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CAPELAS DE AZEITÃO -ACTUAIS E EXTINTAS: ERMIDA Nª Sªç DAS NECESSIDADES E CRUZ DAS VENDAS
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From: QUIM TROVADOR  (Original message) Sent: 24/05/2010 12:46
 
 
ERMIDA
DE NOSSA SENHORA
DAS NECESSIDADES

A CRUZ DAS VENDAS


(In, Relatório do Pároco de São Simão, em 1758 - Torre do Tombo)

Em o alto da serra a que as Aldeias estão encostadas, um pouco distante delas, está a Ermida da Nossa Senhora das Necessidades. Tem esta ermida uma cruz com uma hasta de duas varas e meia de comprimento, e encima continua uma pequena cruz maravilhosamente lavrada com duas imagens ; para a parte do Norte a imagem de Cristo com a vocação de Senhor da Boa Ventura e da parte do Sul, na cruzada dos braços, a imagem de Nossa Senhora com a vocação das Necessidades, tudo de pedra branca e muito fina que dizem os artífices não ser destes contornos. O pé é da mesma pedra, em oitavado ;e lhe servem de ornato dois altares ; em cujo pé estão umas letras góticas que dizem o seguinte : « por serviço de Deos Vasco Queimado de Villalobos fidalgo da Casa de El Rey e goarda mor que foy do Infante dom Pedro e camareiro e do Concelho dos Duques Fellipe e Carlos de Borgonha mandou por aqui esta cruz era mil quatro centos e setenta e coatro rogai a deos por sua alma ».
Esta cruz estava ao rigor do tempo até que um homem Chamado Manuel Martins de sua devoção e com seu dinheiro e algumas esmolas que alcançou fez uma ermida a que deu princípio em 27 de Abril de mil setecentos e quarenta e oito anos, e em primeiro de Maio de setecentos e cincoenta se benzeu, e se ficou sempre fazendo a festa em o dito. e no dia tres do mesmo se faz também festa, e acode grande concurso de gente de distncias de duas a tres léguas ..."


Sobre a Ermida votiva a Nossa Senhora das Necessidades e do monumento chamado "Cruz das Vendas" para além do supra dito, muito mais há a dizer :

Vejamos, em síntese, como se processou a sua evolução histórica :

A passagem entre os montes de São Simão e São Francisco fazia-se em solo do morgado de Alcube e era conhecida por Portela da Cruz por ali ter sido erigida em 1474, por Vasco Queimado de Villa Lobos, um cruzeiro a que se chamou Cruz das Vendas. O monumento esteve durante séculos ao ar livre. elevando-se aquela soberba iminência donde muito longe podia ser avistada .
O padrão de Vasco Queimado de Villa Lobos é uma cruz floreada, colocada sobre uma haste oitavada de dois metros de altura e que tem uma base octogonal, talhada em pirmide onde se encontra, em caracteres góticos a inscrição já mencionada .

Na parte superior da cruz estão esculpidas duas pequenas imagens, representando, a do lado poente, Jesus crucificado e do lado nascente, a Virgem Maria. Por baixo das esculturas, rodeando a haste da cruz, reconhecem-se quatro brasões, todos orlados, o maior dos quais são as armas dos Villa Lobos, representados por dois leões passantes e encimados por um elmo de perfil, de grades abertas, indicando alta linhagem. Os três brasões mais pequenos têm, como constituição heráldica, respectivamente, um leão rompante, uma cabeça de lobo e uma barra abocada por duas cabeças de serpente .

A Cruz das Vendas como também é conhecido o padrão esteve ao rigor do tempo durante séculos, sendo resguardado, nos meados do século XVIII dentro da ermida de Nossa Senhora das Necessidades, onde até hoje se encontra .

De princípio, seria, no mbito deste trabalho, a monografia adequada para estes monumentos. Contudo, tendo presente a história da construção da ermida, da transladação do cruzeiro, e o retrato da época, contada na "Revista Illustrada" , nº 44 de 1892, por um dos maiores historiadores de Azeitão, Joaquim Rasteiro, sinto-me na obrigação de a divulgar. Como tal, transcrevo-a na sua quase totalidade, fazendo-o, respeitando a escrita original. (os subtítulos são de responsabilidade desta edição) .


Escreveu Joaquim Rasteiro :


A Paisagem


-"A portella das Necessidades separa os montes de São Simão e São Francisco e dá passagem á estrada real nº 22. É um dos mais bellos logares de passeio e um dos mais formosos sitios frequentados pelos forasteiros, que em Azeitão passam a estação calmosa. A subida é suave e coberta de prolongados arvoredos. Ao nascente o valle d'Alcube, talhado a meio pela ribeira, que choupos esguios de longe apontam, é bordado a mil côres pelo vermelho das argilas , pelo branco dos calcareos, pelo pardacento dos humus, pelos verdes variados das producções silvestres e plantações culturaes .
Uma casa antiga de fórmas irregulares alveja por entre a verdura dos eucalyptos e o esbranquiçado dos alamos - é o solar do morgado de Pilatos, fundado no século XVI por Alvaro de Sousa e sua mulher D. Francisca de Távora, franciscano da provincia de Santo António que leu artes e theologia nos conventos de sua ordem e foi bispo do Funchal. Manoel de Mello, grão-prior do Crato, porteiro-mór e um dos conjurados de 1640, ali teve residência...
... Além do valle , multiplicadas ravinas, caindo do Cordova, semelham as pregas de um véu gigante, lançado sobre o monte, que parece só ter-se separado da serra da Arrábida para deixar estender a vista ao Sado e suas marinhas e uma tira do território transtagano a perder d'olhos. Ao cair da noite, quando o despontar da lua desenha os contornos phantasiosos da crista das serras e montes, é deveras masgestoso o espectaculo, que se goza do alto da portella.
Se aqui nos demoramos voltados para o norte, quando uma luz forte illumina o largo panorama, é o que ha de mais esplendoroso - o oceano, o Tejo, Cintra, Lisboa, e tudo o mais até Santarem, emmoldurando uma tela enorme, com as aldeias d'Azeitão lançadas caprichosamente na planura e aqui e acolá por entre o verde dos pinhaes, branquejando, pequenas casas em terras de cultura ; mais ao largo todas as povoações marginaes da esquerda do Tejo.
No corte da portella, como que guardando a passagem, está a ermida das Necessidades, com eremitério junto. Pousa a cavalleiro da estrada e resguarda uma cruz , que, por quasi tres seculos, dispensou aquelle abrigo ...



A Cruz de Vasco Queimado de Villa-Lobos

... É um monumento da piedade religiosa dos velhos tempos que se encontra no centro da ermida sobre um dado de alvenaria ordinaria, formando nas suas quatro faces lateraes outros tantos altares. É possivel que a tosca algamassa vele alguma trabalho em pedra, que melhor fora ficar a descoberto .
A base da cruz é octogona e pyramidal, e n'ella se lê :
Por serviço de Deus. Vasco Queimado de Villa Lobos, fidalgo da casa d'el-rei e guarda-mór, que foi do infante D. Pedro e camareiro e do conselho dos duques Filippe e Carlos de Borgonha, mandou pôr aqui esta cruz. Era 1474 annos. Rogae a Deus por sua alma "
... O infante, de que ali se trata é D. Pedro, dito da Alfarrobeira, morto em 20 de Maio de 1449 pelas gentes do seu sobrinho e genro Affonso V.
Os duques são Filippe, o Bom, casado com Isabel de Portugal e Carlos, o Temerario, seu filho, morto em frente de Nancy a 5 de Janeiro de 1477.
Não consta que Vasco Queimado tivesse a propriedade do sitio e desconhece-se a causa, que determinou a collocação da cruz n'aquelle logar; é de crer, porém que Vasco só ali se a levantasse como prece á piedade dos viandantes, convidando-os á oração pelo descanço de sua alma.

O monumento de Vasco Queimado é uma cruz floreada sobre uma haste de uns dois metros de alto ; na face que olha a poente tem a imagem do Christo crucificado, symbolizando talvez o occaso da vida ; na face do nascente ha uma imagem de Maria , querendo dizer que d'ella nos veiu o filho, como do oriente raia a primeira luz .
Sobre a haste, em torno da pedra, que serve de peanha á cruz, ha quatro escudos todos orlados ; no da frente por debaixo do Christo, ha um escudo em diagonal com as armas dos Villa-Lobos, 2 lobos passantes esplados ... Sobre o escudo um elmo aberto, indicativo de alta linhagem. na face opposta, n'um escudo perpendicular está uma cabeça de lobo. No lado norte o escudo tem uma banda saindo de duas cabeças de serpe: corresponde-lhe do sul outro escudo com um leão ".

A ermida das Necessidades é de moderna data. Foi edificada no meado do século XVIII por deligencias de Manuel Martins, homem de pouca fazenda, habitante da vizinha aldeia das Vendas. O porteiro-mór José de Sousa e Mello permitiu a edificação e contribuiu para ella com longo donativo . José de Mello ficou padroeiro da ermida e Manuel Martins teve a faculdade de collocar sobre a porta uma lápide com o seu nome e fazer-se sepultar no recinto sagrado.
Antes da edificação da ermida o logar era chamado portella da Cruz.


As Lendas

Como ao divino sempre anda ligado o fabuloso , esta cruz tem também a sua lenda maravilhosa entre o povo .
Nas praias de Manguellas (hoje Ajuda) foi encontrada a cruz, fabrica dos Anjos, como demonstram o seu apparecimento maravilhoso e a execução aprimorada dos lavores. Um dia o senhor pretendeu leval-a para Lisboa, fazendo-a seguir caminho d'Azeitão n'um carro ; chegada porém á portella, não poderam mais os bois arrastar a carga ; reforçados com outras juntas e instigados pela voz e aguilhão dos conductores não lograram fazer mover o carro, até que este se partiu, reconhecendo-se d'aqui, que era determinação divina não passar mais além e ali foi collocada, mas sempre crescendo, segundo a lenda.
Ha annos, talvez pelo decrescimento da fé, a cruz deixou de elevar-se, e parece haver estacionado , a não ir com ella augmentando o comprimento do metro.


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