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ARTE E HISTÓRIA NA PALAVRA E NA IMAGEM.: GRANDES BIBLIOTECAS
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From: Dominique  (Original message) Sent: 24/04/2010 23:53
Arquitetura – Real Gabinete Português de Leitura (1887).
As grandes bibliotecas são lugares apaixonantes. Sempre olhei as prateleiras cheias e coloridas com um misto de respeito e encantamento. Em primeiro lugar, formam um cenário lindo, do qual ninguém se cansa. E depois, a curiosidade, o mistério...

O que será que aqueles tesouros encerram? Que histórias, amores, casos, pessoas, lugares, cidades, paisagens? É fascinante sentar, em silêncio, e olhar essa fieira de amigos silenciosos, e à nossa disposição, que estão ali para nos encantar e instruir.

Vamos, pois, nesta semana, falar das obras-primas que conservam obras-primas. É uma doce viagem por lindas e históricas bibliotecas. Na verdade, é um passeio por porta-jóias que são verdadeiras jóias. Não começo pela mais antiga, nem pela mais rica, nem pela guardiã dos maiores acervos. Mas prometo que daqui sigo viagem.

Começo pela que sempre figura entre as mais importantes do mundo, em beleza e riqueza do acervo, e que fica no Rio, muito perto do coração desta cidade, atrás do histórico Largo de São Francisco, ao pé da Praça Tiradentes e a dois passos das ruas do Ouvidor e Gonçalves Dias, por onde andaram Machado, Lima Barreto, Bilac, Nabuco, João do Rio, e outras figuras de nossa herança cultural. Aliás, todos frequentadores do belíssimo Real Gabinete.

A instituição foi fundada em 1837 e em 1880 a sede original já era pequena para o grande acervo acumulado. Basta dizer que a biblioteca, em 1860, contava com cerca de 33.000 volumes e, vinte anos depois, rondava os cinqüenta mil exemplares.

Inaugurada em 1887, a fachada da nova sede, inspirada no Mosteiro dos Jerônimos, em pedra de lioz trazida de Lisboa, tem quatro estátuas, a saber: Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, Infante D. Henrique e Vasco da Gama, e nos medalhões, os escritores Fernão Lopes, Gil Vicente, Alexandre Herculano e Almeida Garrett.

O interior também é em estilo neomanuelino nas portadas, nas estantes de madeira e nos monumentos comemorativos. Aberta ao público desde 1900, a biblioteca do Real Gabinete possui a maior coleção de obras portuguesas fora de Portugal. Com cerca de 350.000 volumes, possui obras raras como um exemplar da edição "princeps" de “Os Lusíadas” (1572); “As Ordenações de D. Manuel” (1521); os “Capitolos de Cortes e Leys que sobre alguns delles fizeram” (1539); a “Verdadeira informaçam das terras do Preste Joam, segundo vio e escreveo ho padre Francisco Alvarez” (1540); um manuscrito da comédia "Tu, só tu, puro amor", de Machado de Assis, e muitas outras.

Quem vier ao Rio e não for lá, sinto muito, foi ao ar e perdeu o lugar.

Rio de Janeiro, RJ.
 
Bibliotecas - Libraria Domini (1452).
Não vou falar das bibliotecas privadas e pessoais do mundo helênico ou de Roma. Nem sequer das bibliotecas públicas surgidas no Império Romano. Seria impossível em espaço tão curto. Menciono apenas que no século VI, já quase ao final do Classicismo, as duas maiores bibliotecas guardiãs de pergaminhos eram as de Constantinopla e de Alexandria, ambas banhadas pelo Mediterrneo, sem dúvida o berço de nossa civilização.

A primeira biblioteca pública no continente europeu, isto é, a primeira a pertencer à comunidade e estar aberta a qualquer pessoa que ali quisesse estudar, foi a “Libraria Domini”, também conhecida como Biblioteca Malatestina, que fica em Cesena, Itália. Criada pouco antes da invenção da Imprensa, ela encarna o próprio espírito de uma biblioteca humanista.

Malatesta Novello, senhor de Cesena, decidiu deixar sua biblioteca como legado à sua cidade, para ser instalada no Convento de São Francisco, que ele ampliou para transformar numa sede digna de sua coleção de manuscritos e códices.

A “Libraria Domini” foi terminada de construir em 1452, e é o único exemplo de biblioteca medieval cuja estrutura, mobiliário e acervo ainda subsistem.

Seu interior, típico da arquitetura italiana daquele tempo, é dividido em três naves demarcadas por fieiras de colunas em pedra branca original de Cesena. A nave central termina num vitral em forma de roseta sob o qual fica o túmulo de Malatesta. Quando ele faleceu, em 1465, foi enterrado no convento. Foi só quando seus restos mortais foram trasladados para a biblioteca que essa deixou de ser chamada de “Libraria Sancti Francisci” para receber o nome de "Libraria Domini".


A magnífica porta em nogueira trabalhada é de 1454; o mobiliário consta de 58 escrivaninhas, com brasões esculpidos nas laterais; a luz entra por 44 janelas em estilo veneziano, perfeitamente adaptadas para a leitura.
O acervo consta de 340 manuscritos e 48 códices relacionados à religião, clássicos latinos e gregos, tratados de ciências e medicina. Entre esses, parte do mais antigo dos códices, o “Etymologiarum Libri XX”, de Santo Isidoro (560-636 d.C), que versa sobre os mais variados assuntos. Como o nome indica, no total ele escreveu 20 códices; por essa obra ser considerada um verdadeiro banco de dados, Santo Isidoro é chamado de padroeiro dos bons usuários da Internet.

O grande mérito de Malatesta Novello, além da doação de seu tesouro à comunidade, lavrada em testamento feito em Veneza, foi a dotação de 100 ducados ao ano para a aquisição de novos livros e para outras despesas; a instituição, desde 1455, de bolsas de estudo para jovens de fora da cidade; e 30 ducados por ano para o professor encarregado de supervisionar os trabalhos.

Cesena, Emilia-Romagna, Itália.
 
Arquitetura – Biblioteca Bodleian (1602).

A biblioteca da Universidade de Oxford, uma das mais antigas da Europa, na Inglaterra só perde em tamanho para a famosa British Library. Seu nome é Bodleian Library, mas o mundo acadêmico de Oxford a chama de Bodley ou simplesmente pelo apelido, “the Bod”.

É uma das seis bibliotecas inglesas encarregadas do depósito legal de obras publicadas no Reino Unido e sob a Lei Irlandesa lhe é permitido requisitar uma cópia de todos os livros publicados na República da Irlanda. A Bodleian é uma biblioteca de referência e pesquisa e seus documentos não podem ser removidos das salas de leitura.


Ela é composta por um grupo de cinco prédios nas proximidades da Broad Street: vão do mais antigo, que data da Idade Média tardia, conhecido como Biblioteca do Duque Humphrey, ao mais moderno, a Nova Bodleian, de 1930. Um dos mais lindos é o Radcliffe (imagem menor). Além desses, fazem parte do conjunto cerca de 30 unidades que respondem pelo funcionamento do grupo, entre bibliotecas de faculdades e departamentos.
No século XIV o bispo de Worcester criou uma biblioteca situada na Igreja de Saint Mary Virgin, na principal rua de Oxford, a High Street. A coleção crescia muito, mas foi entre 1435 e 1437, quando Humphrey, Duque de Gloucester, lhe fez a doação de sua grande coleção de manuscritos que o espaço finalmente foi oficialmente considerado insuficiente e a necessidade de um novo prédio ficou aparente. Em 1488 foi inaugurado um imenso salão em cima da Escola de Teologia. Até hoje esse salão é conhecido como Biblioteca do Duque Humphrey (imagem maior).

No século XVII, Thomas Bodley ofereceu ao vice-chanceler da Universidade a reforma da Biblioteca original e a construção de um novo prédio, que ficou pronto em 1602 e recebeu o nome de seu mecenas, além de herdar sua grandiosa biblioteca particular. E foi quando a Bodleian passou a ser uma biblioteca aberta a todos os membros da comunidade acadêmica.

Seus números são impressionantes: o grupo Bodleian cuida de mais de 11 milhões de itens em 188 quilômetros de prateleiras e tem uma equipe de mais de 400 funcionários. Seu contínuo crescimento fez com que cerca de 1 milhão e meio de itens fossem armazenados em depósitos fora de Oxford, inclusive numa mina de sal desativada, no Cheshire.

O acervo é muito rico: manuscritos valiosíssimos; códices cuja importncia é desnecessário enfatizar, bastando citar o mais antigo manuscrito dos quatro Evangelhos, em cóptico, antigo idioma egípcio; a Bíblia de Gutemberg, de ca.1455, uma das únicas cópias completas que ainda existem; um primeiro in-fólio de Shakespeare, de 1623 e muitas outras raridades.

Universidade de Oxford, Oxford, Inglaterra.
 
Arquitetura – Biblioteca do Trinity College (séculos 16 a 18).

A Universidade da Irlanda, mais conhecida como Trinity College, foi fundada em 1592 por Elizabeth I. Mantida pela cidade de Dublin, Trinity era para ser uma das academias de Ensino Superior da instituição, mas como nenhuma outra foi estabelecida, os dois nomes acabaram por definir a mesma coisa.

De início só eram admitidos alunos anglicanos para os cursos de graduação, mestrado, doutorado, para as congregações de docentes e para a obtenção de bolsas, mas em 1873 todas as exigências religiosas foram eliminadas.

É de sua belíssima e muito importante biblioteca que falaremos hoje. Guardiã de iluminuras, manuscritos, códices, in-folios e livros que são parte importante da herança ocidental, ela hoje contém 5 milhões de volumes impressos, inclusive uma impressionante coleção de jornais, mapas, partituras que nos ajudam a percorrer mais de 500 anos do desenvolvimento acadêmico europeu.

O prédio original, conhecido como Biblioteca Antiga, localizado no coração de Dublin, leva os visitantes de volta ao século XVIII, quando a maravilhosa edificação estava sendo erguida.


O salão principal, chamado de Long Room, com quase 65 metros de comprimento, guarda os mais antigos livros do acervo da biblioteca, cerca de 200.000. Quando foi construído, entre 1712 e 1732, as prateleiras ocupavam o andar térreo apenas. Em 1850 essas prateleiras estavam completamente tomadas e em 1860 o telhado foi levantado para permitir a construção de um teto abobadado e de uma galeria com mais prateleiras.
Ao longo do salão, estão os bustos de mármore que são uma das características da biblioteca. Coleção iniciada em 1743, inclui bustos de filósofos, escritores ocidentais e de personalidades de algum modo ligadas ao Trinity College, sendo que o mais valioso é o de Jonathan Swift, feito pelo escultor Louis François Roubiliac. Outros tesouros incluem uma das poucas cópias de Proclamação da República da Irlanda, de 1916 e uma harpa irlandesa que é a mais antiga de seu tempo, provavelmente do século XV, feita em carvalho e salgueiro, com 29 cordas. Essa harpa foi o modelo para o emblema da Irlanda.

Mas sua maior riqueza é o Livro de Kells (em inglês: Book of Kells; em irlandês: Leabhar Cheanannais), também conhecido como Grande Evangeliário de São Columba, um manuscrito ilustrado com motivos ornamentais, feito por monges celtas por volta do ano 800 a.C, no estilo conhecido por arte insular.

Peça principal do cristianismo irlandês, constitui, apesar de não ter sido concluído, um dos mais suntuosos manuscritos iluminados que restaram da Idade Média. Em razão da sua grande beleza e da excelente técnica do seu acabamento, este manuscrito é considerado por muitos especialistas como um dos mais importantes vestígios da arte religiosa medieval. Escrito em latim, o Livro de Kells contém os quatro Evangelhos do Novo Testamento, além de notas preliminares e explicativas, e numerosas ilustrações e iluminuras coloridas.

Assim como a Bodleian de Oxford, a biblioteca do Trinity College também tem direito ao depósito legal desde 1801 e continua a receber cópias de todo material impresso no Reino Unido e na Irlanda. Apesar de instituição secular, a biblioteca emprega métodos modernos para facilitar a pesquisa, o aprendizado e o ensino.

Dublin, Irlanda.
 
Arquitetura – Biblioteca do Convento de Mafra (1711).
Dom João V fez o voto de construir um convento, voto que cumpriu em 1711, ao mandar erguer, na Vila de Mafra, o convento dedicado a Nossa Senhora e a Santo Antonio, para ser entregue à Ordem dos Frades Arrábidos. O edifício ficou pronto em 1730. O convento, originalmente, estava destinado a abrigar 13 frades, mas ao longo dos anos cresceu e tornou-se um palácio-mosteiro com capacidade para 300 monges.

Conhecido como o Palácio Nacional de Mafra, sua construção, com exceção da bela pedra branca de Lioz, típica de Portugal, foi quase toda feita com material importado da Itália, Holanda, França, Antuérpia e Brasil. Daqui foram todas as madeiras utilizadas e o ouro que pagou por todo o resto.

Todo o palácio é belíssimo. Chamam a atenção a Basílica e seu carrilhão com um total de 92 sinos que pesam mais de 200 toneladas e são considerados os maiores e melhores do mundo; as dependências para abrigar os doentes, sobretudo os que sofriam de doenças mentais; as escadarias; a proporção de seus ambientes; e o lavrado das pedras, realmente primoroso.

Mas o maior tesouro de Mafra é sua biblioteca que, juntamente com a biblioteca de Coimbra, representam o que de mais belo há nesse tipo de arquitetura em Portugal. As prateleiras, feitas em madeira brasileira, medem, ao todo, 83 metros de extensão. Entalhadas em estilo rococó, as estantes abrigam mais de 40 mil obras; entre elas vemos verdadeiras raridades bibliográficas, como incunábulos. Todas encadernadas em couro marroquino gravado a ouro, são prova viva de que as bibliotecas antigas são porta-jóias que guardam jóias.

A sala imensa, com 88 m de comprimento, 9,5m de largura e 13m de altura, recebe iluminação natural que até hoje impressiona pela perfeição com que a luz do dia foi aproveitada, invadindo o salão e iluminando o piso principal e a galeria, através de enormes janelas que além de funcionais, são muito belas.

A biblioteca tem planta em cruz; na parte mais a sul, ficam os livros religiosos. No centro, encontramos os livros sobre os quais a inquisição tinha reservas, que vão da filosofia à anatomia, e entre eles uma relíquia: o manuscrito do “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente.

Na parte a norte da cruz, perto da entrada, estão os livros de arquitetura, direito, medicina e música. Há manuscritos religiosos ainda em pergaminho e uma primeira edição de “Os Lusíadas”, de 1572.

Mafra, Portugal.
 
Arquitetura – Biblioteca Joanina (1728).
O Conde Athanasius Raczinsky, embaixador da Prússia em Lisboa, homem muito culto e colecionador de raridades bibliográficas que guardava em seus palácios, um dos quais viria a ser o célebre Reichstag de Berlim, foi um dos mais conceituados críticos de arte do século XIX. Em suas notas sobre o tempo que viveu em Portugal e as obras de arte que lá encontrou, deixou registrado sobre a Biblioteca Joanina: "la bibliothèque la plus richement ornée que j'aie jamais visitée".

Não há exagero algum nas palavras do conde. É uma jóia magnífica da qual a Universidade de Coimbra muito se orgulha e da qual cuida com enorme carinho.

Seu início foi semelhante ao de outras bibliotecas universitárias. No século XV, sua sede era em Lisboa. Enviada para o Paço Real de Coimbra, onde o então chamado Estudo iria se instalar, ocupa a sala do guarda-roupa, vizinha à Sala Grande (hoje Sala dos Capelos), passa a ser chamada de Casa do Livro e é confirmada como biblioteca pública. O que não dura muito: com a Reforma Católica do Concílio de Trento, a biblioteca deixa de ser pública, apesar dos sucessivos estatutos assim insistirem.

Durante muito tempo, as livrarias importantes eram as dos colégios universitários, como o da Companhia de Jesus ou o de São Pedro, onde os autores e pesquisadores estudavam e se alojavam.


Foi só no final do século XVII, com a criação dos chamados Gerais Universitários, que a existência da biblioteca de Coimbra seria consagrada. Mas era preciso reformar e ampliar a sala onde se encontrava, em um palácio já com 700 anos! Os livros foram então recolhidos ao segundo andar, à espera do término das obras e nisso se passaram muitos anos até que, em 1716, o reitor se dirige ao rei D. João V e lhe faz ver que ao contrário do que os Estatutos da Universidade rezavam, Coimbra não tinha uma sala à altura do acervo acumulado. Obtida a autorização do rei, foi nesse ano que começou a construção dessa que é, sob todos os aspectos, uma das mais importantes bibliotecas do mundo.
Em seu acervo encontram-se “A Bíblia Latina de 48 linhas”, editada em 1462; o “Livro das Horas”, manuscrito com iluminuras, de meados do século XV; “Mensagem”, único livro de Fernando Pessoa a ser editado em vida do poeta, em1934 (o exemplar é conservado na brochura original e tem dedicatória manuscrita do Autor); “Paesi novamente retrovatti”, organizado por Francesco de Montalboddo, impresso em 1507, compila relatos de viagens de descoberta (ou redescoberta) empreendidas por portugueses, espanhóis e italianos. Trata-se da primeira vez que se editou em italiano a terceira viagem de Américo Vespúcio. Inclui um dos primeiros relatos publicados sobre a viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil. Essa uma das razões do seu sucesso e da sua quase imediata tradução para latim e alemão.

Universidade de Coimbra, Portugal.
 
 
Arquitetura - San Lorenzo de El Escorial (1584).
O Monastério de San Lorenzo de El Escorial é, sem dúvida nenhuma, uma das edificações renascentistas de maior beleza arquitetônica em todo o mundo. A 50 km de Madrid, ao pé do Monte Abantos, na Serra de Guadarrama, e a 1028m de altitude, quando nos aproximamos, impressiona aquele gigante num local que devia ser ermo à época de sua construção. Ocupa uma área de 33.327m²!

Idealizado por Felipe II na segunda metade do século XVI como um grande complexo monacal e palaciano, desde o fim do século em que nasceu já era considerado a oitava maravilha do mundo. O que lhe deu essa fama não foram apenas sua beleza e tamanho, mas seu valor como símbolo e guardião da História da Espanha. El Escorial é a cristalização dos sonhos e da determinação de seu criador, um verdadeiro príncipe renascentista.

A construção foi iniciada em 23 de abril de 1563 e completada em 13 de setembro de 1584. Lá dentro estão magníficos exemplos de todas as Artes Plásticas ornando a belíssima Basílica, os salões e as escadarias do palácio, a Cripta dos reis espanhóis, as salas capitulares do Mosteiro e, nesta II Semana de Grandes Bibliotecas, o detalhe que nos interessa mais de perto, a Real Biblioteca de San Lorenzo de El Escorial

Felipe II doou sua coleção particular de valiosos códices para essa estupenda biblioteca; além disso, ele adquiriu bibliotecas completas, estrangeiras e espanholas, o que fez com que seu acervo seja, até hoje, dos mais respeitados entre os pesquisadores e bibliófilos. Numa nave de 54 m de comprimento, 9m de largura e 10 m de altura, estão abrigados 40.000 volumes de altíssimo valor histórico.

Pelo conteúdo de mapas, cartas, crônicas, verdadeiros tratados antropológicos e etnográficos relacionados ao estudo das culturas indígenas da América espanhola, a Real Biblioteca é um verdadeiro tesouro, não tanto pela quantidade como pela qualidade dos documentos chamados “Americanistas”. Por ter sido a biblioteca real durante os reinados dos Habsburgos aos Bourbons, ela conserva peças de valor excepcional, sempre sob os cuidados dos monges agostinianos, a quem o Mosteiro foi entregue por Felipe II.


O piso é todo em mármore; os globos e a esfera armilar são peças que foram usadas para o estudo das viagens de descoberta a serem feitas e para o relato das viagens já empreendidas. A esfera armilar é de madeira, datada de 1536, e foi feita em Florença por Antonio Santucci. As cinco mesas retangulares, em mármore, são do século XVII.
 
.Seu teto em forma de abóboda está decorado com afrescos que representam as sete artes liberais, i.e., Retórica, Dialética, Música, Gramática, Aritmética, Geometria e Astrologia.

No portal de entrada, uma inscrição ameaça com a pena da excomunhão todo aquele que retirar um livro ou um objeto da sala. Nas estantes vemos miniaturas do século XIII, encadernações em couro gravadas a ouro, assim como incunábulos de valor literalmente incalculável. Há mil manuscritos em árabe, dois mil e novecentos em latim e línguas vernaculares, setenta e dois em hebreu e quinhentos e oitenta em grego.

San Lorenzo de El Escorial, Espanha.









 


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Reply  Message 2 of 2 on the subject 
From: Dominique Sent: 24/04/2010 23:57
Arquitetura – Biblioteca da Abadia de Melk (século XII)
A Abadia de Melk, ou Convento Melk, é uma das mais célebres entre as escolas monásticas. Fundada em 1089 quando Leopoldo II de Babenberg, família que dominava aquela região até a ascensão dos Habsburgos, doou um de seus castelos aos monges beneditinos da Abadia de Lambach.

No século XII os monges criaram ali uma escola e a partir desse momento a biblioteca ficou muito conhecida pela sua imensa coleção de manuscritos. Em seu “scriptorium” foram copiados centenas de manuscritos com iluminuras preciosas. No século XV a abadia tornou-se o centro da Reforma Melk, movimento que revigorou a vida monástica na Áustria e no sul da Alemanha.

Os dois legados mais impressionantes dessa construção barroca são a Igreja com seus belíssimos afrescos e a Biblioteca, que guarda incontáveis manuscritos, incluindo uma admirável coleção de partituras. Devido à sua fama Melk conseguiu escapar da dissolução por várias vezes; apesar de invadida e agredida, acabou sempre por resistir. Do reinado de José II, passando pelas invasões napoleônicas até o surgimento do nazismo, quando a escola e a abadia foram confiscadas pelo estado, Melk sofreu mas resistiu. Aos ditadores não agradam as bibliotecas...

Aos apaixonados por livros, extasia a coleção de livros históricos que preenchem a biblioteca. Ao entrar no salão, aquelas prateleiras que vão até o teto, ocupadas por encadernações deslumbrantes, são de tirar o fôlego. Toda a decoração da biblioteca acompanha os tons dourados do couro trabalhado em ouro: todo o ambiente resplandece.

O valor artístico de sua decoração mostra o apreço que os monges tinham pela biblioteca. No teto os afrescos de Paul Troger (1731/32) fazem um retrato alegórico da Fé. Ela está no centro, cercada pelas quatro virtudes cardeais: Sabedoria, Justiça, Coragem e Moderação. As quatro esculturas em madeira são representações das quatro faculdades: Teologia, Filosofia, Medicina e Direito.

Ao todo são doze salas que guardam cerca de 1800 manuscritos, 750 incunabula, 1700 livros do século XVI, 4500 do século XVII e 18000 do século XVIII. Juntando com os livros modernos, são cerca de 100.000 volumes.

Sua influência e reputação como centro de aprendizado e cultura estão bem descritas por Umberto Eco em seu admirável “O Nome da Rosa”. Eco pesquisou sua novela na biblioteca de Melk. A um de seus personagens, de fato o narrador da história, ele deu o nome de Adso von Melk, como um tributo à abadia e à sua famosa biblioteca.

Melk, Vale de Wachau, Áustria.
Arquitetura – Biblioteca Strahov (século XII).
O convento dos Premonstratenses (ordem religiosa fundada por São Norberto no ano 1120 d.C. em Prémontré, França) do qual faz parte a Biblioteca Strahov, foi criado em Praga, em 1143, pelo Bispo de Olomuc com apoio do arcebispado de Praga e do Príncipe da Bohemia (depois Rei) Vladislav e sua mulher Gertrude. A origem do acervo da biblioteca data da fundação do mosteiro.

A história do Monastério de Strahov e sua Biblioteca é muito longa e muito rica em episódios e não tenho aqui espaço para tanto. Vamos falar Biblioteca e de suas duas Salas, a Teológica e a Filosófica. São obras-primas do barroco e seu acervo é invejável sob todos os aspectos. Infelizmente, hoje em dia não podemos entrar e admirar essas magníficas salas: o visitante fica atrás de uma corda vermelha, o que não impede que veja os belíssimos tetos, as estantes recheadas de livros e os demais objetos que adornam o ambiente.

O teto da Sala Teológica é coberto por afrescos que descrevem passagens da Bíblia, sobretudo o Livro dos Provérbios. O trabalho em estuque que emoldura os afrescos é fantástico., No lado esquerdo do salão está uma imagem em madeira de São João Evangelista, exemplo do gótico tardio. Do lado direito a “roda da compilação”, encomendada pala biblioteca em 1678 e usada para compilar textos: o escriba distribuía os textos das várias fontes que usava nas prateleiras que giravam conforme sua necessidade e sem deixar que os livros escorregassem. São notáveis também os globos terrestres dos dois lados da sala.


No final do século XVIII, foi decido que a biblioteca necessitava de mais espaço e criaram a Sala Filosófica. O espantoso tamanho da sala (comprimento 32m, largura 22m e altura 14 m) é perfeito para o imenso afresco em seu teto, feito pelo pintor vienense Anton Maulbertsch que em 1794 levou seis meses para pintá-lo, com o auxílio de um único assistente. O tema é “O Progresso Intelectual da Humanidade”: de um lado figuras como Moisés, a Arca da Aliança, Adão, Eva, Caim e Abel, Noé, Salomão e David. De outro, o desenvolvimento da civilização grega até Alexandre, O Grande pintado ao lado de seu mestre Aristóteles.

Numa das extremidades a ciência é retratada nas figuras de Esculápio, Pitágoras e Sócrates na cadeia. Na outra, cenas do Novo Testamento tendo como figura principal São Paulo pregando diante do monumento a um deus desconhecido no Areópago de Atenas.

Sobre os portões em ferro forjado que levam ao espaço que une as duas salas está escrito: Initium Sapientiae Timor Domini (O começo da sabedoria é o temor a Deus)., No acervo de mais de 200.000 volumes, a maioria impressa entre 1501 e 1800 há, além de livros sobre teologia e filosofia, tratados de astronomia, matemática, história, filologia, etc. Entre esses, a primeira edição da Enciclopédia coordenada por Diderot e d’ Alembert, o que prova a mentalidade liberal desses monges. A coleção de manuscritos, mais de 1500, por seu imenso valor, é guardada numa sala especial.




 
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