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BIBLIOTECA DA LUSOFONIA: EUGÉNIO DE ANDRADE
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Reply  Message 1 of 5 on the subject 
From: QUIM TROVADOR  (Original message) Sent: 30/11/2009 09:36
 
top.jpg picture by artesemagiasdopsp

 

Procura a maravilha.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha....

(Eugénio de Andrade)

 

 

fundo-2.jpg picture by artesemagiasdopsp

 
   
Abril
 

Brinca a manhã feliz e descuidada, 
como só a manhã pode brincar, 
nas curvas longas desta estrada 
onde os ciganos passsam a cantar. 

Abril anda à solta nos pinhais 
coroado de rosas e de cio, 
e num salto brusco, sem deixar sinais, 
rasga o céu azul num assobio. 

Surge uma criança de olhos vegetais, 
carregados de espanto e de alegria, 
e atira pedras às curvas mais distantes 
- onde a voz dos ciganos se perdia. 

(Eugénio de Andrade)



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Reply  Message 2 of 5 on the subject 
From: NOVA ARCÁDIA Sent: 01/12/2009 14:37
 
   

Image hosting by Photobucket


A Palmeira Jovem
(Eugênio de Andrade)

Como a palmeira jovem
que Ulisses viu em Delos, assim

esbelto era o dia
em que te encontrei;

assim esbelta era a noite
em que te despi,

e como um potro na planície nua
em ti entrei.


 
   
   

Adeus
(Eugênio de Andrade)
 
Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, minha boca nos teus olhos
carregada de flor e dos teus dedos;

como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve - e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.

Como se a noite se viesse e te levasse,
eu era só fome o que sentia;
Digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde teu corpo principia.

Como se houvesse nuvens sobre nuvens
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou, se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.

 


 
   
 

         

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É urgente o amor.

É urgente um barco no mar.


É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.


É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.


Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

 

Eugénio de Andrade


   

 

   

 

Respiro o teu corpo

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

            Eugénio de Andrade


Reply  Message 3 of 5 on the subject 
From: NOVA ARCÁDIA Sent: 01/12/2009 14:39
 

 

 
A boca,
onde o fogo
de um verão
muito antigo
cintila,
 
a boca espera
(que pode uma boca
esperar
senão outra boca?)
 
espera o ardor
do vento
para ser ave,
e cantar.
.................................................
 
Eugénio de Andrade

 

 


 
   

 

AS PALAVRAS INTERDITAS


 Eugénio de Andrade

Os navios existem e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.
 
Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.
 
Os hospitais cobrem-se de cinza
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te... E abrem-se janelas
mostrando a brancura das cortinas.
 
As palavras que te envio não interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas minhas curvas claras.
 
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
e estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
 
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens vivas, desenhadas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
 

                                                                                                                                  


 
   

 
URGENTEMENTE
 
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
 
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
 
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
 
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
 
Eugénio de Andrade

 


 
   

 
Não Canto Porque Sonho 

Não canto porque sonho.
Canto porque és real.
Canto o teu olhar maduro,
O teu sorriso puro,
A tua graça animal.
 
Canto porque sou homem.
Se não cantasse seria
somente um bicho sadio
embriagado na alegria
da tua vinha sem vinha.
 
Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
Por vê-los nus e suados.
 
Eugénio de Andrade
 

in «As Mãos e os Frutos»

 
   
 

Março voltou

Eugénio de Andrade

Março voltou, esta
ácida loucura de pássaros
está outra vez à nossa porta,
o ar  
de vidro vai direito ao coração.
Também elas cantam, as montanhas:
somente nenhum de nós
as ouve, distraídos

 com o monótono silabar do vento
ou doutros peregrinos.
Já sabeis como temos ainda restos de pudor.

 e pelo mundo uma enorme, enorme indiferença.


Reply  Message 4 of 5 on the subject 
From: NOVA ARCÁDIA Sent: 01/12/2009 14:43

mooi4.gif aparências picture by LilithPostImagens

O sal da língua

Eugénio de Andrade

 

Escuta, escuta: tenho ainda

uma coisa a dizer.

Não é importante, eu sei, não vai

salvar o mundo, não mudará

a vida de ninguém - mas quem

é hoje capaz de salvar o mundo

ou apenas mudar o sentido

da vida de alguém?

Escuta-me, não te demoro.

É coisa pouca, como a chuvinha

que vem vindo devagar.

São três, quatro palavras, pouco

mais. Palavras que te quero confiar,

para que não se extinga o seu lume,

o seu lume breve.

Palavras que muito amei,

que talvez ame ainda.

Elas são a casa, o sal da língua.


 

   

 
Não Canto Porque Sonho 

Não canto porque sonho.
Canto porque és real.
Canto o teu olhar maduro,
O teu sorriso puro,
A tua graça animal.
 
Canto porque sou homem.
Se não cantasse seria
somente um bicho sadio
embriagado na alegria
da tua vinha sem vinha.
 
Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
Por vê-los nus e suados.
 
Eugénio de Andrade
 

in «As Mãos e os Frutos»

 
   

 mooi4.gif aparências picture by LilithPostImagens

Reflexões sobre mulheres

Elas são as mães:
rompem do inferno, furam a treva,
arrastando
os seus mantos na poeira das estrelas.

Animais sonmbulos,
dormem nos rios, na raiz do pão.

Na vulva sombria
é onde fazem o lume:
ali têm casa.
Em segredo, escondem
o latir lancinante dos seus cães.

Nos olhos, o relmpago
negro do frio.

Longamente bebem
o silencio
nas próprias mãos.

O olhar
desafia as aves:
o seu voo é mais fundo.

Sobre si se debruçam
a escutar
os passos do crepúsculo.

Despem-se ao espelho
para entrarem
nas águas da sombra.

É quando dançam que todos os caminhos
levam ao mar.

São elas que fabricam o mel,
o aroma do luar,
o branco da rosa.

Quando o galo canta
Desprendem-se
para serem orvalho.

Eugénio de Andrade


 
   
D
 

  

                                                              mooi4.gif aparências picture by LilithPostImagens                                                    

Eugénio de Andrade

              

Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.

                                                                     


Reply  Message 5 of 5 on the subject 
From: NOVA ARCÁDIA Sent: 01/12/2009 14:46

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Eugénio de Andrade 

Pequena elegia de setembro
 

Não sei como vieste, 
mas deve haver um caminho 
para regressar da morte. 

Estás sentada no jardim, 
as mãos no regaço cheias de doçura, 
os olhos pousados nas últimas rosas 
dos grandes e calmos dias de setembro. 

Que música escutas tão atentamente 
que não dás por mim? 
Que bosque, ou rio, ou mar? 
Ou é dentro de ti 
que tudo canta ainda? 

Queria falar contigo, 
dizer-te apenas que estou aqui, 
mas tenho medo, 
medo que toda a música cesse 
e tu não possas mais olhar as rosas. 
Medo de quebrar o fio 
com que teces os dias sem memória. 

Com que palavras 
ou beijos ou lágrimas 
se acordam os mortos sem os ferir, 
sem os trazer a esta espuma negra 
onde corpos e corpos se repetem, 
parcimoniosamente, no meio de sombras? 

Deixa-te estar assim, 
ó cheia de doçura, 
sentada, olhando as rosas, 
e tão alheia 
que nem dás por mim. 
 

 
 Remetente : Inês Escobar de Lima

 
   
 

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Hoje venho dizer-te que nevou
        no rosto familiar que te esperava.
        Não é nada, meu amor, foi um pássaro,
        a casca do tempo que caiu,
        uma lágrima, um barco, uma palavra.

        Foi apenas mais um dia que passou
        entre arcos e arcos de solidão;
        a curva dos teus olhos que se fechou,
        uma gota de orvalho, uma só gota,
        secretamente morta na tua mão.


        Eugénio de Andrade,

As Palavras Interditas


 
   

    **********************

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**********************

AS  PALAVRAS

   

São como um cristal, as palavras.
Algumas, um punhal, um incêndio.
Outras, orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:barcos ou beijos, as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes, leves.
Tecidas são de luz e são a noite.
E mesmo pálidas verdes
paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
 


Eugénio de Andrade

 



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