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ARTE E HISTÓRIA NA PALAVRA E NA IMAGEM.: OBRAS PRIMAS - CASTELOS E FORTALEZAS
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Reply  Message 1 of 7 on the subject 
From: Dominique  (Original message) Sent: 24/04/2010 21:36
Castelos, fortes, cidades muradas, torres de vigia… A Espanha e Portugal estão polvilhadas por essas construções e estruturas medievais e militares.

A queda do Império Romano seguida por séculos de hostilidades, invasões de visigodos e suevos; mouros ocupando a península, com muita tensão e disputas entre seus reinos e principados; invasão de fundamentalistas vindos do Norte da África; litígios, roubos de rebanhos, tomada e apropriação de terras entre os senhores da guerra cristãos que lutavam contra os mouros mas também entre si – mais ou menos uns mil anos de conflitos que deixaram sua marca na paisagem da Península Ibérica.

Um dos mais expressivos exemplos dessa época está na cidade de Medina del Campo, Valladolid, Espanha. É o Castelo de La Mota que recebeu esse nome por ter sido erguido no alto da colina, a mota, de onde dominava toda a região que o cerca.

Sua construção foi iniciada em 1080, mas o que restou dessa estrutura é o miolo do castelo. Os reis de Castela e Aragão, por muito tempo envolvidos em disputas, se alternaram como proprietários e às vezes a cidade de Medina del Campo e seu castelo estiveram em campos opostos. Foi só depois da batalha de Olmedo, em 1445, que La Mota passou a pertencer definitivamente aos reis de Castela. Data desse período a construção do castelo e suas muralhas externas tal como o conhecemos hoje.

Em 1460, Henrique IV de Castela construiu a torre central. Em 1464, ele doou o castelo ao Arcebispo de Toledo, Afonso Carrillo, que logo em seguida traiu o rei, apoiando as pretensões de Afonso V de Portugal. Quando morreu o rei de Castela, a luta foi entre sua meia irmã e sucessora, Isabel, e a filha ilegítima do rei português.

Após anos de brigas e traições, finalmente a Coroa de Castela retomou o castelo e em 1483 o transformou em um bastião de artilharia, cavando o fosso que o tornava inexpugnável. Em cima do portão de entrada os símbolos heráldicos dos Reis Católicos, Isabel e Fernando. La Mota de Medina del Campo foi uma das residências favoritas da Rainha Isabel, que ali faleceu.


Todo em tijolos feitos com o barro da região onde se ergue, La Mota só utiliza poucas pedras, apenas para reforçar alguns detalhes. É construção impressionante pelo tamanho e pela imponência.

La Mota também foi prisão importante e abrigou em suas dependências prisioneiros dos reis tais como Hernando Pizarro, Rodrigo Calderón, e Cesar Borgia, entre outros. Desse último conta-se que escapou de uma altura de quase 40 metros descendo com a ajuda de uma corda.

Medina del Campo, Valladolid..
 
Engenharia – Castelo de Olite (século XIII/XIV).
 
Hoje vamos falar do Castelo de Olite - Palácio dos Reyes de Navarra, residência real de Navarra construída entre os séculos XIII e XVII, em Olite.

Erguido inicialmente como fortaleza militar, o castelo de Olite foi transformado em palácio real, a função de residência ultrapassando sua função militar. Seu estilo meio confuso, mas sem dúvida nenhuma gótico, deriva do desenvolvimento muito lento das reformas que sofreu. Nenhuma dessas obras foi feita durante um só reinado e, portanto, Olite passou pelas transformações que o rei da ocasião julgava necessárias. No entanto, as principais modificações aconteceram durante o reinado de Carlos III, o Nobre, no século XV. Foi esse rei quem decidiu que Olite passasse a ser a principal residência real de Navarra e quem determinou que fosse decorado de acordo com esse objetivo. Acrescentou jardins, muros altos guarnecidos com torres, e vários fossos. Foi por essa época que o antigo Castelo e o Palácio Real ficaram bem distintos um do outro.

Após a Reconquista, i.e, quando os cristãos expulsaram os mouros da Espanha, os Reis Católicos Ferdinando e Isabela, temendo revoltas entre os nobres da região, especialmente naquelas terras recém reconquistadas, ordenaram que todos os castelos do reino fossem desmantelados, esse sendo o principal motivo pelo qual os castelos da Espanha ficaram no estado lastimável em que a maioria ainda está. Olite foi abandonado e Navarra passou a ser governado por um vice-rei a partir de Pamplona, em nome dos reis de Castela. Sofreu mais ainda durante a invasão francesa, pois para evitar que Napoleão ali se instalasse com seu exército, o que dificultaria ainda mais sua expulsão, o palácio foi incendiado e muito da decoração interna se perdeu, assim como parte de sua estrutura foi danificada.

Sua restauração teve início no início do século XX. Apesar de muito do seu esplendor ser irrecuperável, a estrutura original, a maçonaria e os jardins suspensos da Rainha de Navarra foram plenamente recuperados. Considerado um dos mais importantes em seu gênero, a transbordante fantasia dos diversos construtores do Castelo de Olite ainda tem o mesmo encanto que nos tempos em que era habitado pelos reis de Navarra.

Olite, Navarra.
 
Arquitetura - Monastério de Roussanou.
 
Há pouco mais de seiscentos anos, um monge da península do Monte Athos fundou na planície da Tessália um mosteiro. O rochedo de arenito natural sobre o qual ele ergueu seu retiro ortodoxo passou a ser conhecido por “meteoros” que, em grego, significa “suspenso no ar” ou “colunas do céu”. Durante os séculos posteriores, foram edificados nesta região da Grécia mais de vinte mosteiros, dos quais cinco ainda são habitados. São conhecidos como Meteora, os Mosteiros Suspensos, e estão no alto de rochedos que vão de 549 metros a 395 metros de altura.

Quando Anastásio, no século XIV, reuniu um pequeno grupo de monges no Mosteiro da Transfiguração - também conhecido como Megalo Meteoron ou Metamorfosis -, por ali já havia um grande número de grutas transformadas em celas habitadas por anacoretas.

Um dos períodos mais negros da história da Grécia foi a queda do Império Bizantino. E foi durante a ocupação otomana que se seguiu, de cerca de quatrocentos anos, que a quase inexpugnabilidade dos rochedos de Meteora representou um fator adicional para a construção de vários mosteiros nesses locais ideais para fortalezas. O Mosteiro da Transfiguração é um bom exemplo: o monge Anastásio escolheu um gigantesco penedo até então conhecido por “Platis Lythos” (“rocha grande”), com quase seiscentos metros de altitude. As preocupações com a defesa eram tão importantes quanto a proximidade com o céu, determinante para a vida espiritual de quem para ali fosse viver.

Até o séc. XVII, os cinco que hoje ainda funcionam como mosteiros, incluindo os de Roussanou e Ágios Stefanos (Santo Estêvão), habitados por comunidades de monjas, já estavam em pleno funcionamento.

O conjunto de Meteora foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. É, na verdade, uma herança cultural que não se pode perder. Pelas fotos do Mosteiro de Roussanou, apresentada hoje, e pelo de Agia Tríade, que mostraremos amanhã, fica fácil estimar a grandeza de sua arquitetura e o talento dos artesãos que construíram essa seis obras-primas: Varlaam, Ágios Stefanos, São Nicolau Anapausas, e os já mencionados Megalon Meteoron, Ágia Tríade e Roussanou, todos pertencentes à Igreja Ortodoxa Grega, como foi fácil depreender.

Kalambaka, Planície da Tessália, Grécia.
 
Arquitetura - Monastério de Agia Tríade.
 
 
Um dos seis monastérios do conjunto conhecido como Meteora, os Mosteiros Suspensos, Ágia Tríade ou Santíssima Trindade, foi talhado no alto de um dos mais espetaculares rochedos daquela região, nas imediações de Kalambaka, na planície da Tessália. É acessível através de uma escadaria circular de centena e meia de degraus e possui ainda uma espécie de teleférico que o liga à estrada que passa a cerca de cem metros de distncia. A singular situação desse mosteiro fez dele uma estrela que não se espera encontrar em filme de James Bond: em 1981, algumas cenas do agente 007, em “Somente Para Seus Olhos” (For Your Eyes Only) foram rodadas ali.

Há trilhas antigas, sobreviventes dos tempos medievais, que ligam os seis mosteiros por entre as ravinas e vales da fantástica topografia de Meteora. Estão localizados muito perto de Kalambaka ou Kastraki, as duas povoações no sopé do conjunto montanhoso cuja origem remonta a mais de sessenta milhões de anos, e que foi esculpido pela erosão das águas (existia ali uma laguna) e dos ventos.

Hoje o acesso é feito através de longa e estreita escadaria esculpida na pedra. Para chegar ao Megalon Meteoron, é necessário subir mais de cem toscos degraus e percorrer uma espécie de túnel íngreme entre paredes de mais de dez de metros de altura. O Mosteiro de Varlaam fica no pico de uma subida de quase duzentos degraus, mas, tal como os outros retiros monásticos da região, só recentemente (no séc. XX), se tornou acessível por essa escada. Os monges recorriam habitualmente a escadas de cordas suspensas ou a cestos em palha trançada, ainda hoje em uso, para o transporte de provisões ou cargas pesadas.

Os afrescos nas paredes e nos tetos das igrejas (“katholikon”) são outra das razões para o deslumbramento dos viajantes. Mas é no Megalon Meteoron que melhor se pode conhecer a eloquência da pintura bizantina. No interior do “katholikon”, uma magnífica série de afrescos representa a perseguição dos cristãos pelo Império Romano.

Nos mosteiros, há espaços abertos aos peregrinos e turistas e outros, como é natural, reservados, para preservar a vida monástica. As áreas abertas aos visitantes correspondem geralmente aos pátios e jardins interiores, às igrejas e aos museus existentes em alguns dos conventos.

Kalambaka, Planície da Tessália, Grécia.
 
Arquitetura - Monastério de Taktshang.
 
O Monastério de Taktshang, cujo significado é "ninho do tigre", é o mais famoso monastério do Butão. Está encravado num precipício a 3.120 metros de altura a uns 700 metros acima do vale de Paro, a uns 10 km da cidade de Paro. Todos os sete templos do monastério, recém restaurado por causa de um incêndio, podem ser visitados, mas a única forma de chegar lá é a pé ou de mula.

A paisagem do Butão, a Terra do Rugido do Dragão, está salpicada de monastérios, fortalezas impressionantes, em cima de montanhas imponentes. De todos esses locais sagrados, o Ninho do Tigre é o mais visitado. Sua história remonta ao ano de 747 D.C. quando se acredita que o Guru Rimpoche, na forma do irascível Guru Dorji Droloe, voou até o alto da montanha montado nas costas de uma tigresa. Durante três meses ele se deixou ficar numa caverna meditando para amansar os espíritos malévolos da região. As divindades locais, vencidas, passaram a ser as protetoras do local. O Guru, aclamado como o segundo Buda, abençoou o Butão como o segundo Kailash (montanha sagrada no Tibet) e anunciou a chegada do Budismo ao Butão. Antes dele, seus habitantes adoravam os animais.

O monastério, como é visto hoje, foi construído em 1692 em torno da caverna onde o Guru meditou. Sofreu um incêndio em 1998, mas foi inteiramente restaurado graças a ajuda do rei do Butão, Jigme Singye Wangchuk.
 
A trilha até o monastério, ladeada por bandeirolas que ensinam as orações, serpenteia por uma floresta de carvalhos protegida por um dossel de pinheiros azuis, e várias espécies de rododendros que fazem com que as montanhas do Butão pareçam enormes jardins na primavera.

Paro, Butão.
 




 
 


 
 


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Reply  Message 2 of 7 on the subject 
From: Dominique Sent: 24/04/2010 21:48
OBRA PRIMA DE SEMANA (CASTELOS DE LOIRE).

ARQUITETURA - AZAY-LE-RIDEAU (1511/1528).
 
É impossível deixar de mencionar, ainda que de passagem, as obras-primas da arquitetura renascentista conhecidas por seu nome genérico, Castelos do Loire. Os que podem usar esse título são apenas 42, numa região que possui mais de 300 monumentos do gênero. Para não deixar de falar nessas jóias, escolhi as cinco menos famosas, menos divulgadas.

Os Castelos do Loire são construções situadas na parte central do vale do Loire, na região conhecida como berço da língua francesa, incluída na lista de Patrimônio Universal da UNESCO pela “paisagem excepcionalmente rica em cultura, de extrema beleza, com cidades e aldeias históricas, grandes monumentos arquitetônicos – os castelos – terras cultivadas e moldadas há séculos pela interação entre as populações locais e seu meio ambiente, em especial o próprio rio, o Loire”.

Dos séculos XV e XVI, esses castelos são construções em sua maioria iniciadas ou reformadas na época em que o poder real estava situado nas margens do grande rio, em seus afluentes ou nas proximidades desses; no entanto, são edificações que tiveram sua origem na Idade Média, da qual conservam traços arquitetônicos importantes.

Hoje falaremos de Azay-le-Rideau. O primeiro castelo no local foi erguido por volta de 1119 por um dos senhores do lugar, Ridel (ou Rideau d’ Azay), nobre da corte de Felipe Augusto. Em 1418, quando o rei Carlos VII ali pernoitava, foi provocado por tropas da Borgonha que ocuparam a praça forte e na batalha que se seguiu o capitão e 350 soldados foram executados e o castelo, incendiado.
 
Entre 1510 e 1528 o prefeito de Tours e tesoureiro de Francisco I, Gilles Berthelot, foi quem mandou erguer no local essa que é uma das primeiras obras-primas do Renascimento francês. A marca de Francisco I que vemos ali, aparece na maioria dos castelos do Loire: a salamandra entalhada na pedra, com o lema do rei “Nutrisco et Extingo”.

A história de Azay-le-Rideau é longa e acidentada e o castelo passou por muitas mãos. Em 1791, abandonado e degradado, foi vendido ao marquês Charles de Biencourt, deputado da nobreza nos Estados Gerais de 1789, depois na Constituinte, cujos descendentes o conservaram durante um século. E foram os Biencourts que lhe deram o aspecto interno de hoje, assim como os belos jardins à la inglesa.

Em 1905 foram obrigados a dele se desfazer e o Estado, graças à doação de um mecenas, pode comprar por 250.000 francos essa verdadeira jóia, que logo seria classificada como Monumento Histórico. Desde então, é mantido pelo Centro dos Monumentos Nacionais de França.

Azay-le-Rideau, Indre-et-Loire, França.
 
ARQUITETURA - AZAY-LE-RIDEAU (1511/1528).

É impossível deixar de mencionar, ainda que de passagem, as obras-primas da arquitetura renascentista conhecidas por seu nome genérico, Castelos do Loire. Os que podem usar esse título são apenas 42, numa região que possui mais de 300 monumentos do gênero. Para não deixar de falar nessas jóias, escolhi as cinco menos famosas, menos divulgadas.

Os Castelos do Loire são construções situadas na parte central do vale do Loire, na região conhecida como berço da língua francesa, incluída na lista de Patrimônio Universal da UNESCO pela “paisagem excepcionalmente rica em cultura, de extrema beleza, com cidades e aldeias históricas, grandes monumentos arquitetônicos – os castelos – terras cultivadas e moldadas há séculos pela interação entre as populações locais e seu meio ambiente, em especial o próprio rio, o Loire”.

Dos séculos XV e XVI, esses castelos são construções em sua maioria iniciadas ou reformadas na época em que o poder real estava situado nas margens do grande rio, em seus afluentes ou nas proximidades desses; no entanto, são edificações que tiveram sua origem na Idade Média, da qual conservam traços arquitetônicos importantes.

Hoje falaremos de Azay-le-Rideau. O primeiro castelo no local foi erguido por volta de 1119 por um dos senhores do lugar, Ridel (ou Rideau d’ Azay), nobre da corte de Felipe Augusto. Em 1418, quando o rei Carlos VII ali pernoitava, foi provocado por tropas da Borgonha que ocuparam a praça forte e na batalha que se seguiu o capitão e 350 soldados foram executados e o castelo, incendiado.
 
Entre 1510 e 1528 o prefeito de Tours e tesoureiro de Francisco I, Gilles Berthelot, foi quem mandou erguer no local essa que é uma das primeiras obras-primas do Renascimento francês. A marca de Francisco I que vemos ali, aparece na maioria dos castelos do Loire: a salamandra entalhada na pedra, com o lema do rei “Nutrisco et Extingo”.

A história de Azay-le-Rideau é longa e acidentada e o castelo passou por muitas mãos. Em 1791, abandonado e degradado, foi vendido ao marquês Charles de Biencourt, deputado da nobreza nos Estados Gerais de 1789, depois na Constituinte, cujos descendentes o conservaram durante um século. E foram os Biencourts que lhe deram o aspecto interno de hoje, assim como os belos jardins à la inglesa.

Em 1905 foram obrigados a dele se desfazer e o Estado, graças à doação de um mecenas, pode comprar por 250.000 francos essa verdadeira jóia, que logo seria classificada como Monumento Histórico. Desde então, é mantido pelo Centro dos Monumentos Nacionais de França.

Azay-le-Rideau, Indre-et-Loire, França.
 
Arquitetura - Castelo de Brissac (1445).
 
Essa região é abençoada em belezas naturais e belezas criadas pelo homem. Além dos castelos, cidades históricas como Amboise, Angers, Blois, Chinon, Tours, nascidas em torno dos castelos, são deslumbrantes. Na realidade, o Vale do Loire é como um livro de História da França, onde as ilustrações, magníficas, nos levam a querer saber o que se passou ali.

Ao todo, como já foi dito aqui, os castelos são mais de trezentos; começaram a ser erguidos, em sua maioria, como fortificações no século X e só em plena Renascença foram sendo transformados no esplendor de hoje. Alguns foram erguidos do zero, outros aproveitaram as estruturas medievais. Quando os reis começaram a construir naquela região, a nobreza, jamais querendo ficar longe do poder, os seguiu, e essa é a razão de tantos monumentos históricos tão próximos uns dos outros.

Um dos 42 Castelos do Loire é o de Brissac, cuja origem foi uma fortaleza construída no século XI. Passou por vários proprietários até ser comprado, em 1435, por Pierre de Brézé, rico ministro de Carlos VII, que em 1445 transformou a fortaleza num castelo de luxo. Quando Brézé morreu seu filho Jacques herdou o castelo que abandonou para sempre após surpreender sua mulher em flagrante de adultério, e assassiná-la.

Durante o reinado de Francisco I (1515/1547) a propriedade foi adquirida por René de Cossé, que adotou o nome de Brissac. A história é longa e com muitos detalhes interessantes, mas não cabe aqui. O castelo sofreu com o tempo e com as inúmeras batalhas travadas em seu interior ou em seu entorno.

Em 1611, quando o chefe da família foi elevado a Duque de Brissac, ele encarregou o arquiteto Jacques Corbineau de restaurar o castelo: eis Brissac como é até hoje. É o castelo mais alto da França, com sete andares, duzentas salas e com a fachada influenciada pelo estilo barroco. Até 1792, o castelo permaneceu na mão dos Brissac. Nessa data o edifício foi requisitado como acampamento para o exército revolucionário da Vendéia, os “Bleus”. Ao ser devolvido para a família seu estado era lamentável e somente em 1844 um programa de restauração planejado pela família, e seguido religiosamente, voltou a lhe dar o esplendor de seu auge.

O Castelo de Brissac está aberto ao público; seu teatro luxuoso é o palco do Festival Anual do Vale do Loire.

Comuna de Brissac-Quincé, Maine-et-Loire, France.
 
Arquitetura - Chteaudun (1170.
 
A França é um país cortado por belos rios. Todos muito cuidados e respeitados, como é praxe aliás na Europa. O Loire, além de ser o mais longo dos rios franceses, é o que possui, em suas margens e nas margens de seus mais importantes afluentes, a maior quantidade de monumentos arquitetônicos de grande porte.

Logo no início desta semana eu disse que devido ao tempo e espaço curtos, falaria muito por alto dessas jóias, e escolheria, dentre os 42 castelos com a marca “do Loire”, algumas das menos conhecidas. O que não me exime de ao menos mencionar os mais importantes como, por exemplo, Blois, um verdadeiro castelo medieval situado bem no centro de uma cidade; Chambord, uma estrutura impressionante, mais fortaleza que castelo e considerado, sem favor, a mais bela construção no Vale do Loire; Amboise, repositório de histórias incríveis; Chinon, fortaleza que domina o vale do Vienne; Chenonceau, típica construção da Renascença, entre outros muito conhecidos.

Dizer que valem o passeio... é ser muito econômica com as palavras.

Na metade do século XVI o rei Francisco I transferiu o centro do poder do Loire para Paris. Seguiram o rei os grandes arquitetos, mas o Vale do Loire continuou a ser o local onde a nobreza francesa preferia passar a maior parte do tempo. Até o advento de Luis XIV, em meados do século XVII. Com sua Versailles, o Rei-Sol fez de Paris o centro permanente do poder.

No entanto, aqueles que gozavam dos favores do rei, e os burgueses ricos, continuaram a renovar e embelezar os castelos existentes no Loire ou a construir novos, como residência para fugirem do calor sufocante da Paris que já era uma cidade muito povoada e... urbanisticamente primitiva: no verão Paris não era lá muito saudável...


Construído entre os séculos XV e XVI, desde 1918 Chteaudun, o castelo de hoje, é Monumento Nacional. Sua torre principal data de 1170. A capela foi erguida entre 1451 e 1493; o coro da capela, entre 1451 e 1454. A nave principal e o oratório, entre 1460 e 1464. A ala oeste foi construída entre 1459 e 1468. O campanário surgiu em 1493. Por que tantas datas? Para mostrar que Chteaudun esteve sempre em obras, nunca foi abandonado.
 
Exemplo de decoração gótica bastante significativa do período que antecedeu o Renascimento, esse monumento ainda conta com um belíssimo afresco no oratório sul da capela, datado de 1500, e cujo motivo é o Dia do Juízo Final. O trabalho na pedra, seja em esculturas como a da foto, seja no rendilhado de alguns detalhes, é uma preciosa amostra do talento do operário e artesão francês desde sempre.

Chteaudun, Eure-et-Loir, França

Fontes : Larousse Universel,
 
Arquitetura - Villandry (1536).

Nesse livro de História da França que é o Vale do Loire, podemos conhecer o Castelo de Villandry, palco de uma das rendições mais significativas para a história da Europa. Foi em Villandry que os Plantegenêts de Inglaterra, na figura de Henrique II, reconheceram sua derrota perante Felipe Augusto, rei de França. Com isso, as seguintes regiões, até então sob o domínio inglês, passaram para a coroa francesa: Normandia, Bretanha, Maine, Touraine, Anjou, Poitou e Aquitnia. Isso aconteceu em 4 de julho de 1189, quando Villandry ainda era uma fortaleza medieval.

Nos séculos XV e XVI a propriedade passou por diversas famílias, até que Jean Le Breton, ministro de Francisco I, a comprou, derrubou inteiramente a velha fortaleza, deixando somente os alicerces e a masmorra que pode ser apenas vislumbrada. Foi Le Breton quem ergueu o castelo, cuja obra ficou pronta em 1536, o último dos construídos nas margens do Loire, durante a Renascença.

Em 1754, Villandry foi vendido para o conde de Castellane, brigadeiro dos exércitos do rei, embaixador junto ao Império Otomano, membro de uma das mais antigas famílias da Provence. Foi ele quem mandou construir as alas simétricas dos dois lados do pátio externo e reformou o interior, dotando o castelo dos confortos do século XVIII, mais próximos de nossos dias que os da Renascença.

Até 1791 Villandry pertenceu aos Castellane. Nessa data foi vendido a François Chénais que havia feito fortuna nas plantações de café nas Antilhas, onde possuía 400 escravos negros. Perdeu suas terras ali na Revolução de São Domingos, em 1792, mas não perdeu o que tinha em França. Homem polêmico, um tiranete, além de muito mesquinho e colérico, acabou vendendo o castelo a um traficante de armas dos tempos de Bonaparte, G.J Ouvrard. Foram muitas as idas e vindas desde então, mas numa delas Napoleão pagou as dívidas desse cidadão e em troca ficou com o castelo para dá-lo a seu irmão Joseph.


Daí em diante Villandry passa por uma fieira de proprietários até que em 1906 é comprado pelo doutor Joachim Carvallo, espanhol, e sua esposa, Ann Coleman, rica herdeira de siderúrgicas nos EUA; o castelo estava para ser demolido, mas os dois se dedicaram a restaurar interior e exterior e criaram um monumento em total harmonia com o estilo renascentista em que foi concebido e um verdadeiro jardim francês do século XIV, baseado em textos antigos. Parece um desenho para um bordado.
 
 
Joachim Carvallo foi também o fundador, em 1924, da primeira associação francesa de defesa do patrimônio monumental em mãos privadas, “La Demeure Historique”, que agrupa proprietários de castelos históricos; foi também o pioneiro em abrir esses monumentos ao público.

Villandry, Indre-et-Loire, França.
 
Arquitetura - Angers (séculos IX a XIII).
 
O Castelo de Angers fica em um promontório de ardósia que domina o rio Maine. A importncia de sua localização estratégica era conhecida desde os Romanos, que logo a ocuparam.

Escavações encontraram uma tumba em pedras datadas de 4.500 a.C. Essa tumba, com cerca de 17 metros de dimetro, tem 4 ou 5 cmaras funerárias e é inteiramente feita com placas de xisto. O aparelhamento dessas placas impressiona pois demonstra que no neolítico já dominavam a exploração da ardósia.

Invasões de bárbaros germnicos levaram a população da cidade a construir uma muralha de proteção com mais de 10 m de altura. Até o século IX, normandos e bretões disputaram sua localização privilegiada; em 851 o bispo de Angers permite que seja construído ali, ao pé da muralha, um castelo que não será chamado de “castrum” (fortaleza) e sim de “aula” (salão, palácio). As proporções deviam ser enormes: em 1953 foi escavada uma porta maciça (de 11m x 8m), datada do século IX, que certamente isolava uma masmorra.

Já no século XII, Angers passa a ser o coração do Império Plantagenêt. Em 1204, porém, Felipe Augusto confisca Angers e vence os ingleses, tomando para o território francês tanto a Normandia quanto a Bretanha. Mas o Ducado da Bretanha era hostil ao poder francês e tenta retomar o castelo, de onde é rapidamente expulso pelas tropas leais ao rei francês.


No início do século XIII, durante o reinado de rei São Luiz (Luiz IX), neto de Felipe Augusto, sob a regência de sua mãe Branca de Castela, o imenso castelo é reformado e transformado no castelo-fortaleza que hoje conhecemos. Com quase 600 metros de circunferência e protegido por dezessete torres, as muralhas do castelo circundam 25.000 m². Duas imensas torres cercam o portão de entrada.
 
Em 1352, João II, o Bom, deu o castelo a seu filho Luis. Casado com a rica herdeira dos Duques de Bretanha, Luis reformou o castelo e em 1373 encomendou a famosa Tapeçaria do Apocalipse, baseada em desenho do pintor Hennequin de Bruges e tecidas nas oficinas do tecelão Nicolas Bataille, para decorar a Santa Capela do castelo.

Em 1562 Catarina de Médici transformou Angers numa poderosa fortaleza que resistiu a todas as tentativas de invasão. Por ironia do destino, mais tarde a fortaleza foi transformada em uma academia militar, onde o Duque de Wellington, que finalmente derrotaria Napoleão em Waterloo, teve seu treinamento militar.

Durante a II Guerra Mundial os bombardeios dos aliados atingem um depósito de munição dos nazistas e a explosão danifica uma parte da muralha e ameias. Em janeiro de 2009 um incêndio atinge os telhados, mas a tapeçaria foi salva.

Monumento Histórico desde 1875, Angers é administrado pelo Centro dos Monumentos Nacionais.

Angers, Maine-et-Loire, França.









Reply  Message 3 of 7 on the subject 
From: Dominique Sent: 17/05/2010 23:52
ENGENHARIA - FORTALEZA DE SANTA CRUZ (SÉCULO XVI)
 
 

A Fortaleza de Santa Cruz da Barra localiza-se no lado oriental da barra da baía de Guanabara, no bairro de Jurujuba, município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro.

Foi mandada construir pelo almirante francês Nicolau Durand de Villegaignon para proteger a entrada da baia de Guanabara contra os portugueses que, ele sabia muito bem, iriam voltar para defender o que era seu.

Isso foi em 1555. Dois anos depois, os franceses expulsos, o governador-geral do Brasil, Mem de Sá, mandou que aproveitassem a pequena fortaleza francesa, ampliassem e fortificassem suas instalações. E deu-lhe o nome de Fortaleza de Nossa Senhora da Guia.

Em 1612, com Portugal e Espanha unidos num só reino, a fortaleza recebeu vinte peças de artilharia de diversos calibres e passou a ser denominada como Fortaleza de Santa Cruz da Barra, tendo o seu regimento sido aprovado em 24 de Janeiro de 1613 pelo governador da Capitania, Afonso de Albuquerque, que determinou a escavação de cinco celas na rocha viva, com as dimensões de dois metros de altura por sessenta centímetros de largura.

Com a transferência da capital, de Salvador para o Rio de Janeiro (1763), ela passou por uma de suas reformas mais importantes visando proteger o embarque do ouro e diamantes que das Minas Gerais vinham para o porto do Rio de Janeiro e daqui para Lisboa.

Eis como um viajante francês a descreveu em meados do século XVIII:

"A Fortaleza de Santa Cruz, a mais importante do país, está situada sobre a ponta de um rochedo, num local onde todos os barcos que entram ou saem do porto são obrigados a passar a uma distncia inferior ao alcance de um tiro de mosquete. A fortificação consiste numa compacta obra de alvenaria de 20 a 25 pés de altura, revestida por umas pedras brancas que parecem frágeis. Sua artilharia conta com 60 peças de canhão, de 18 e 24 polegadas de calibre, instaladas de modo a cobrir a parte externa da entrada do porto, a passagem e uma parte do interior da baía. Cada uma das peças referidas foi colocada no interior de uma canhoneira, o que gera um inconveniente: mesmo diante de um alvo móvel, como um barco à vela, elas só podem atirar numa única direção." (Biblioteca Nacional da Ajuda, Lisboa, apud: França, 1997).

Utilizada como presídio em diversas ocasiões da História do Brasil nela estiveram detidas figuras ilustres como José Bonifácio, Bento Gonçalves e Giuseppe Garibaldi; o primeiro presidente uruguaio Fructuoso Rivera; Euclides da Cunha; Juarez Távora, Alcides Teixeira e Estilac Leal (que dela escaparam com o auxílio de uma corda, a 28 de Fevereiro de 1930); Plínio Salgado; Luis Carlos Prestes; Teixeira Lott; Juscelino Kubitschek; Darcy Ribeiro; Miguel Arraes e João Pinheiro Neto.

São dignos de apreciação o relógio de sol, em pedra de lioz, datado de 1820; a Capela de Santa Bárbara; as masmorras; a chamada Cova da Onça (alegado local de torturas); o Pátio da Cisterna, onde aconteciam os enforcamentos; o Salão de Pedra (antigo paiol); as baterias de artilharia, o farol e a vista privilegiada da barra e da cidade do Rio de Janeiro.

Fortaleza de Santa Cruz da Barra, Niterói.

D O M I N I Q U E

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From: Dominique Sent: 18/05/2010 16:35
OBRA PRIMA DO DIA (SEMANA FORTES PORTUGUESES)
 
Engenharia - Fortaleza de Santo Amaro (1584)

Em 1584, por ordem de Felipe II, a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande foi construída bem próxima ao porto da vila de Santos para resguardá-la de corsários.
Sua planta original é atribuída ao arquiteto militar italiano Giovanni Battista Antonelli e foi artilhada com algumas peças de um galeão capturado a corsários. No entanto, era considerada de fraca construção e não resistiu ao ataque do corsário inglês Thomas Cavendish (1590). Reforçada, pode rechaçar a tentativa de reabastecimento do almirante neerlandês Joris van Spielbergen ( 1615) e, posteriormente, à tentativa de assalto do corsário francês Jean-François Duclerc (1710), que se dirigiu em seguida ao Rio de Janeiro.
Em 1702 a praça recebeu o comando de Luiz da Costa de Siqueira e sua guarnição compunha-se de um alcaide e cem soldados. A Carta-régia de 11 de setembro de 1709 mandou aumentá-la, e que do Rio de Janeiro se remetesse artilharia de grosso calibre para sua defesa. Manuel de Castro de Oliveira, um particular residente em Santos, propôs em 1711 à Coroa Portuguesa reconstruir e armar a fortaleza às suas custas, em troca de algumas mercês. A Coroa, pela Carta-régia de 26 de janeiro de 1715, aceitou o oferecimento daquele morador de Santos "para reconstruí-la e armá-la, mediante a mercê do foro de fidalgo, o Hábito [da Ordem] de Cristo, tença anual de 80$000 e um ofício nas Minas [Gerais], que tivesse de rendimento 400$000, para seu filho" (Garrido, 1940:133).
 
Em 1717 foram adicionados parapeitos, reduto, cortina, casa de pólvora e realizadas outras obras. Alguns anos depois, foi terminada a muralha, sendo a praça finalmente artilhada com trinta e duas peças. Ao longo dos anos sofreu outras reformas (em 1742 a Casa de Pólvora foi transformada em Capela) e em 1765 o forte foi restaurado e ampliado. Em 30 de junho de 1770, o governador informava que essa praça estava artilhada com vinte e oito peças: três de 24, oito de 18, três de 12, três de 8, e onze de 6 (Garrido, 1940:133).
Suas instalações foram utilizadas como presídio político. Novamente reformada em 1885, durante a Revolta da Armada, entre 1893 e1894, suas baterias trocaram tiros com os cruzadores República e Palas, a caminho do Sul, quando suas muralhas foram atingidas.
Em 1911, passou para a jurisdição do Ministério da Marinha, quando foi desativada. É uma bela obra de engenharia militar. Ainda bem que está tombada e que pertence à Marinha. Assim corremos menos riscos de perder mais essa maravilha para o descaso e o abandono.
Ilha de Santo Amaro, município do Guarujá, SP
 
 
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From: Dominique Sent: 19/05/2010 16:03
OBRA PRIMA DO DIA (SEMANA DOS FORTES PORTUGUESES)
 
ENGENHARIA - FORTE DAS CINCO PONTAS (1630)

O Forte de São Tiago das Cinco Pontas domina, por completo, o porto do Recife. Foi edificado pelos flamengos, no ano de 1630, por determinação do Príncipe de Orange - Frederik Hedrik -, tendo como seu idealizador o comandante Teodoro Weerdemburgh. Chamou-se, primeiramente, de Forte Frederico Henrique.

Os objetivos mais relevantes da fortaleza eram os de garantir à população o suprimento de água potável, mediante a proteção das cacimbas (ponto vital para o abastecimento d’água do Recife), e impedir que os navios inimigos circulassem pelas águas do Capibaribe e chegassem até a Barreta dos Afogados (através de uma passagem existente nos arrecifes), podendo se evadir, a partir daí, com os barcos carregados de açucar.

Com a vinda de Mauricio de Nassau para o Recife, os holandeses iniciaram a construção de um canal de trinta metros de largura, partindo do Forte Frederico Henrique e se estendendo até o local onde se encontra, hoje, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Em 1637, por sua vez, as muralhas e a profundidade do fosso da fortaleza foram reformados.

No século XVII, ela é destruída por João Fernandes Vieira e ocupada por tropas luso-brasileiras, sob o comando de André Vidal de Negreiros e do general Francisco Barreto de Menezes. (...) Compreendendo a importncia da fortaleza para a segurança e o controle da cidade, do ponto de vista estratégico, Fernandes Vieira ordena que a construção comece a ser restaurada em 1677. Dessa vez, os portugueses empregam um material mais resistente do que a taipa (que os flamengos utilizaram na construção primitiva), e as obras são concluídas em 1684.

Durante essa restauração, porém, um dos baluartes (ou pontas) do forte é suspenso, e o local fica reduzido a quatro pontas apenas (adquire a forma quadrangular), ao invés da pentagonal do início. De 1746, encontra-se preservada a seguinte descrição do Forte das Cinco Pontas: "um quadrado com quatro baluartes, com fossos e estrada coberta, e montava 8 peças de bronze de calibre 6 a 14, 8 de ferro de calibre 6 a 30, e 6 pedreiras de bronze de calibre 1 e 2; era comandado por um Capitão que recebia 16$000 de soldo por mês e mais 3 quartas de farinha, tinha um destacamento de fuzileiros e artilheiros, com um sargento e um condestável."

Mas, continua a ser chamado, por todos, de Forte das Cinco Pontas (ou Vijfhoek, em holandês), por ter a forma de uma estrela. A despeito da perda de um baluarte, o local termina ficando, mediante a nova configuração, com uma área total bem maior que a anterior. Cabe dizer ainda que, durante muitos anos, a fortaleza funcionou como uma prisão.

O último nome adquirido pelo forte, finalmente, é o de São Tiago das Cinco Pontas, pelo fato de haver, em seu interior, uma pequena capela dedicada a São Tiago Maior, um dos seus santos padroeiros.

D O M I N I Q U E

Fontes: trecho pesquisa Semira Adler Vainsencher. Forte das Cinco Pontas.

 

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From: Dominique Sent: 20/05/2010 21:16
OBRA PRIMA DO DIA (SEMANA DOS FORTES PORTUGUESES).
ENGENHARIA - FORTE DOS REIS MAGOS (1614)
 
 

A Fortaleza da Barra do Rio Grande, mais conhecida como Forte dos Reis Magos, é o marco inicial de Natal e deve seu nome à data do início de sua construção, 6 de janeiro de 1598, dia de Reis pelo calendário católico.

Era uma paliçada de estaca e taipa com planta em formato circular, à moda indígena; depois, ao receber ordens da Coroa para que ser fortificada, a nova planta, atribuída ao jesuíta Gaspar de Samperes, "mestre nas traças de engenharia na Espanha e Flandres" e discípulo do arquiteto militar italiano Giovanni Battista Antonelli, tomou a forma clássica do forte marítimo seiscentista: um polígono estrelado, com o ngulo reentrante voltado para o Norte.

Em 1602 já estava artilhada e guarnecida por um destacamento de duzentos homens. Sofreu muitas outras reformas e em 1614 sua formação era a atual. As muralhas foram melhoradas, recebeu contrapiso e contrafortes de reforço pelo lado do mar, bem como obras internas de habitação em edifícios de dois pavimentos, concluídos em 1628.

Durante a segunda Invasão Holandesa (1630/1654) o Forte dos Reis Magos, por sua localização e por estar muito bem aparelhado, foi cobiçado pelos invasores que, depois de algumas tentativas fracassadas conseguiram, ferido o comandante da praça, e à revelia deste, negociar a rendição com alguns de seus ocupantes, entre eles Domingos Fernandes Calabar.

Ocupada de 12 de Dezembro de 1633 a Fevereiro de 1654, recebeu o nome Castelo Ceulen (Kasteel Keulen). Sobre esta fortaleza, Nassau, no "Breve Discurso", datado de 14 de Janeiro de 1638, sob o tópico "Fortificações", reporta:

"(…) o Castelo Keulen, no Rio Grande, situado sobre o arrecife de pedra na entrada da barra. Construído de pedra de cantaria, é muito elevado, e tem muito grossas e fortes muralhas. (...) Este forte está sujeito às altas dunas que lhe ficam a tiro de arcabuz, e são tão elevadas que delas se pode ver pelas canhoneiras o terrapleno, e daí tirar à bala o sapato dos pés aos do castelo. Quando nós o cercamos, assentamos a nossa artilharia sobre as dunas, e fizemos um fogo tal que ninguém podia permanecer na muralha. Mas este defeito foi remediado, levantando-se sobre a muralha da frente, contra o parapeito de pedra, um outro de terra à prova de canhão, e com isto todo o forte da parte de cima está coberto e resguardado”..

Em 1654, após a expulsão definitiva dos holandeses, conseguida em Pernambuco, quando os portugueses chegaram a Natal o forte já estava abandonado. Na chamada Revolução Pernambucana de 1817 o forte serviu como prisão política para alguns de seus implicados. Tombado pelo IPHAN, o forte é uma das mais belas obras de engenharia/arquitetura no Brasil.

Forte dos Reis Magos, Natal, RN

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From: Dominique Sent: 21/05/2010 18:46
OBRA PRIMA DO DIA (SEMANA DOS FORTES PORTUGUESES)
 
ENGENHARIA - REAL FORTE DO PRINCIPE DA BEIRA (1776)
 
 

"A soberania e o respeito de Portugal impõem que neste lugar se erga um Forte, e isso é obra e serviço dos homens de El-Rei nosso senhor e, como tal, por mais duro, por mais difícil e por mais trabalhoso que isso dê, (...) é serviço de Portugal. E tem que se cumprir."

E assim foi feito: na margem direita do rio Guaporé (hoje Guajará-Mirim), fronteira com a Bolívia, em plena floresta amazônica, ergueram o Real Forte Príncipe da Beira, um feito que não poderia ter sido desmerecido com o abandono...

Após a assinatura do Tratado de Madri (1750), Portugal preocupou-se em assegurar a posse do território que lhe cabia segundo o Tratado de Tordesilhas e dessa forma garantir a fronteira do Brasil. Houve tratados posteriores e algumas reformas da linha demarcada em Tordesilhas, mas o Príncipe da Beira colaborou pela manutenção de nosso território.

Em sua pedra fundamental está gravado: “Sendo José I, Rei Fidelíssimo de Portugal e do Brasil, Luiz Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, por escolha da Majestade Real, Governador e Capitão-General desta vastíssima Província do Mato Grosso, planejou para ser construída a sólida fundação desta Fortaleza sob o Augustissimo nome do Príncipe da Beira com o consentimento daquele Rei Fidelíssimo e colocou a primeira pedra no dia 20 do mês de junho do ano de Cristo de 1776”.

Na Memória de sua construção, as anotações: “o forte do Príncipe da Beira é abaluartado, e construído sobre um quadrado, medindo cada face 118 metros e 50 centímetros e tendo em cada ngulo um baluarte de 59 metros sobre 48 na máxima altura. Em cada baluarte há 14 canhoneiras, sendo três por flanco e quatro por face. As cortinas, que ligam os baluartes entre si, medem cada uma 92 metros e 40 centímetros , e as golas 22 metros. O fosso, de largura variável, entre um metro e 50 centímetros e três metros, atinge a de nove metros em frente ao baluarte da Conceição, tendo em todo o seu desenvolvimento dois metros de profundidade (apud: GARRIDO, 1940:10-12).

No século XIX foi usado como presídio político. Abandonado à época da Proclamação da República , já em ruínas foi visitado pelo marechal Rondon que mandou que limpassem a mata que o sufocava. Desde 1930, é novamente guarnecido pelo Exército Brasileiro. Em 1950, tombado pelo IPHAN após quase 200 anos de abandono, foi iniciado um amplo programa de restauração. As pesquisas arqueológicas mostram grande quantidade de artefatos de funções militares e elementos da vida cotidiana na fortaleza, peças cujas informações serão fundamentais nas etapas subseqüentes de revitalização e transformação do forte em museu.

Município de Costa Marques, Rondônia.

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