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BIBLIOTECA DA LUSOFONIA: MARTHA MEDEIROS
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Reply  Message 1 of 5 on the subject 
From: QUIM TROVADOR  (Original message) Sent: 30/11/2009 09:06

                                                                

fita.gif picture by iarinha

Como se mede uma pessoa?

Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento.

Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.

É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.

Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto.

É pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.

Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos e clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições?

Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.

Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.

Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.

Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.

O egoísmo unifica os insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande.

É a sua sensibilidade sem tamanho.


222_2007_Iara_katiavillar-vi.jpg picture by iarinha

 

 


 
   

 

O contrário do Amor

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

Martha Medeiros

ºººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººº    



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Reply  Message 2 of 5 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 04/12/2009 20:10

 
   

 fff-11.gif picture by LilithPostImagens

JEITOS DE AMAR

Martha Medeiros

    No livro Prosa Reunida, de Adélia Prado, encontrei uma frase singela e verdadeira ao extremo. Uma personagem põe-se a lembrar da mãe, que era danada de braba, mas esmerava-se na hora de fazer dois molhos de cachinhos no cabelo da filha, para que ela fosse bonita pra escola. "Meu Deus, quanto jeito que tem de ter amor".

    É comovente porque é algo que a gente esquece: milhões de pequenos gestos são maneiras de amar. Beijos e abraços são provas mais eloqüentes, exigem retribuição física, são facilidades do corpo. Porém há diversos outras demonstrações mais sutis.

    Mexer no cabelo, pentear os cabelos, tal como aquela mãe e aquela filha, tal como namorados fazem, tal como tanta gente faz: cafunés. Amigas colorindo o cabelo da outra, cortando franjas, puxando rabos de cavalo, rindo soltas. Quanto jeito que há de amar.

    Flores colhidas na calçada, flores compradas, flores feitas de papel, desenhadas, entregues em datas nada especiais: "lembrei de você". É este o único e melhor motivo para azaléias, margaridas, violetinhas. Quanto jeito que há de amar.

    Um telefonema pra saber da saúde, uma oferta de carona, um elogio, um livro emprestado, uma carta respondida, repartir o que se tem, cuidados para não magoar, dizer a verdade quando ela é salutar, e mentir, sim, com carinho, se for para evitar feridas e dores desnecessárias. Quanto jeito que há de amar.

    Uma foto mantida ao alcance dos olhos, uma lembrança bem guardada, fazer o prato predileto de alguém e botar uma mesa bonita, levar o cachorro pra passear, chamar pra ver a lua, dar banho em quem não consegue fazê-lo só, ouvir os velhos, ouvir as crianças, ouvir os amigos, ouvir os parentes, ouvir. Quanto jeito que há de amar.

    Rezar por alguém, vestir roupa nova pra homenagear, trocar curativos, tirar pra dançar, não espalhar segredos, puxar o cobertor caído, cobrir, visitar doentes, velar, sugerir cidades, discos, brinquedos, brincar: quanto jeito que há.

 CupidHLine.gif picture by Lilith_RJ2

0dab8bc014a98321bcc40a9c34621cac.gif picture by Lilith_RJ2

 


 
   
 

 
 
As Boazinhas Que Me Perdoem

Qual o elogio que uma mulher adora receber?
Bom, se você está com tempo, pode-se listar aqui uns setecentos:
Mulher adora que verbalizem seus atributos, sejam eles físicos ou morais.
Diga que ela é uma mulher inteligente, e ela irá com a sua cara.


Diga que ela tem um ótimo caráter e um corpo que é uma provocação, e ela
decorará o seu número.

Fale do seu olhar, da sua pele, do seu sorriso, da sua presença de espírito,
Da sua aura de mistério, de como ela tem classe:
Ela achará você muito observador e lhe dará uma cópia da chave de casa.

Mas não pense que o jogo está ganho: manter o cargo vai depender da sua
perspicácia para encontrar novas qualidades nessa mulher poderosa, absoluta.
Diga que ela cozinha melhor que a sua mãe,
Que ela tem uma voz que faz você pensar obscenidades,
Que ela é um avião no mundo dos negócios.

Fale sobre sua competência, seu senso de oportunidade,
Seu bom gosto musical.


Agora quer ver o mundo cair?
Diga que ela é muito boazinha.
Descreva aí uma mulher boazinha.
Voz fina, roupas pastel, calçados rente ao chão.
Aceita encomendas de doces, contribui para a igreja,
Cuida dos sobrinhos nos finais de semana.
Disponível, serena, previsível, nunca foi vista negando um favor.
Nunca teve um chilique.
Nunca colocou os pés num show de rock.
É queridinha.
Pequeninha.
Educadinha.
Enfim, uma mulher boazinha.
Fomos boazinhas por séculos.
Engolíamos tudo e fingíamos não ver nada, ceguinhas.
Vivíamos no nosso mundinho, rodeadas de panelinhas e nenezinhos.
A vida feminina era esse frege: bordados, paredes brancas,
Crucifixo em cima da cama, tudo certinho.
Passamos um tempão assim, comportadinhas,
Enquanto íamos alimentando um
Desejo incontrolável de virar a mesa.
Quietinhas, mas inquietas.
Até que chegou o dia em que deixamos de ser as coitadinhas.
Ninguém mais fala em namoradinhas do Brasil:
Somos atrizes, estrelas, profissionais.
Adolescentes não são mais brotinhos:
são garotas da geração teen.
Ser chamada de patricinha é ofensa mortal.
Pitchulinha é coisa de retardada.
Quem gosta de diminutivos, definha.
Ser boazinha não tem nada a ver com ser generosa.
Ser boa é bom, ser boazinha é péssimo.
As boazinhas não têm defeitos.
Não têm atitude.
Conformam-se com a coadjuvncia.
PH neutro.
Ser chamada de boazinha, mesmo com a melhor das intenções,
é o pior dos desaforos.
Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas,
Apressadas, é isso que somos hoje.
Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos.
As "inhas" não moram mais aqui.
Foram para o espaço, sozinhas

 Martha Medeiros

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


Reply  Message 3 of 5 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 04/12/2009 20:11
 

 

  

MULHERES E MENINOS

Martha Medeiros

Não é novidade que há muitas mulheres, hoje, relacionando-se com homens mais jovens. Há quem acredite que esta é mais uma infiltração da mulher no mundo masculino: elas estariam dando o troco nos coroas que só se relacionam com ninfetas. Pois eu acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Homens maduros se relacionam com garotas, na maioria das vezes, para confirmar sua virilidade e também para recuperar a juventude, e, sejamos francos, ninguém tem nada a ver com isso, todas as relações humanas são, basicamente, de troca: cada um oferece o que tem e toma pra si o que precisa. Se é amor, tanto melhor, mas mesmo não sendo, o casal pode ser igualmente feliz.

Já as mulheres não me parecem estar se relacionando com garotos apenas para se sentirem mais jovens - ainda que isso conte também. O que eu tenho observado é que, na verdade, nem são as mulheres que estão partindo pra cima dos guris. É sempre mais fácil acreditar no clichê: mulheres divorciadas, recauchutadas e com dinheiro no bolso estariam aliciando rapazotes indefesos, mas olhe com atenção: eles, os "indefesos", é que estão procurando mulheres mais maduras. Ou será otimismo meu?

O motivo não é difícil de entender. Me acompanhe. Pra começo de conversa, é preciso reconhecer uma verdade universal: mulher é chata. É gostosa, é querida, é sensível, é eficiente, mas é chata. Me incluo. Só que a tendência é perdermos a chatice com o passar dos anos. A passagem do tempo, se nos tira algum viço - e nem tira tanto assim, com os recursos que existem hoje, nos dá em troca muita coisa: serenidade, autoconfiança, experiência. E o mais importante de tudo: humor! Depois de passarmos pelas inseguranças da adolescência e pelos sustos e pelas obrigações do primeiro filho, do segundo filho, do primeiro casamento, do segundo casamento, a gente simplesmente
relaxa. Acabou o estresse familiar, viraram todos amigos, é hora de se divertir. Não há mais tempo a perder com picuinhas, com ciúmes, com desconfianças, com sonhos inatingíveis. Uma mulher madura troca sonhos por
objetivos. Não precisa mais matar dez leões por dia, já se estabeleceu e agora quer aproveitar a vida, curtir bons shows, viajar, ficar bonita e fazer umas loucuras que nunca se atreveu quando era mais jovem, veja só.

Qual é o homem que não vai querer uma mulher assim?

Tem muita menina bacana e madura, não dá pra generalizar. Mas é bem verdade que muitas delas são bobas, cheias de frescura, só ligam para a aparência e se esquecem do recheio. Fazem um dramalhão por qualquer coisa e viram experts em desgastar relacionamentos. Então os rapazes não têm outra saída a não ser procurar mulheres mais desencanadas. Não lhe parece uma teoria plausível? Trocam-se duas esquizofrênicas de 20 por uma quarentona que só dê prazer, e não problemas.

Ok, talvez eu tenha sido otimista demais. Coisa da idade.

 

 




 
   
 
Descontruções
Martha Medeiros


Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem.
 A imagem tem a ver com as nossas
 expectativas e mais ainda com o que
ela "vende" de si mesma.
É pelo resultado disso
 tudo que nos apaixonamos.
 Se a pessoa for parecida com a imagem que
 projetou em nós, desfazer-se dela,
mais tarde, não será tão penoso.
 Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo.
 No final, sobreviverão as boas lembranças.
Mas se esta pessoa "inventou"
 um personagem e você acreditou,
 virá um processo mais lento:
 a de desconstrução daquilo que
você achou que era real.
Desconstruindo Ana, desconstruindo Marcos,
desconstruindo Carla.
 Milhares de pessoas vivem seus dias
 aparentemente numa boa, mas por dentro
 estão "desconstruindo ilusões".
 Tudo porque se apaixonaram por uma fraude,
 não por alguém autêntico.
Ok, é natural que, numa aproximação,
 a gente "venda" mais nossas qualidades
que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história
 dizendo: muito prazer, eu sou arrogante,
 preguiçoso e cleptomaníaco.
 Nada disso, é a hora de fazer charme.
Uma vez o romance engatado,
 aí as defesas são postas de lado e a gente
mostra quem realmente é, nossas gracinhas,
 manias e imperfeições.
 Isso se formos honestos.
 Os desonestos são aqueles que fabricam
idéias e atitudes, até que um dia cansam
 da brincadeira, deixam cair a máscara
 e o outro fica ali,
 sem entender absolutamente nada.
Quem se apaixonou por uma mentira,
 tem que desconstruí-la para
"desapaixonar". 
É um sufoco. Exige que você reconheça
que foi seduzido por uma fantasia,
 que você é capaz de se deixar confundir,
que o seu desejo é mais
 forte do que sua astúcia.
 Significa encarar que alguém por quem você
dedicou um sentimento bacana não chegou a
 existir, que tudo não passou de
uma representação.
 Talvez até não tenha sido por mal,
pode ser que esta pessoa nem conheça
 a si mesma, por isso ela se inventa.
Sorte quando a gente sabe com quem está
 lidando: mesmo que venha a desamá-lo
um dia, tudo o que foi construído
 se manterá de pé.
Afinal, todos, resistimos muito a aceitar que
 alguém que gostamos não é, e nem nunca foi,
ESPECIAL.

 
   
 

 

PARA SER FELIZ

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num SPA cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

Martha Medeiros

 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

 


 
   

 

 

A Voz do Silêncio

Pior do que a voz que cala é um silêncio que fala.
Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois, você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"
É o silêncio de um mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba é aquele que fala.

E fala alto !...

É quando ninguém bate à nossa porta...
não há recados na secretária eletrônica....
e mesmo assim você entende a mensagem.

(Marta Medeiros)

                                                               


Reply  Message 4 of 5 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 04/12/2009 20:11
 

 

 

 

 

 

©Copyright  Grupo NO TEMPO...NO ESPAçO...NA MADRUGADA...2006®.
Todos os Direitos Reservados

 

 
 

A PRISãO DE CADA UM

Martha Medeiros

 

 
 
O psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32, disse que o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual quer viver. Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível refutá-la. A liberdade é uma abstração.
Liberdade não é uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento para vestir. No entanto, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado no pescoço.
Diga-me qual é a sua tribo e eu lhe direi qual é a sua clausura.
São cativeiros bem mais agradáveis do que o Carandiru: podemos pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda Luis Estevão, só que temos que advogar em causa própria e hábeas corpus, nem pensar.
O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a pena máxima. Um emprego que rende um gordo salário trancafia você, o impede de chutar o balde e arriscar novos vôos. O mesmo se pode dizer de um cargo de chefia. Tudo que lhe dá segurança ao mesmo tempo lhe escraviza.
Viver sem laços igualmente pode nos reter.
Uma vida mundana, sem dependentes para sustentar, o céu como limite: prisão também. Você se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada através de um filho.
Nós é que decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados.
É uma opção consciente. Não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real, entre quatro paredes.
Nosso crime é estar vivo e nossa sentença é branda, visto que outros, ao cometerem o mesmo crime que nós - nascer - foram trancafiados em lugares chamados analfabetismo, miséria e exclusão.
Brindemos: temos todos, cela especial.
 
 
 

 


Reply  Message 5 of 5 on the subject 
From: QUIM TROVADOR Sent: 04/12/2009 20:12
 
 

                     
       Um Deus Que Sorri        

Eu acredito em Deus !! 

Mas não sei se o Deus em que eu acredito é o mesmo Deus 

em que credita o balconista, a professora, o porteiro. 
O Deus em que acredito não foi globalizado. 


O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém. 

É uma idéia, uma energia, uma eminência. Não tem rosto, portanto 

não tem barba. Não caminha, portanto não carrega um cajado. 

Não está cansado, portanto não tem trono.

O Deus que me acompanha não é bíblico. Jamais se deixaria 

resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento 

que não se renova. O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros,

 mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação 

das fraquezas e no estímulo à felicidade.

O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas 

que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos. Não distribui culpas 

a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras, e nossa penitência 

é a reflexão. Ave Maria, Pai Nosso, isso qualquer um decora sem saber 

o que está dizendo. Para o Deus em que acredito, só vale 

o que se está sentindo.

O Deus em que acredito não condena o prazer. Se ele não tem controle 

sobre enchentes, guerrilhas e violência, se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas, se não tem controle sobre a miséria, o cncer e as mágoas, então que Deus seria ele se ainda por cima condenasse o que nos resta: o lúdico,

 o sensorial, a libido que nasce com toda criança e se desenvolve livre,

 se assim o permitirem?

 

O Deus em que acredito não é tão bonzinho: me castiga e me deixa 

uns tempos sozinha. Não me abandona, mas me exige mais do que uma 

visita à igreja, uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro

 pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como 

carregar uma cruz gigante nos ombros. A cruz pesa onde tem que 

pesar: dentro. É onde tudo acontece e tudo se resolve.

 

Este é o Deus que me acompanha. Um Deus simples. 

Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe-tudo e vê-tudo.

 

 Meu Deus é discreto e otimista. Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto 

vale um pequeno momento grandioso: um abraço numa amiga, uma música 

na hora certa, um silêncio. 

 

É onipresente, mas não onipotente. Meu Deus é humilde. 

Não posso imaginar um Deus repressor e um Deus que não sorri.

 Quem não te sorri não é cúmplice.

 

Martha Medeiros

 

 

 



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