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ARTE E HISTÓRIA NA PALAVRA E NA IMAGEM.: OBRAS PRIMAS - FOTOGRAFIAS.
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Reply  Message 1 of 9 on the subject 
From: Dominique  (Original message) Sent: 26/04/2010 20:14

(SEMANA HELEN LEVITT)

FOTOGRAFIA - CRIANçAS (1945)

Helen Levitt nasceu em 31 de agosto de 1913, em Bensonhurst, Brooklyn. Seu pai, Sam, um judeu russo que emigrara para os EUA, administrava uma bem sucedida firma atacadista de material para tricô e crochê; sua mãe, May, era contadora antes de se casar.

Helen não encontrou na escola o estímulo intelectual que procurava e no último ano não teve paciência para esperar a graduação e largou os estudos. Mais tarde diria que sua vontade era se dedicar ao desenho, mas sem talento algum, desistiu.

Sua mãe conhecia um fotógrafo de retratos para documentos e para assuntos comerciais, com estúdio no Bronx, J. Florian Mitchell, e em 1931 Helen começou a trabalhar para ele. “Eu o ajudava a revelar e imprimir e meu salário eram seis dólares por semana”, foi o que ela contou sobre esse emprego.

O que ela não disse mas está implícito, foi que ela aprendeu seu ofício com ele, o que lhe valeu quando, com uma Voigtländer de segunda mão, começou a fotografar as amigas de sua mãe. Adquiriu também o hábito de ler revistas especializadas e de não perder as muitas exposições de fotografias que Nova York já oferecia.

Foi uma grande fotógrafa, como descobriremos no decorrer desta semana. Mas sua obra-prima, sem a menor dúvida, são as fotos “Crianças de Nova York”, que lhe renderam um livro, muitas oportunidades de se aprimorar e a celebridade.

A que abre nossa pequena exposição dos trabalhos de Helen Levitt é uma bela foto de quatro crianças caminhando numa calçada feia e sem graça, um viaduto se impondo, e elas maravilhadas com cinco bolhas que flutuam fazendo um contraponto alegre com a tristeza do concreto que dividiu a rua ao meio.

Dimensões:17.3 x 24.7 cm

Acervo Museum of Modern Art, MoMA, NY.

D O M I N I Q U E



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Reply  Message 2 of 9 on the subject 
From: Dominique Sent: 27/04/2010 22:54

FOTOGRAFIA - CRIANçAS: DESENHAND0 NA RUA (1940)

Helen Levitt dedicou sua vida a fotografar a poesia e o drama das ruas de Nova York. Não a cidade artificial e habitada por pessoas que são iguais em qualquer outra grande metrópole, a tal da “beautiful people”. Ela fotografou, digamos assim, gente como a gente, e começou a fotografar os miúdos que viviam entre o Brooklyn e o Bronx.

A série que a tornou famosa e pela qual é reverenciada até hoje, a das crianças e a rua, feita entre o final dos anos 30 e meados dos anos 40, transmite e registra as emoções desabridas e os gestos espontneos das crianças.

Outros fotógrafos já haviam documentado a poesia que pode ser encontrada nas ruas (ou onde menos esperamos encontrá-la), como Eugène Atget e Berenice Abbott, que já mostramos aqui. Na verdade, a invenção de máquinas pequenas, portáteis, com filmes de rolo, permitiu aos fotógrafos registrar, em rápida sucessão, uma série de instantneos, o que deu alma à fotografia.

Mas nenhum deles, como Levitt, se deteve sobre as crianças e sua grande área de lazer: a rua. Nela brincavam, desenhavam, sonhavam, jogavam bola, conversavam. Suas fotos contam parte da história da infncia em uma Nova York não visitada e, acredito eu, também contam parte do modo de vida das crianças que viviam em muitas cidades grandes, já que a urbe tirara dos pequenos o quintal, a terra.

O valor do registro cresce quando pensamos que hoje em dia até isso foi tirado da criança: seu direito de freqüentar e usar as ruas das cidades onde vive...

Acervo Museum of Modern Art – MoMA, NY

D O M I N I Q U E


Reply  Message 3 of 9 on the subject 
From: Dominique Sent: 28/04/2010 22:16
FOTOGRAFIA - BRINCANDO COM TIRAS DE PAPEL (1942)

Treinava muito os olhos, disse Helen Levitt mais tarde, ia a muitos museus e galerias de arte. Em 1936, ela comprou uma Leica, também de segunda mão. Era a cmera preferida por Cartier-Bresson, como todos os que amam fotografia sabem.

Em 1935 ela conhecera o grande fotógrafo francês quando ele passou um ano em Nova York. Era uma de suas maiores admirações e Helen muito aproveitou sua presença na cidade. Numa ocasião, ela o acompanhou, e lhe serviu de guia, durante o período em que ele fotografou ao longo da linha costeira do Brooklyn.

Dois anos mais tarde, ela procurou Walker Evans para lhe mostrar as suas fotografias de crianças brincando nas ruas e dos grafitti tão espontneos que deixavam nas calçadas e paredes. Ficaram amigos e ela ajudou Evans a revelar e imprimir fotos para a exposição que ele faria a seguir, assim como para o livro “American Photographs”.

Foram, Evans e Bresson, muito influentes na carreira de Helen Levitt. Os dois profissionais tinham como característica serem essencialmente cidadãos dos países onde nasceram: Evans era muito americano na escolha dos temas e no modo de ver as coisas; o mesmo se dava com Cartier-Bresson, a quintessência do francês. Bresson tinha o dom de captar a graça e o espírito da vida do dia a dia, em momentos de rotina na cidade, fotos leves na aparência, mas com muitas leituras; Evans preferia temas mais diretos, da vida comum, e não era sutil.

Por intermédio de Evans, Levitt conheceu o fotógrafo Shahn, a quem ela creditaria mais tarde como a maior influência que recebeu, pelo modo como ele lhe ensinou a ver nas calçadas do Brooklyn não somente a alegria e a inventividade das crianças, como sua coragem e determinação diante de uma vida ingrata.

Acervo Museum of Modern Art – MoMA, NY

D O M I N I Q U E

 

Reply  Message 4 of 9 on the subject 
From: Dominique Sent: 30/04/2010 01:05
FOTOGRAFIA - 0S BAMBAS (1940)

O escritor James Agee, um bom amigo, também teve forte influência sobre o trabalho da fotógrafa. Ela o conheceu através de Walker Evans, que deixou anotado: “O trabalho de Helen era uma das grandes admirações de Agee. A fotógrafa, por seu lado, muito aproveitou com o convívio: o olhar sensível e inteligente de Agee fez com que ela treinasse seus olhos para ver melhor o que realmente importava nas ruas de Nova York”.

Eis o que Agee escreveu sobre a amiga: “Pelo menos doze das fotografias de Helen Levitt são, para mim, tão bonitas, sensíveis, encantadoras e duradouras como qualquer obra de arte que eu conheça. Sua qualidade e coerência, além disso, nos propõe, como em um manifesto, um modo de ver, despretensioso e delicado, o todo formando uma grande obra poética”.

Em 1959, Helen Levitt recebeu uma bolsa Guggenheim para “explorar” como quisesse o seu território, o Brooklyn. Mas havia uma condição: que ela substituísse o preto e branco pela cor. Era tema ainda em pleno desenvolvimento e ela é considerada uma das pioneiras no assunto. Em 1960, a bolsa foi renovada. Helen registrou centenas de fotos nesses dois anos.

Infelizmente, nós não veremos nenhuma dessas imagens: um ladrão muito comedido arrombou o apartamento de Levitt em 1970 e roubou quase todos esses negativos e as fotos já impressas. Pouca coisa mais levou...

Acervo Museum of Modern Art – MoMA

D O M I N I Q U E


Reply  Message 5 of 9 on the subject 
From: Dominique Sent: 30/04/2010 19:28

FOTOGRAFIA - OS ARTISTA (1940)

Apesar do baque que foi o assalto a seu apartamento em 1970, quando ela perdeu quase todo o trabalho de dois anos, Helen voltou para as ruas do Brooklyn com sua Leica e recomeçou tudo. Em 1974, o MoMA exibiu as novas fotos coloridas: uma das primeiras vezes que fotografias foram exibidas de maneira formal em um museu e uma das primeiras exposições de fotos a cores tratadas de modo artístico. O fato impressionante é que 31 anos depois de sua primeira exposição individual, no mesmo MoMA, lá estava ela de novo, com sua arte e talento. E foi um sucesso.

Helen Levitt capturava na coreografia espontnea das ruas os momentos sem sofisticação, naturais, deliciosamente ingênuos, aquilo que William Butler Yeats chamava de “a cerimônia da inocência”. Como na imagem de hoje, onde dois pirralhos dançam e cantam imitando artistas de cinema.

Um objeto inanimado, como um disco quebrado, parece pular e dançar em uma rua vazia tal qual o faria uma criança; meninos arteiros e inconscientes do perigo escalam um alto portal de onde uma queda pode ser fatal; dois menininhos, aparentemente irmãos, pequenos ainda, parecem se consolar de alguma tristeza, sentados no meio-fio; o desenho a giz numa parede. Todas essas imagens, através da arte de Helen Levitt, ganham alma.

Na mais célebre de suas fotos (1940), três crianças, vestidas com esmero, se preparam para a ronda de Halloween, a típica brincadeira anglo-saxã da véspera do Dia de Todos os Santos: as crianças batem na porta dos vizinhos e perguntam “trick-or-treat”, doce ou travessura? No pórtico de casa, os três estão em variados graus de prontidão: a menina, no alto da escada, põe a máscara; o menino perto dela, já mascarado, tem um pé no degrau mais baixo; enquanto o outro, também com a máscara no rosto, apoiado no corrimão, parece observar o mundo com muita segurança...

Segundo John Szarkowski, que foi durante anos o curador de fotografias do MoMA, essa foto é Helen Levitt no auge de sua forma.

Em março de 2009, essa grande artista faleceu, aos 95 anos, em seu apartamento de Manhattan, enquanto dormia.

Acervo Museum of Modern Art – MoMA, NY

D O M I N I Q U E


Reply  Message 6 of 9 on the subject 
From: Dominique Sent: 31/05/2010 16:04

OBRA PRIMA DO DIA (SEMANA ANDRÉ KERTÉSZ)

FOTOGRAFIA - O GARFO (1927)
  
 

André Kertész (nascido Andor Kertész em 2 de julho de 1894, na Hungria), ficou conhecido por suas composições provocadoras e é considerado um dos pais dos ensaios fotográficos. Em vida, os ngulos pouco ortodoxos de suas fotos, que impediam descrições alongadas das imagens, foram os responsáveis pelo fato de seu nome não se tornar muito conhecido. Hoje em dia, no entanto, Kertész é considerado uma das figuras seminais do foto-jornalismo. Basta mencionar o que disse dele Henri-Cartier Bresson: “Todos nós devemos alguma coisa a Kertész”.

Nascido em Budapest, filho de um livreiro, Kertész aprendeu sozinho a usar uma cmera: arrumando o sótão de casa, encontrou um velho manual sobre como tirar fotos. Leitor compulsivo e curioso, resolveu ler e desde esse episódio, seu interesse pela fotografia só fez se consolidar. Comprou uma cmera e passou a fotografar sempre que podia. Isso foi em 1913.

Seu pai morreu muito cedo, vítima da tuberculose, deixando sua mãe viúva com 3 filhos. O tio materno, Lipót Hoffman, corretor na Bolsa de Valores de Budapeste, responsabilizou-se pela família da irmã. Foram todos viver na casa de campo de Hoffman.

Em 1914, Andor alistou-se no exército austro-húngaro; foi nesse período, em plena I Guerra Mundial, que publicou sua primeira foto. Decidiu que seria fotógrafo profissional. Ferido, foi dispensado do exército mas teve que ficar um ano imobilizado. Em 1917, todos os seus negativos foram destruídos durante a Revolução Húngara e ele, desiludido, foi trabalhar com o tio na Bolsa de Budapeste, que era o destino que sua família tinha traçado para ele. Mas aquele não era seu caminho, como veremos durante esta semana.

Acervo Espólio André Kertész.

 
D O M I N I Q U E

Reply  Message 7 of 9 on the subject 
From: Dominique Sent: 01/06/2010 23:29

FOTOGRAFIA - DISTORÇÃO (1933)

 

Mesmo quando ainda trabalhava com o tio na Bolsa, em Budapeste, Kertész não abandonou a fotografia. Em suas horas vagas, ele era o fotógrafo apaixonado pelo oficio e interessado em inovar, em criar. Com sua primeira cmera, a Ica que comprara ainda adolescente, ele continuou a fotografar e chegou a ter fotos suas publicadas em revistas húngaras.

Mas o ambiente em Budapest, com a falta de liberdades civis, não era propício às artes e Kertész resolveu, em 1923, ir para Paris. Lá ele muda seu nome de Andor para André e é como André Kertész que entra para a história da Fotografia.

Em Paris ele se entrega à sua paixão. Para poder se sustentar, vende suas fotos por 25 francos cada. Faz amigos nos grupos de vanguarda, ambiente que o seduz pela efervescência intelectual: Piet Mondrian, Fernand Léger, Tristan Tzara. Logo começa a colaborar para várias revistas, como L'Art vivant, L'Image, Vogue, Paris Magazine, Neue Jugend, Münchner Illustrierte Presse, Uhu, The Sphere,e, mais frequentemente, Vu.

Compra uma Leica 35mm e é dos primeiros a usar essa fantástica máquina para fotos jornalísticas, que publica em Vu. Fazem um grande sucesso e seu nome começa a ser conhecido, seu círculo de relações entre os intelectuais de Paris se amplia: conhece Brancusi, Chagall, Man Ray e Brassaï, a quem ensina o ofício de fotógrafo.

Ele não para de experimentar novos ngulos, de acentuar ou diminuir os contrates, e de se servir de técnicas ainda experimentais. Em 1933, ele cria sua série mais famosa, Distorções, reflexos de corpos nus diante de um espelho que deforma as imagens, como os dos parques de diversão.

Acervo Espólio André Kertész

D O M I N I Q U E

Reply  Message 8 of 9 on the subject 
From: Dominique Sent: 02/06/2010 15:28

FOTOGRAFIA - DO ALTO DA TORRE EIFFEL (1929)

 

Entre os amigos que fez em Paris estavam membros do movimento dadaísta. Um deles apelidou André Kertész de “Irmão Que Vê”, numa alusão a um monastério medieval onde todos os monges eram cegos, exceto um. Sua maior colaboração profissional foi com Lucien Vogel, o editor francês que publicava as fotos de Kertész sem muitos textos explicativos.

Juntos eles publicaram fotos de Chagall, de Mondrian, de Colette e de Sergei Eisenstein. Em Paris ele conheceu o sucesso artístico e comercial e há monografias relatando que ele foi o primeiro fotógrafo a fazer uma exposição individual (1927). Além de ensinar Brassaï a fotografar, ele foi orientador dele e de Cartier-Bresson, que sempre lhe foi muito grato.

Sem dizer nada à sua família e, na realidade, nem para a maioria de seus amigos, Kertész casou-se com uma fotógrafa francesa especializada em retratos, Rosza Klein (que usava o nome de Rogi André), no final da década de 20. O casamento durou muito pouco e ele nunca mais tocou nesse assunto, para não incomodar sua segunda mulher, a húngara Elizabeth.

Em 1930 ele resolveu voltar para a Hungria afim de visitar a família e lá reencontrou sua primeira namorada, Erzsebet.

Ele não ficou muito tempo em Budapest; voltou para Paris e em 1931 Erzsebet o seguiu, apesar da objeção de sua família. Os dois nunca mais se separaram. Casaram- se em 17 de junho de 1933 e ela passou a se chamar Elizabeth Kertész.

Por essa época, o Partido Nazista crescia e se tornava cada vez mais poderoso. Isso levou a indústria jornalística a publicar muitas reportagens sobre política, mas Kertész, por ser neutro e apolítico, passou a receber cada vez menos encomendas. Foi quando Elizabeth e ele resolveram se mudar para Nova York. Em 1936, em meio às ameaças de uma II Guerra Mundial, o casal Kertész embarcou no SS Washington em direção a Manhattan.

Acervo Espólio André Kertész

 

D O M I N I Q U E


Reply  Message 9 of 9 on the subject 
From: Dominique Sent: 04/06/2010 23:32
 
 
fotografia - O livro de Elizabeth (s/d)
 

Quando, em 1962, Kertész se afastou dos trabalhos comerciais e passou a trabalhar como autônomo, seu trabalhou passou a focalizar a essência do momento, o espírito da efervescente Nova York na qual vivia.

A desilusão que tomara conta dele ao ver que seu trabalho não era reconhecido em Nova York desapareceu completamente quando o MoMA, de todos os museus o mais dedicado então à fotografia, realizou uma retrospectiva de seu trabalho, já mencionada aqui, em 1964; e uma outra, mas essa já em 1985.

Também muito contribuiu para isso o fato de após a guerra a maioria de seus negativos ter sido recuperada em um depósito nos porões de um castelo no sul da França, inclusive as fotos de seus amigos, documentos importantes para a posteridade.

Dedicou-se a fotografar cenas das ruas e praças por onde passava ou cenas que via da janela de seu apartamento, que dava para a Washington Square. Outro de seus projetos era colocar objetos na frente da janela e criar uma série de naturezas-mortas, como a que mostramos hoje, um livro que Elizabeth lia, na mesinha em frente à janela do apartamento do casal. A imagem menor é uma foto tirada pelo próprio noivo, em plena lua-de-mel, à qual deu o nome de “Elizabeth e eu” (1933).

São muitos os livros sobre a obra de Kertész, como Day of Paris (1945), André Kertész, Photographer (1964), André Kertész: Sixty Years of Photography (1972), J'aime Paris: Photographs Since the Twenties (1974), Distortions (1976), and Kertész on Kertész: A Self-Portrait (1985).

Ele recebeu muitas provas de respeito por seu trabalho, inclusive o grau de doutor honoris causa do Royal College of Arts; o governo francês o condecorou com a Legião de Honra.

André Kertész faleceu em Nova York, em 28 de setembro de 1985, aos 91 anos.

Acervo Espólio André Kertész

D O M I N I Q U E



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