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BIBLIOTECA DA LUSOFONIA: ARAÚJO JORGE ( J. G. DE )
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Reply  Message 1 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR  (Original message) Sent: 30/11/2009 09:58
 
luna0410-2.jpg luna0410-2 picture by silvia_psp_2008


Filosofia



Você quer mesmo saber
como a vida se levar?
Pois é... primeiro viver
e depois, filosofar...

Diz que é rico... Pode ser...
Mas pode ser que não seja...
Ser rico... é apenas poder
fazer o que se deseja. . .

Nessa eterna e dura lida
renasço a cada momento
lavando as dores da vida
no rio do esquecimento...

Onde o sonhar de outra idade?
A fé que tive, e perdi?
Hoje... chego a ter saudade
daquele ... que já morri...


(Poema de JG de Araujo Jorge
do livro – Cantiga do Só – 1964)





Formatação Luna


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Reply  Message 13 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 18:37
Image7.jpg ima7 picture by lunamaria2009

"Estudo nº 11 "

(Poema de J. G. de Araujo Jorge extraído


do livro A Outra Face - 1949)


Pode-se ir até à infncia encontrá-la.

Ninguém nos manda, nós nem sabemos,
de repente uma palavra, um riso, um objeto, uma emoção
nos atiram para longe em queda.

Sim. Estamos de calças curtas, o redemoinho na cabeça,
as tias fazendo queixas contra os filhos da Zilda
que chegaram do Acre:

"meninos perdidos, que sabem mais das coisas que a gente!"

Sim! Pode-se ir à infncia encontrá-la,
mas nos sentimos estranhos, intrusos, abandonados
no silêncio da memória.

Formatação Luna

Reply  Message 14 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 18:38

vet02-15-1.jpg picture by lunamaria07_2008

Sensual

Ainda sinto o teu corpo ao meu corpo colado;
nos lábios, a volúpia ardente do teu beijo;
no quarto a solidão, desnuda, ainda te vejo,
a olhar-me com olhar nervoso e apaixonado...

Partiste!... Mas no peito ainda sinto a nsia e o latejo
daquele último abraço inquieto e demorado...
- Na quentura do espaço a transpirar pecado,
Ainda baila a figura estranha do desejo...

Não posso mais viver sem ter-te nos meus braços!
- Quando longe tu estás, minha alma se alvoroça
julgando ouvir no quarto o ruído dos teus passos...

Na lembrança revejo os momentos felizes,
e chego a acreditar que a minha carne moça
na tua carne moça até criou raízes!...


( J. G. de Araujo Jorge - coletnea -
in "Poemas do Amor Ardente" 1961 )





Formatação Luna


Reply  Message 15 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 18:39
 
aula31-3.gif 31-3 picture by lunamaria07_2008


Orgulho e renúncia


Não penses que a mentira me consola:
parte em silêncio, será bem melhor...
Se tudo terminou a tua esmola
meu sofrimento ainda fará maior...

Não te condeno nem te recrimino
ninguém tem culpa do que aconteceu...
Nem posso contrariar o meu destino
nem tu podias contrariar o teu!

Sofro, que importa? mas não te censuro,
o inevitável quando chega é assim,
-se esse amor não devia Ter futuro
foi bem melhor precipitar seu fim...

Não te condeno nem te recrimino
tinha que ser! Tudo passou, morreu!
Cada qual traz do berço seu destino
e esse afinal, bem doloroso, é o meu!

Estranho, é que a afeição quando se acabe
traga inútil consolo ao nosso fim
quando penso que ainda ontem, - quem o sabe?
tenha sentido algum amor por mim...

Não procures mentir. Compreendo tudo.
Tudo por si justificado está:
- não tens culpa se te amo... se me iludo,
se a vida para mim é que foi má...

Vês? Meus olhos chorando estão contentes!
Não fales nada. Vai! Ninguém te obriga
a dizeres aquilo que não sentes,
nem eu preciso disto minha amiga...

Parte. E que nunca sofrer alguém te faça
o que sofri com o teu ingênuo amor;
- pensa que tudo morre, tudo passa,
que hei de esquecer-te, seja como for...

Pensa que tudo foi uma tolice...
Só mais tarde, bem sei, - compreenderás
as palavras de dor que não te disse
e outras, de amor... que não direi jamais!

( Poema de JG de Araujo Jorge, do livro "AMO ", 1938 )


Formatação Luna


Reply  Message 16 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 18:39
luna7812n.gif luna7812 picture by lunaassin

Ser mãe

1
Quando todos te condenem
quando ninguém te escutar,
ela te escuta e perdoa,
por ser mãe - é perdoar!

2
Quando todos te abandonem
e ninguém te queira ver,
ela te segue e procura
pois se mãe - é compreender!

3
Quando todos te negarem
um pão, um beijo, um olhar,
ela te ampara e acarinha
por ser mãe - sempre é se dar!


( Poema de JG Araujo Jorge,
in "Cantiga do Só" - 1964 )



luna7812npeq.gif luna7812 peq picture by lunaassin


Formatação Luna


Reply  Message 17 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 18:40
LUNA1010.gif luna1010 picture by luna2905

Bom dia, amigo Sol


Bom dia, amigo Sol! A casa é tua!
As bandas da janela abre e escancara,
- deixa que entre a manhã sonora e clara
que anda lá fora alegre pela rua!

Entre! Vem surpreendê-la quase nua,
doura-lhe  as formas  de beleza rara...
Na intimidade em que a deixei, repara
Que a sua carne é branca como a Lua!

Bom dia, amigo Sol! É esse o meu ninho...
Que não repares no seu desalinho
nem  no ar  cheio de sombras, de cansaços...

Entra! Só tu possuis esse direito,
- de surpreendê-la, quente dos meus braços,
no aconchego feliz do nosso leito!...

( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
Eterno Motivo; -  Prêmio Raul de Leoni,
da Academia Carioca de Letras - 1943 )





Formatação Luna

Reply  Message 18 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 18:41
lunapor2.jpg lun picture by luna2905



Manhã para se feliz


Esta é uma manhã para ser feliz
em um lugar, de algum modo,
é uma manhã para ser feliz...

Esta é uma manhã para dois, para dois juntos
abraçados e tontos, num remoinho
não como nós, eu aqui, diante do sol, das árvores,
de tudo envergonhado porque estou sozinho...

Esta é uma manhã que me fala de ti, nas nuvens,
na transparência do ar,
neste azul do céu, imaculado,
na beleza das coisas tocadas de sonho
e imaturidade...

Uma manhã de festa
para ser feliz de verdade!
Esta é uma manhã
para te Ter ao meu lado...

Quando Deus fez uma manhã como esta
estava com certeza apaixonado...


(Poema de JG de Araujo Jorge –
do livro - Espera- 1960)


Formatação Luna


Reply  Message 19 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 18:41

luna0410.gif luna0410 picture by silvia_psp_2008

 


Teus seios


Teus seios... quando os sinto, quando os beijo
na nsia febril de amante incontentado,
são pólos recebendo o meu desejo,
nos momentos sublimes de pecado...

E às manhãs... quando acaso, entre lençóis
das roupagens do leito, saltam nus,
lembram, não sei, dois lindos girassóis
fugindo à sombra e procurando a luz!...

Florações róseas de uma carne em flor
que se ostenta a tremer em dois botões
na primavera ardente de um amor
que vive para as nossas sensações...

Túmidos... cheios... palpitantes, como
dois bagos do teu corpo de sereia,
tem um rubro botão em cada pomo
como duas cerejas sobre a areia...

Quando os tenho nas mãos... Quantas delícias!...
Arrepiam-se, trêmulos , sensuais,
e ao contato nervoso das carícias
tocam-me o peito como dois punhais!...

Meu lúbrico prazer sempre consolo
na carne destas ondas revoltadas,
que são como taças emborcadas
no moreno inebriante do teu colo...


(Poemas de J. G. de Araujo Jorge, extraídos do livro
Poemas do Amor Ardente - 1961)



Formatação Luna


Reply  Message 20 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 18:43
Enviado: 20/2/2009 00:44
Image7.jpg ima7 picture by lunamaria2009


O verbo amar


Te amei: era de longe que te olhava
e de longe me olhavas vagamente...
Ah, quanta coisa nesse tempo a gente sente,
que a alma da gente faz escrava.

Te amava: como inquieto adolescente,
tremendo ao te enlaçar, e te enlaçava
adivinhando esse mistério ardente
do mundo, em cada beijo que te dava.

Te amo: e ao te amar assim vou conjugando
os tempos todos desse amor, enquanto
segue a vida, vivendo, e eu, vou te amando...

Te amar: é mais que em verbo é a minha lei,
e é por ti que o repito no meu canto:
te amei, te amava, te amo e te amarei!


(Poema de JG de Araujo Jorge
do livro -Bazar de Ritmos- 1935)



Formatação Luna

Reply  Message 21 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 18:44
 

vet2-07-3.gif VET2-07 picture by silvia_psp_2008


Gosto quando me falas de ti...


Gosto quando me falas de ti... e vou te
percorrendo e vou descortinando a tua vida
na paisagem sem nuvens,
cenário de meus desejos tranqüilos

Gosto quando me falas de ti... e então percebo
que antes mesmo de chegar, me adivinhavas,
que ninguém te tocou, senão o vento
que não deixa vestígios, e se vai
desfeito em carícias vãs...

Gosto quando me falas de ti...
quando aos poucos a luz
vasculha todos os cantos de sombra,
e eu só te encontro
e te reencontro em teus lábios, apenas pintados,
maduros, mas nunca mordidos antes
da minha audácia.

Gosto quando me falas de ti...
e muito mais adiantas
em teus olhos descampados, sem emboscadas,
e acenas a tua alma, sem dobras,
como um lençol
distendido, e descortino o teu destino,
como um caminho certo, cuja primeira curva
foi o nosso encontro.

Gosto quando me falas de ti...
porque percebo que te desnudas
como uma criança, sem maldade,
e que eu cheguei justamente
para acordar tua vida
que se desenrola inútil como um novelo
que nos cai no chão...


( Poema de JG  de Araujo Jorge do
 livro "Quatro Damas" 1a ed. 1965 )

Formatação Luna


Reply  Message 22 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 18:45
 
 
luna040109.gif LUNA040109 picture by lunamaria2009


Exaltação do Amor


Sofro, bem sei... Mas se preciso fôr
sofrer mais, mal maior, extraordinário,
sofrerei tudo o quanto necessário
para a estrêla alcançar... colher a flor...

Que seja imenso o sofrimento, e vário!
Que eu tenha que lutar com força e ardor!
Como um louco talvez, ou um visionário
hei de alcançar o amor... com o meu Amor!

Nada me impedirá que seja meu
se é fogo que em meu peito se acendeu
e lavra, e cresce, e me consome o Ser...

Deus o pôs... Ninguém mais há de dispor!

Se êsse amor não puder ser meu viver
há de ser meu para eu morrer de Amor!


(Poema de JG de Araujo Jorge
do livro
-Bazar de Ritmos- 1935)



Formatação Luna

Reply  Message 23 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 18:46
 
luna040109-2.gif LUNAANJO picture by lunamaria2009

Gostaria


Queria compartilhar contigo os momentos mais simples
e sem importncia.
Por exemplo:
sair contigo para passear, sentir-te apoiada em meu braço,
ver-te feliz ao meu lado
alheia a todo mundo que passasse.

Gostaria de sair contigo para ouvir música, ir ao cinema,
tomar sorvete, sentar num restaurante
diante do mar,
olhar as coisas, olhar a vida, olhar o mundo
despreocupadamente,
e conversar sobre "nós" – esse "nós" clandestino
que se divide em "tu e eu"
quando chega gente.

Encontrar alguém que perguntasse: "Então, como vão vocês?"
E me chamasse pelo nome, e te chamasse pelo nome
e juntasse assim nossos nomes, naturalmente,
na mesma preocupação.

Gostaria de poder de repente te dizer:
Vamos voltar pra casa...
( Como se felicidade pudesse ser uma coisa
a que tivéssemos direito como toda gente)
Queria partilhar contigo os momentos menores
da minha vida,
porque os grandes já são teus.


(Poema de JG de Araujo Jorge
do livro – A Sós – 1958 )



Formatação Luna


Reply  Message 24 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 30/11/2009 18:47
lunacomehomesafe.gif luna2012 picture by lunamaria2009


Os versos que te dou


Ouve estes versos que te dou, eu
os fiz hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos...e serei feliz...
E hei de fazê-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor, e hei depois
relembrar o passado de nós dois...
esse passado que começa agora...
Estes versos repletos de ternura são
versos meus, mas que são teus, também...
Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que
possa perturbar vossa ventura...
Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revive-los nas
lembranças que a vida não desfez...
E ao lê-los...com saudade em tua dor...
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez...
Se nesse tempo eu já tiver partido e
outros versos quiseres, teu pedido deixa
ao lado da cruz para onde eu vou...
Quando lá novamente, então tu fores,
pode colher do chão todas as flores, pois
são os versos de amor que ainda te dou.


(Poema de JG de Araújo Jorge
do livro "Meu Céu Interior" – 1934)


Formatação Luna


Reply  Message 25 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 13:56
 
 
lindatag-1.gif lindatag picture by lunamaria2009


Esperança


Não! A gente não morre quando quer,
Inda quando as tristezas nos consomem.
Há sempre luz no olhar de uma mulher
E sangue oculto na intenção de um homem.

Mesmo que o tempo seja apenas dor
E da desilusão se fique prisioneiro.
Vai-se um amor? Depois vem outro amor
Talvez maior do que o primeiro.

Sonho que se afogou na baixa-mar,
De novo há de erguer, cheio de fé,
Que mesmo sem ninguém o suspeitar,
Volta a encher a maré.

Não penses que jamais hás de achar fundo
Nem que entre as tuas mãos não terás outra mão.
Pode a vida matar o sonho e o sol e o mundo,
Mas não nos mata o coração.


(Poesia de Maria Helena,– extraído do livro
Concerto a 4 mãos - de JG de Araujo Jorge - 1959 )





Formatação Luna


Reply  Message 26 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 13:57
 

luna070109.gif luna070109 picture by lunamaria2009


Razões de Amor


Gosto de ti desesperadamente:
dos teus cabelos de tarde onde mergulho o rosto,
dos teus olhos de remanso onde me morro e descanso;
dos teus seios de ambrósias, brancos manjares trementes
com dois vermelhos morangos para as minhas alegrias;
de teu ventre - uma enseada - porto sem cais e sem mar -
branca areia à espera da onda que em vaivém vai se espraiar;
de teu quadris, instrumento de tantas curvas, convexo,
de tuas coxas que lembram as brancas asas do sexo;
- do teu corpo só de alvuras - das infinitas ternuras
de tuas mãos, que são ninhos de aconchegos e carinhos,
mãos angorás, que parecem que só de carícias tecem
esses desejos da gente...
Gosto de ti desesperadamente;
gosto de ti, toda, inteira nua, nua, bela, bela,
dos teus cabelos de tarde aos teus pés de Cinderela,
(há dois pássaros inquietos em teus pequeninos pés)
- gosto de ti, feiticeira,
tal como tu és...


(Poema de JG de Araujo Jorge,
extraído do livro A SÓS... , 1958)



luna070109-peq.gif luna070109-p picture by lunamaria2009


Formatação Luna


Reply  Message 27 of 42 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 01/12/2009 13:59

 
   
 
 

natalluna4.gif natalluna4 picture by luna5555


Natal

J.G de Araujo Jorge


Antes se arrepender do que se fez um dia
por sincero prazer pondo tudo de lado,
do que o arrependimento de se ter deixado
de fazer, por temor.... - se o coração pedia.

Se colheste a emoção com intensa alegria
e se foste feliz e marcaste o passado,
bendiz esse segundo ou essa hora, - esse dia
em que o mundo foi teu, vencido e conquistado...

A vida é uma aventura e é preciso vivê-la!
Nada há que justifique uma abstinência ao mundo,
- ergue a mão para o céu e colhe a tua estrela!

É a hora do Natal... A estrela é o teu presente!
Mesmo que ela cintile apenas um segundo,
contigo hás de levá-la indefinidamente.



 

natalluna4.gif natalluna4 picture by luna5555


Natal

J.G de Araujo Jorge


Antes se arrepender do que se fez um dia por sincero prazer pondo tudo de lado, do que o arrependimento de se ter deixado de fazer, por temor.... - se o coração pedia.

Se colheste a emoção com intensa alegria e se foste feliz e marcaste o passado, bendiz esse segundo ou essa hora, - esse dia
em que o mundo foi teu, vencido e conquistado...

A vida é uma aventura e é preciso vivê-la!
Nada há que justifique uma abstinência ao mundo,
- ergue a mão para o céu e colhe a tua estrela!

É a hora do Natal... A estrela é o teu presente!
Mesmo que ela cintile apenas um segundo, contigo hás de levá-la indefinidamente.



 
 

lunanatal30.gif lunanatal30 picture by luna5555



Mensagem no Dia de Natal

( Poema de JG de Araujo Jorge - do livro

" O Canto da Terra " 1a edição - 1945 )


I

Eu não penso nos heróis...

Eu não penso nos heróis, cujos nomes ficarão perpetuados na História;
eu não penso nos heróis que ficarão como restos mutilados das batalhas e receberão medalhas
cobertos de glória;
eu não penso nos soldados que tiveram gestos ousados
e desprendidos, e posaram anônimos para as futuras estátuas dos soldados desconhecidos...

Eu penso é na juventude que se apaga como um meteoro dentro da noite;
nos sábios do futuro que ficaram com os olhos vidrados e inertes, e que não pensarão mais;
nos futuros artistas, que caíram de bruços com o coração na terra e encontraram a paz;
penso neles, - os sábios, os cientistas, os escritores,
os artistas, os trabalhadores,
que nada mais criarão e nada mais farão
pela Civilização!

Eu penso é na dívida insolúvel e cada vez maior
de todas as guerras,
contra o progresso dos povos
contra a grandeza das terras!

II
Eu não ouço clarim...

Eu não ouço os clarins frenéticos, nem toques de vitória pelos espaços;
eu não ouço os hinos marciais ou o rufar dos tambores
de roufenhos compassos;
eu não ouço os burras! os vivas! e as salvas das partidas nem a algazarra das ruas trepidantes e em festa, onde os soldados marchando - são como os rios que passam  uma calma triunfal
e as multidões assistindo - são como imensa floresta
gesticulando os seus galhos sob um vendaval!

Eu ouço, são os gemidos de todos os que caíram e ficaram abandonados
à própria sorte
e à espera da morte;
e o choro das crianças desprotegidas
que fugiram espavoridas,
sem rumo,
e dormirão no berço que as bombas abriram na terra
entre nuvens de fumo;
e os gritos de desespero das mães que mandaram os filhos à guerra
e que vêem morrer os que ficaram;
eu ouço, é essa orquestração wagnérica, descomunal,
dos instrumentos humanos que a um só tempo vibraram na sinfonia da dor universal!

III
Eu não vejo as ruas embandeiradas...

Eu não vejo as ruas embandeiradas, nem as fardas vistosas, e os instrumentos brilhantes
passando, nem as janelas cheias, e as varandas cheias, e as calçadas cheias,
e as flores que mãos nervosas estão jogando;
e os olhos que estão brilhando, e os risos que estão cantando, e os entusiasmos, e as alegrias, e os cívicos escarcéus, e as bandeiras cheias de vento que se desfraldam nos céus . . .

Eu não vejo e não leio as manchetes enormes dos jornais que são as letras de um hino que a multidão entoa esquecida da paz...

Eu vejo é a terra devastada, os céus turvos, retintos,
e os homens descompostos que ficaram com as vísceras à mostra e servirão de pasto aos abutres famintos;
e os hospitais arrasados, e as escolas destruídas,
e as pontes desconjuntadas, e as estradas interrompidas, e os corpos inocentes das crianças espalhados no chão criminosamente,
como brotos arrancados à passagem de um tufão
inconsciente!

IV
Em verdade...

Em verdade eu não vejo as partidas entusiastas e as chegadas vitoriosas
vejo é a derrota irremediável de todos os que não voltaram e a surpresa maior dos que se julgaram vencedores, e atônitos e assombrados
entre escombros e horrores
descobriram que também foram derrotados!

Em verdade
eu não penso na Glória, penso na Humanidade!

E não ouço a letra dos hinos que vibram notas marciais...
Neste dia de Natal oh! companheiros do mundo! oh! companheiros cristãos!
Eu ouço é aquela voz que atravessou os séculos num grito fraternal de paz:
- "Amai-vos uns aos outros! Sêde irmãos!"


lunanatal30peq.gif lunanatal30peq picture by luna5555

 



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