuel Maria Barbosa du Bocage

   

 


Reply  Message 23 of 24 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 01:34

 

Manuel Maria Barbosa du Bocage

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Manuel Maria Barbosa du Bocage

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Bocage
Bocage
Manuel Maria Barbosa du Bocage
Nascimento 15 de setembro de 1765
Setúbal
Falecimento 21 de dezembro de 1805
Lisboa
Nacionalidade Portugal Portugal
Ocupação Poeta
Escola/tradição Arcadismo, Pré-Romantismo

Manuel Maria de Barbosa lHedois du Bocage

(Setúbal, 15 de Setembro de 1765

 Lisboa, 21 de Dezembro de 1805),

 poeta português e, possivelmente, o maior representante do

arcadismo lusitano.

 Embora ícone deste movimento literário, é uma figura

inserida num período de

 transição do estilo clássico

 para o estilo romntico que terá forte

 presença na literatura portuguesa do século XIX.

Era primo em segundo grau do

zoólogo José Vicente Barbosa du Bocage.

 

Nascido em Setúbal às três horas da tarde de

15 de Setembro de 1765,

falecido em Lisboa na manhã de 21 de Dezembro de 1805,

era filho do bacharel

José Luís Soares de Barbosa, juiz de fora, ouvidor,

e depois advogado, e de

 D. Mariana Joaquina Xavier lHedois Lustoff du Bocage,

cujo pai era francês.

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Estátua de Bocage em Setúbal

Teve cinco irmãos.

O pai do poeta, José Luís Soares Barbosa, nasceu em Setúbal, em 1728.

Bacharel em Direito por Coimbra,

 foi juiz de fora em Castanheira e Povos,

 cargo que exercia durante o terramoto de 1755,

que arrasou aquelas povoações.

Em 1765, foi nomeado ouvidor em Beja.

Acusado de ter desviado

 a décima enquanto ouvidor,

possivelmente uma armadilha para o prejudicar,

 visto ser próximo de pessoas

que foram vítimas de Pombal, o pai de Bocage foi preso

para o Limoeiro em 1771,

 nunca chegando a fazer defesa das suas acusações.

Com a morte do rei D. José, em 1777, dá-se a "viradeira",

que valeu a liberdade

 ao pai do poeta, que voltou para Setúbal, onde foi advogado.

Sua mãe era segunda sobrinha da célebre poetisa francesa,

madame Marie Anne Le Page du Bocage,

 tradutora do "Paraíso" de Milton,

imitadora da "Morte de Abel", de Gessner,

e autora da tragédia "As Amazonas"

e do poema épico em dez cantos "A Columbiada",

que lhe mereceu a coroa de louros de Voltaire

e o primeiro prémio da academia de Rouen.

Apesar das numerosas biografias publicadas após a sua morte,

 boa parte da sua vida permanece um mistério.

Não se sabe que estudos fez, embora se deduza da sua obra que

estudou os clássicos e as

 mitologias grega e latina, que estudou francês e também

 latim. A identificação das mulheres

que amou é duvidosa e discutível.

A sua infncia foi infeliz. O pai foi preso ,

 quando ele tinha seis anos e

permaneceu na cadeia seis anos. A sua mãe faleceu

quando tinha dez anos.

 Possivelmente ferido por um amor não correspondido,

 assentou praça como

voluntário em 22 de Setembro de 1781

e permaneceu no Exército até 15 de Setembro de 1783.

Nessa data, foi admitido na Escola da Marinha Real,

 onde fez estudos

 regulares para guarda-marinha.

 No final do curso desertou, mas, ainda assim,

aparece nomeado guarda-marinha por D. Maria I.

Nessa altura, já a sua fama de poeta e versejador

 corria por Lisboa.

Em 14 de Abril de 1786, embarcou como oficial de marinha

 para a Índia, na nau “Nossa Senhora da Vida,

Santo António e Madalena”, que chegou ao Rio de Janeiro

 em finais de Junho.

Na cidade, viveu na actual Rua Teófilo Otoni,

e diz o "Dicionário de Curiosidades do Rio de Janeiro"

de A. Campos - Da Costa e Silva, pg 48, que

"gostou tanto da cidade que, pretendendo permanecer

 definitivamente, dedicou ao vice-rei uma poesia-canção

cheia de bajulações,

visando atingir seus objectivos. Sendo porém o vice-rei

avesso a elogios,

 fê-lo prosseguir viagem para as Índias".

Fez escala na Ilha de Moçambique (início de Setembro)

e chegou à Índia em 28 de Outubro de 1786.

 Em Pangim, frequentou de novo

estudos regulares de oficial de marinha.

Foi depois colocado em

 Damão, mas desertou em 1789, embarcando para Macau.

Foi preso pela inquisição,

e na cadeia traduziu poetas franceses  e latinos.

A década seguinte é a da sua maior produção literária

 e também o período de maior boémia

e vida de aventuras.

Ainda em 1790 foi convidado e aderiu à

 Academia das Belas Letras

ou Nova Arcádia, onde adoptou o pseudónimo Elmano Sadino.

Mas passado pouco tempo escrevia já ferozes sátiras

 contra os confrades.

Em 1791, foi publicada a 1.ª edição das “Rimas”.

tão Lisboa o Intendente da Polícia Pina Manique

que decidiu pôr ordem na cidade, tendo em 7 de Agosto de 1797

 dado ordem de prisão a Bocage

 por ser “desordenado nos costumes”.

 Ficou preso no Limoeiro

até 14 de Novembro de 1797, tendo depois dado

entrada no calabouço da Inquisição,

no Rossio. Aí ficou até 17 de Fevereiro de 1798,

 tendo ido depois para o Real Hospício das Necessidades,

dirigido pelos Padres Oratorianos de São Filipe Neri,

depois de uma breve passagem pelo Convento dos Beneditinos.

Durante este longo período de detenção,

Bocage mudou o seu comportamento e começou a trabalhar

seriamente como redactor e tradutor.

Só saiu em liberdade no último dia de 1798.

De 1799 a 1801 trabalhou sobretudo com

 Frei José Mariano da Conceição Veloso, um frade brasileiro,

 politicamente bem situado e nas boas graças de Pina Manique,

que lhe deu muitos trabalhos para traduzir.

A partir de 1801, até à morte por aneurisma,

viveu em casa por ele arrendada no Bairro Alto,

naquela que é hoje o n.º 25 da travessa André Valente.

A 15 de Setembro, data de nascimento do poeta,

é feriado municipal em Setúbal.

 


Reply  Message 24 of 24 on the subject 
From: LIFE Sent: 20/12/2009 11:33



«« Ode à Liberdade »»

Bocage ( Manuel Maria Barbosa du Bocage )

"Sanhudo, inexorável Despotismo
Monstro que em pranto, em sangue a fúria cevas,
Que em mil quadros horríficos te enlevas,
Obra da Iniquidade e do Ateísmo:

Assanhas o danado Fanatismo,
Porque te escore o trono onde te enlevas;
Por que o sol da Verdade envolva em trevas
E sepulte a Razão num denso abismo.

Da sagrada Virtude o colo pisas,
E aos satélites vis da prepotência
De crimes infernais o plano gizas,

Mas, apesar da bárbara insolência,
Reinas só no ext'rior, não tiranizas
Do livre coração a independência."


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